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Dólar fecha quase estável no Brasil com guerra no Oriente Médio no foco

30 mar 2026 - 17h31
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O dólar fechou a ‌segunda-feira praticamente estável ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas de emergentes, em meio à continuação da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

O dólar à vista fechou em alta de 0,13%, aos R$5,2461. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,43%.

Às ⁠17h19, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,12% ‌na B3, aos R$5,2485.

As atenções dos investidores nesta segunda-feira seguiram voltadas principalmente para o exterior. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações ‌para encerrar o conflito, mas reiterou aviso para que ‌o Irã abra o Estreito de Ormuz, sob pena de sofrer ataques a ⁠seus poços de petróleo e suas usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao país.

Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como "irrealistas, ilógicas e excessivas" e lançou mais mísseis contra Israel.

Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir, aproximando-se dos US$114 o barril durante a tarde, ‌e o dólar sustentou ganhos ante divisas de emergentes como o peso chileno e o ‌rand sul-africano.

Em relação ao real, ⁠porém, o movimento foi ⁠mais acomodado durante a maior parte do dia, com o dólar variando entre a cotação mínima ⁠de R$5,2265 (-0,24%) às 9h59 e a máxima de ‌R$5,2679 (+0,55%) às 16h27, para depois ‌se reaproximar da estabilidade.

Segundo Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, o real está "bem-posicionado em relação a outras moedas, visto que temos grandes empresas (com peso alto no Ibovespa) que se beneficiam da alta de commodities, bem como nosso juro ⁠real acima da média do mercado global".

Sobre este ponto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou pela manhã que os choques de oferta, como o observado neste momento com o conflito no Irã, provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo. No entanto, ele defendeu ‌que a instituição tenha cautela ao incorporar o impacto da guerra a seus cenários.

"O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que ⁠a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária", disse.

Atualmente, o mercado está dividido sobre o que o BC anunciará em abril: novo corte de 25 pontos-base da Selic, manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano ou redução de 50 pontos-base.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.

No exterior, às 17h12 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,20%, a 100,510.

(Edição de Isabel Versiani)

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