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Agricultura regenerativa ganha força em São Paulo com articulação de produtores e empresas

Iniciativa busca habilitar a Sociedade Rural Brasileira no programa SP Produz e integrar soluções para recuperação do solo, reaproveitamento de resíduos e redução de custos no campo

26 set 2026 - 10h02
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Resumo
A Sociedade Rural Brasileira articulou com produtores, empresas e entidades a criação da cadeia produtiva da agricultura regenerativa em São Paulo, vinculada ao programa SP Produz. A iniciativa visa captar recursos públicos para promover práticas sustentáveis, como conservação do solo, uso de bioinsumos e aproveitamento de resíduos. O grupo busca habilitar a entidade no governo estadual até o fim de outubro para viabilizar linhas de crédito e integrar diversos setores do agro paulista.

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou nesta quarta-feira uma reunião de trabalho  para discutir a criação de uma cadeia produtiva voltada à agricultura regenerativa no  estado de São Paulo. A proposta reúne a SRB, a PROJAPE e o GAAS - Grupo  Associado de Agricultura Sustentável, com a participação de produtores, empresas e  representantes de diferentes segmentos da cadeia agropecuária. 

O projeto pretende reunir diferentes elos e atores da cadeia produtiva
O projeto pretende reunir diferentes elos e atores da cadeia produtiva
Foto: Istock - Sansert Sangsakawrat / Perfil Brasil

A iniciativa está relacionada ao programa SP Produz, do Governo do Estado de São Paulo,  que reconhece e apoia cadeias produtivas locais. A intenção, neste primeiro momento, é  habilitar a Sociedade Rural Brasileira como entidade capaz de atuar na organização dessa  cadeia e, posteriormente, desenvolver projetos e buscar recursos públicos para iniciativas  relacionadas à agricultura regenerativa. 

Durante a reunião, os participantes destacaram que o conceito de agricultura regenerativa  amplia a discussão sobre sustentabilidade no campo. A proposta considera não apenas o  resultado econômico da produção, mas também a recuperação e a conservação do solo, a  utilização racional de insumos e a preservação dos recursos naturais.

Entre os pontos discutidos está a necessidade de reduzir a dependência de insumos  externos e ampliar o acesso do produtor a alternativas biológicas, orgânicas e outras  tecnologias capazes de contribuir para a regeneração do solo. A avaliação apresentada  durante o encontro é de que, à medida que a qualidade e a disponibilidade de nutrientes no  solo aumentam, pode haver redução da necessidade de reposição de determinados  insumos e, consequentemente, dos custos de produção. 

Outro tema foi o acesso ao crédito. Os participantes lembraram que, embora já existam  linhas de financiamento relacionadas a práticas regenerativas e insumos como pó de rocha,  ainda há desafios para que o produtor consiga financiar de maneira mais ampla sistemas  de produção baseados em soluções biológicas e regenerativas. 

O projeto pretende reunir diferentes elos e atores da cadeia produtiva: fornecedores de  insumos e serviços, produtores rurais, empresas de transformação industrial,  comercialização e distribuição, além de instituições de apoio, pesquisa, ensino e poder  público.

A reunião também abriu espaço para iniciativas ligadas à compostagem e ao  aproveitamento de resíduos orgânicos. Um dos exemplos apresentados foi o  desenvolvimento de pesquisas para utilização do aguapé, planta aquática que se prolifera  em determinados corpos d'água do estado de São Paulo e pode representar, segundo os  participantes, tanto um problema ambiental quanto uma fonte potencial de biomassa para  compostagem.

Empresas presentes ao encontro relataram pesquisas com diferentes fontes de matéria  orgânica e a busca por tecnologias capazes de transformar resíduos em insumos para a  agricultura. Também foram mencionadas pesquisas com algas marinhas e outras fontes  alternativas de nutrientes, dentro da perspectiva de ampliar as opções disponíveis ao  produtor brasileiro. 

A proposta prevê ainda a integração de produtores de diferentes culturas e regiões. Café,  macadâmia, cana-de-açúcar, eucalipto, alimentos e outras atividades podem fazer parte  dessa rede, seja como produtores, consumidores de insumos regenerativos, empresas de  transformação ou instituições de apoio. 

Segundo as informações apresentadas na reunião, o programa estadual trabalha com  diferentes níveis de maturidade das cadeias produtivas. A classificação considera critérios  como organização, participação dos atores, estrutura da cadeia, mercado e resultados. O  reconhecimento inicial não significa automaticamente a liberação de recursos: a  apresentação de projetos e o cumprimento de metas e resultados são etapas posteriores. 

Próximas etapas 

O primeiro desafio é cumprir a etapa de habilitação jurídica, prevista no edital entre 14 e  28 de setembro. A documentação será encaminhada à Secretaria de Desenvolvimento  Econômico do Estado de São Paulo.

A análise da documentação está prevista para ocorrer entre 29 de setembro e 13 de  outubro, com possibilidade de recurso. O resultado definitivo da habilitação está previsto  para 29 de outubro.

Na sequência, entre 30 de outubro e 10 de novembro, deverá ser apresentado o  planejamento estratégico de negócio, incluindo informações que permitam a classificação  do nível de maturidade da cadeia produtiva.

A reunião realizada nesta quarta-feira teve, portanto, caráter preparatório. A proposta é  realizar um novo encontro, em outubro, com maior participação dos integrantes da cadeia,  para avançar na organização do projeto e na documentação necessária. 

A agricultura regenerativa surge, assim, como uma nova frente de articulação entre  produtores, empresas, pesquisa e instituições públicas e privadas, com o objetivo de  desenvolver soluções que conciliem produtividade, redução de custos, conservação do  solo, aproveitamento de resíduos e sustentabilidade econômica e ambiental no  campo paulista.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Perfil Brasil.

Perfil Brasil
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