Acidente de Bearman no Japão levanta criticas à FIA
Oliver Bearman, piloto da Haas na Fórmula 1 2026, sofreu um acidente durante o Grande Prêmio do Japão que preocupou outros pilotos do grid e, mais uma vez, levantou questionamentos sobre o novo regulamento técnico da categoria. Em entrevistas pós-corrida, Max Verstappen, Carlos Sainz, Franco Colapinto e o atual campeão Lando Norris falaram sobre os riscos causados por desacelerações súbitas devido ao sistema de recuperação de energia.
Entre os atletas que expressaram sua preocupação com a situação, Sainz, que representa a Associação de Pilotos da F1 ao lado de George Russell, afirmou ter ficado surpreso com a decisão da FIA (Federação Internacional do Automobilismo) de limitar o nível de carga das baterias apenas na classificação em Suzuka.
"Temos sido muito claros ao afirmar que o problema não é apenas a classificação, mas também a corrida. Hoje tivemos sorte de haver uma área de escape. Agora, imagine Baku, Singapura ou Las Vegas", relatou o piloto da Williams. "Nós alertamos a FIA de que esses acidentes vão acontecer com frequência e precisamos mudar algo logo. Espero que isso sirva de exemplo e que ouçam mais os pilotos e menos as equipes e pessoas que disseram que estava tudo bem, porque não está tudo bem".
"Estou ansioso para ver o que a FOM (Formula One Management) e a FIA vão propor. Tenho esperança de que consigamos algo melhor para Miami, considerando que já vínhamos alertando sobre a possibilidade disso acontecer. Não estou muito satisfeito com o que temos visto até agora. Espero que encontremos uma solução melhor e uma forma mais segura de correr", acrescentou Sainz.
O que aconteceu no GP do Japão?
Durante a 22ª volta do GP do Japão neste domingo (30), Bearman estava em 18º lugar quando, na chegada à curva 13, realizou uma manobra para desviar de Franco Colapinto. Segundo a telemetria registrada pela Fórmula 1, o piloto argentino desacelerou bruscamente devido à falta de energia na unidade de potência, o que causou uma diferença de quase 100 km/h entre os dois.
Em busca de evitar um acidente, o piloto da Haas puxou para o canto da pista e passou pelo gramado. No processo, o monoposto destruiu duas placas e atravessou a pista até acertar a barreira macia do trecho. Bearman sofreu uma aceleração 50 vezes maior do que a força da gravidade (50G) durante a colisão.
Colapinto desacelerou para recarregar sua bateria elétrica. Em 2026, os monopostos da Fórmula 1 possuem um motor elétrico mais potente e presente nas corridas, que exige uma eventual recarga durante a corrida. De forma que os pilotos precisam implementar técnicas de direção para recuperar energia e recarregar suas baterias durante as voltas.
Essa exigência, no entanto, provoca o "superclipping": uma súbita perda de velocidade ainda sob aceleração, que ocorre porque o carro, sob recarga, passa a funcionar apenas com o motor a combustão.
Após o acidente, Bearman foi levado ao centro médico do Circuito de Suzuka, onde foi submetido a um raio-x. O jovem não sofreu nenhuma fratura, apenas uma contusão no joelho direito, e foi liberado pela equipe médica do local.
Pilotos comentam o acidente de Oliver Bearman
Max Verstappen, que já demonstrou sua infelicidade com o atual regulamento da Fórmula 1 em diversas ocasiões, também reagiu ao acidente. O piloto holandês alertou para o risco de graves acidentes devido ao 'superclipping'.
"É isso que acontece com esses carros. Um fica praticamente sem potência, enquanto o outro está usando o modo "cogumelo". Aí, rapidamente, você tem uma diferença de 50 a 60 quilômetros por hora. Isso é muita coisa. Às vezes pode parecer que o problema está na frenagem ou na mudança de trajetória, mas também acontece na aceleração. Isso pode acabar em acidentes graves", explicou Verstappen.
"Quando se trata de segurança, é mais fácil pedir mudanças. Então, talvez devêssemos usar essa palavra para finalmente implementar algumas mudanças", concluiu o piloto.
Lando Norris, atual campeão mundial, não comentou muito sobre o assunto. O piloto, que já reclamou sobre o regulamento em entrevistas passadas, ironizou a justificativa de que o atual sistema de recuperação de energia será mantido por entreter o público.
"Não adianta dizer (o que eu acho), sinceramente, não importa o que a gente fala. Contanto que os fãs continuem gostando, isso é tudo que importa", afirmou o piloto da McLaren à "Viaplay".
O pronunciamento de Bearman e Colapinto
Após sua liberação do centro médico, Oliver Bearman gravou um vídeo para as redes sociais da Haas tranquilizando os fãs. O piloto também aproveitou para opinar sobre o assunto:
"Foi um grande excesso de velocidade. Isso faz parte dessas novas regras às quais acho que temos que nos acostumar, mas também senti que não me deram muito espaço. É algo sobre o qual conversamos na sexta-feira com pilotos e comissários, que precisamos ser um pouco mais tolerantes e mais preparados", disse Bearman. "Alertamos a FIA sobre o que pode acontecer, e este foi um resultado realmente infeliz de uma enorme diferença de velocidade que nunca vimos antes na F1 até a entrada dessas novas regras".
Franco Colapinto seguiu a mesma linha que seus rivais e deu detalhes sobre a diferença de velocidade entre dois carros na pista e os riscos que essa possibilidade oferece aos pilotos: "É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida. Mesmo girando, ele (Bearman) me ultrapassou, então imagine a diferença de velocidade. Em alguns momentos, é realmente perigoso. Fico feliz que ele esteja bem. São coisas que estão acontecendo com esses carros. Só precisamos entender como tornar isso um problema um tanto menor", afirmou.
A FIA já havia definido que o regulamento passaria por revisões após o GP da China, no entanto, após o acidente de Bearman, a entidade publicou um comunicado relembrando que reuniões já foram marcadas ao longo do próximo mês para discutir as novas regras.
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