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A rede que ajuda o Irã a resistir às sanções dos EUA

4 set 2026 - 13h06
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Resumo
Para driblar sanções dos EUA contra seu petróleo e economia, o Irã recorre a criptomoedas e a uma rede histórica de empresários influentes. O caso central envolve o bilionário Babak Zanjani, que vendeu bilhões em óleo no mercado negro, foi condenado à morte por corrupção em 2016 e, após libertado, voltou aos negócios estratégicos com apoio do regime. Embora Washington aperte o cerco contra esses operadores paralelos, Teerã insiste em especialistas experientes para resistir à pressão econômica.

Empresários, intermediários e empresas formam estruturas que há décadas auxiliam Teerã a manter o comércio de petróleo e driblar sanções internacionais.Com suas sanções mais duras até hoje, os Estados Unidos, sob o presidente Donald Trump, tentam forçar a liderança iraniana a ceder. As medidas, descritas como um "Dia D Econômico", buscam alcançar o que a pressão militar não tem conseguido alcançar desde fevereiro.

Além de atingir fontes centrais de receita e comércio do Irã, incluindo petróleo, bancos, ouro, transporte marítimo, aviação e determinados setores de tecnologia, as autoridades dos EUA estão voltando cada vez mais sua atenção para as criptomoedas. Moedas digitais como o Bitcoin funcionam fora do sistema bancário tradicional e da ordem financeira baseada no dólar. O Irã aparentemente as utiliza para transferências de dinheiro, operações comerciais e, cada vez mais, também para transações relacionadas ao petróleo.

O Irã também parece estar avaliando as criptomoedas como uma forma de garantir entregas de petróleo através do Estreito de Ormuz. Segundo a agência de notícias Fars, próxima à Guarda Revolucionária do Irã, a proposta partiu de Babak Zanjani. O bilionário de 53 anos foi libertado da prisão no ano passado e continua sendo uma das figuras mais conhecidas de uma rede que cresceu ao longo de décadas e ajudou o Irã a contornar sanções internacionais.

Uma rede de poder, dinheiro e proteção

Pessoas dentro dessas redes contam com apoio e proteção de atores influentes dentro da República Islâmica. Em troca, supostamente repassam parte de seus lucros a apoiadores poderosos dentro do sistema.

"Babak Zanjani faz parte de uma elite econômica com ideias inovadoras. No passado, ele demonstrou repetidamente suas capacidades", afirma Behzad Ahmadinia, jornalista especializado nos setores de petróleo e energia, nascido no Irã e atualmente baseado no Chipre.

"Parece que o regime decidiu superar rivalidades internas e se apoiar em profissionais e especialistas que podem trabalhar de forma mais eficiente do que outros e assumir posições importantes."

A corrupção e a falta de transparência são consideradas problemas estruturais do sistema político e econômico iraniano. No Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International de 2025, o Irã ocupou a 153ª posição entre 182 países. Isso indica um nível muito elevado de corrupção no setor público.

Segundo relatos, Zanjani controlava um império empresarial de cerca de 60 empresas, incluindo companhias na Malásia, no Tadjiquistão, na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos. Muitas dessas empresas foram posteriormente alvo de sanções dos EUA. Por meio dessa rede, Zanjani teria vendido bilhões de barris de petróleo iraniano no mercado negro durante a presidência de Mahmoud Ahmadinejad e, ao mesmo tempo, importado diversos produtos para o Irã, incluindo aeronaves.

Da condenação à morte ao retorno aos negócios

Em 2016, porém, Zanjani acabou envolvido nas disputas internas de poder do Irã. As autoridades o acusaram de não devolver ao Estado iraniano cerca de 2,6 bilhões de dólares em receitas provenientes do petróleo. Após um julgamento amplamente divulgado, considerado um dos maiores casos de corrupção da história do país, ele foi condenado à morte. Durante anos, negou as acusações relacionadas ao dinheiro desaparecido e negociou com as autoridades iranianas.

Um ator importante nessa rede era o empresário turco-iraniano Reza Zarrab. Ele foi preso em 2016 durante férias nos Estados Unidos. Foi acusado de lavagem de dinheiro e de violar as sanções americanas contra o Irã. Na Turquia, Zarrab havia construído uma extensa rede de negócios e possuía conhecimento detalhado sobre os mecanismos financeiros e econômicos utilizados pelo Irã para driblar sanções.

Casos como o dele forneceram às autoridades americanas informações valiosas sobre o funcionamento das redes iranianas de evasão de sanções e permitiram que Washington direcionasse melhor suas ações contra elas. Posteriormente, Zarrab cooperou com os investigadores dos EUA e foi libertado. Segundo relatos, atualmente vive sob uma nova identidade nos Estados Unidos.

"Pessoas como Zarrab ou Zanjani são promovidas dentro do sistema e mantêm conexões com diferentes centros de poder", afirma à DW o economista Jamshid Assadi, que vive na França.

Segundo relatos, a ascensão de Zanjani começou há cerca de 30 anos, durante o serviço militar. Na época, ele teria trabalhado como motorista do governador do Banco Central do Irã. Essa posição lhe teria garantido acesso a círculos influentes e contatos comerciais importantes. Quanto dinheiro realmente circulou por sua rede e suas empresas, e quanto ele ganhou pessoalmente, continua sendo desconhecido até hoje.

Em fevereiro de 2024, a imprensa iraniana informou que ativos ligados a Zanjani foram repatriados do exterior para o Irã. Segundo as notícias, seu patrimônio já ultrapassava o valor de suas dívidas pendentes. Em 2025, ele foi libertado da prisão e, pouco depois, retornou ao mundo dos negócios. Por meio de uma de suas empresas, assinou um contrato avaliado em vários bilhões de dólares com a companhia ferroviária estatal iraniana.

Ao mesmo tempo, Zanjani tenta redefinir sua imagem. Em uma carta aberta a Elon Musk, ofereceu sua empresa como uma ponte para a cooperação econômica entre o Irã e os Estados Unidos. Hoje, apresenta-se como empresário, intermediário e defensor do diálogo.

Depois que os Estados Unidos voltaram a incluir Zanjani em sua lista de sanções em janeiro de 2026, ampliaram as medidas em julho para uma rede maior de empresas e parceiros comerciais ligados a ele. Apenas um dia antes do anúncio das novas sanções, Zanjani inaugurou um café e uma confeitaria na zona oeste de Teerã e participou da cerimônia de abertura. As autoridades fecharam o estabelecimento já no dia seguinte.

A questão decisiva, porém, é se as sanções mais recentes dos EUA realmente conseguem atingir as redes que sustentam a economia paralela iraniana. Na avaliação de Jamshid Assadi, muitos dos métodos tradicionais de contornar sanções já são conhecidos e estão se tornando cada vez mais difíceis de utilizar para Teerã. Os Estados Unidos alertaram diversos países de que empresas, bancos e atores do setor privado poderão ser sancionados caso auxiliem o Irã a driblar as restrições.

Ao mesmo tempo, o Irã aprendeu, ao longo de décadas, a se adaptar à pressão econômica e a encontrar novos caminhos. Por isso, permanece em aberto se as medidas mais recentes de Washington conseguirão enfraquecer significativamente essas redes. O retorno de Babak Zanjani, entretanto, mostra que Teerã aparentemente volta a apostar nos empresários que já ajudaram o país, em fases anteriores de isolamento econômico, a resistir à pressão internacional.

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