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Alemã desaparecida há uma década é citada nos arquivos Epstein

16 jun 2026 - 10h51
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Jovem que foi oferecida ao criminoso sexual americano desapareceu sem deixar pistas em 2015, aos 22 anos. Segundo imprensa alemã, ela foi recrutada por agenciador argelino-sueco ligado a Jeffrey Epstein.Uma jovem alemã que desapareceu sem deixar pistas em 2015, aos 22 anos, foi oferecida ao multimilionário americano Jeffrey Epstein, pivô de um escândalo global de exploração sexual que teria beneficiado ricos e poderosos do mundo inteiro.

Criminoso sexual Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em 2019
Criminoso sexual Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em 2019
Foto: DW / Deutsche Welle

Ela, que sonhava com uma carreira de modelo, teria sido aliciada por um homem que se apresentava como agente do ramo e ofereceu jovens a Epstein em diversos e-mails, sendo uma delas a própria alemã, identificada apenas como Michele.

Os emails fazem parte do lote de documentos reunidos por investigadores americanos do caso Epstein e divulgados a partir de dezembro de 2025 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após pressão da opinião pública.

A história foi revelada pela emissora pública de TV alemã ZDF e a revista Der Spiegel.

Segundo a reportagem, o elo que liga a jovem a Epstein é Daniel Siad, nascido na Argélia que se naturalizou sueco e que manteve contato com o multimilionário desde 2009. A alemã, identificada apenas pelo prenome Michele, o teria conhecido em 2012 quando vivia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Homem "pescava" mulheres para Epstein

O nome de Siad é mencionado mais de 1.800 vezes nos arquivos do caso Epstein: em ligações telefônicas, mensagens de texto e emails.

Em um desses e-mails, de 2014, o sueco envia fotos de Michele a Epstein. "Você vai adorar ela", disse sobre a alemã, à época com 21 anos.

Em outra comunicação, Siad fala de si mesmo como um "pescador" que fisgava mulheres para Epstein na França, Escandinávia ou Leste Europeu.

As evidências reunidas pelo Departamento de Justiça americano contra Epstein sugerem pagamentos de mais de 80 mil dólares do financista a Siad.

Mulheres que alegam ter sido encaminhadas por Siad a Epstein passaram a procurar a imprensa e autoridades depois da divulgação dos arquivos pelo Departamento de Justiça. Duas delas disseram à ZDF e ao Spiegel terem sido forçadas a atos sexuais contra sua vontade.

Siad, que vive hoje na França, afirma que não sabia que Epstein era um abusador sexual.

"Minha relação com Epstein era meramente profissional. Eu nunca tive problemas com as modelos que apresentei a ele. Elas não foram agredidas ou estupradas", disse em entrevista a uma emissora francesa.

Na França, o sueco é investigado sob suspeita de tráfico humano e estupro. Ele nega as acusações, mas não quis falar com a imprensa alemã.

"Nunca estuprei ninguém na minha vida. Sou pai de família, sou ao mesmo tempo também avô", disse à mesma emissora francesa.

O que aconteceu com Michele?

Não há provas de que Michele tenha de fato se encontrado com Epstein. Duas ex-assistentes do financista afirmam nunca tê-la visto. A polícia da Alemanha também afirma que, à época dos e-mails, a jovem não viajou aos EUA.

Contudo, a reportagem de ZDF e Der Spiegel afirma ter indícios de que Michele estava sob pressão de Siad.

A situação dela seria de especial vulnerabilidade porque, de acordo com a família, estava completamente entregue ao álcool e às drogas e teria passado por diversas internações, sem sucesso. Siad teria tirado vantagem disso.

O pai da jovem relata que ela recebia ligações recorrentes de Siad antes de desaparecer. Segundo ele, Michele teria admitido trabalhar para o homem, que mantinha um serviço de acompanhantes. "Talvez o propósito para o qual as meninas sejam mandadas para lá tenha a ver com sexo", disse ele à ZDF. "Ela aparentemente não queria admitir isso."

"Ela recebia ligações o tempo todo. Às vezes ela era xingada aos gritos", relatou à Der Spiegel um outro homem com quem Michele chegou a se relacionar meses antes de desaparecer. "Minha impressão é de que ela estava sob muita pressão."

Diversos amigos procurados pela reportagem não quiseram se pronunciar sobre o caso ou alegaram não saber de nada.

Michele sumiu após deixar a casa da mãe em setembro de 2015, carregando uma mala. Não disse para onde ia - algo que não despertou maiores preocupações de início, já que a jovem sempre mandava notícias depois.

Mas quando as notícias não vieram, a família buscou a polícia. A corporação, à época, alegou que não podia fazer nada por Michele ser maior de idade e não haver indícios de crime.

Os pais só ficaram sabendo que a filha era citada nos arquivos do caso Epstein após serem procurados pela imprensa alemã.

A mãe se disse chocada ao pensar "que ela talvez tenha se envolvido com essa pessoa [Epstein]". "Acho que ela já não está mais viva, que fizeram algo com ela."

Com a repercussão do caso na imprensa, a Procuradoria alemã agora analisa se vai pedir a abertura de uma investigação.

Um telefone que pertenceu a Michele e está há mais de dez anos com a polícia segue aguardando perícia. A corporação alega problemas técnicos.

O que é o caso Epstein?

Epstein, que chegou a ser condenado pela Justiça americana por crimes sexuais, operou por anos um esquema de exploração de jovens e menores de idade. Fez isso enquanto manteve contatos com personalidades internacionais da política e da realeza e empresários, como o trilionário Elon Musk , o próprio presidente americano Donald Trump e o magnata Bill Gates.

Preso em 2019, o financista americano foi encontrado morto um mês depois em uma cela em Nova York. O caso, classificado como suicídio, alimentou especulações e teorias da conspiração. Algumas delas seriam que Epstein teria, a serviço da inteligência israelense ou russa, reunido material comprometedor sobre pessoas influentes a fim de chantageá-las.

ra (ots)

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