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‘Investigar todo mundo sem blindagem’: candidatos à Presidência reagem a crise no STF

Candidatos criticaram Moraes e falaram sobre denúncia envolvendo Vorcaro e outras autoridades; eles cobram impeachment e investigação

4 set 2026 - 13h06
(atualizado às 13h10)
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Resumo
Candidatos à Presidência reagiram às denúncias contra o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes com críticas ao STF, pedidos de impeachment e apelos por investigações rígidas, transformando o caso em tema central do debate eleitoral.
Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes
Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes
Foto: Antonio Augusto/STF

As denúncias e suspeitas que envolvem o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades so Supremo Tribunal Federal (STF) viraram assunto no debate eleitoral a cerca de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais. Entre os candidatos à Presidência, as manifestações vão de pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes, André Mendonça e críticas contundentes ao STF até cobranças por investigações rigorosas.

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Alexandre de Moraes é um dos principais alvos das críticas dos candidatos. As acusações divulgadas publicamente nesta semana levantaram questionamentos sobre a relação do ministro com o grupo ligado ao Banco Master e sobre a atuação de seu entorno.

‘Nenhuma autoridade está acima da Constituição’, diz Fachin em meio à ‘crise Master’ no STF:

Alguns candidatos fazem acusações contra autoridades do STF e do governo, no entanto, o caso ainda está em apuração. Os órgãos oficiais e relatórios da PF ressaltam que os elementos levantados até agora configuram indícios ou suspeitas, mas não há condenação nem conclusão técnica de que Moraes tenha cometido crime ou interferido em investigações.

Veja o que disseram os candidatos:

Clariana Barão

A candidata adotou um tom crítico ao ministro Alexandre de Moraes. Em uma entrevista no formato “bate-bola”, ao ser desafiada a definir Moraes em uma única palavra, respondeu: “corrupto”. Questionada sobre um eventual impeachment de ministros do STF, declarou ser “favorável” e afirmou que gostaria que a medida ocorresse “agora, para ontem”.

Em outra entrevista, ao programa de rádio VIP News, Clariana voltou a criticar a atuação do Supremo e levantou a hipótese de que Moraes estaria sendo colocado como uma espécie de alvo para preservar outros atores políticos. “Essa situação do ministro Alexandre Moraes é absurda e eu acho até que tem um viés eleitoreiro nisso”, afirmou.

Ela também pediu a responsabilização de autoridades pelas possíveis irregularidades. “Eu tenho pra mim que o Lula prefere rifar o Alexandre Moraes pra dizer que ele está atendendo uma parcela da população que está contrariada com o STF, então e sou favorável que cada pessoa nesse país responda pelos seus atos, incluindo os ministros que muitas vezes pensam que são Deus, mas não são”.

Augusto Cury

Cury também abordou o caso nas redes sociais, mas sem apresentar uma manifestação explícita sobre as denúncias. Em um vídeo publicado em seu perfil, Cury utilizou imagens geradas por inteligência artificial (IA) de celulares com notificações que fazem referência ao Banco Master. A publicação faz alusão à relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e adota um tom de provocação em relação ao episódio.

Flávio Bolsonaro

Flávio foi um dos candidatos que fizeram as críticas mais contundentes a Alexandre de Moraes. Em publicação nas redes sociais, defendeu que um processo de impeachment contra o ministro seja iniciado imediatamente.

“Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado, imediatamente iniciado. Hoje, de ofício, bota agora em votação aqui no plenário. É inaceitável a gente continuar aceitando esse tipo de coisa no nosso Brasil”, falou em vídeo.

O candidato afirmou que Moraes deveria ter direito de defesa e devido processo legal e comparou a situação com o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio também fez uma série de acusações relacionadas à suposta atuação de Moraes em favor de Daniel Vorcaro e do Banco Master.

Hertz Dias

O candidato classificou o episódio envolvendo o Banco Master como uma relação “promíscua” entre diferentes setores do poder público e da iniciativa privada. “O escritório de advocacia do Alexandre de Moraes, a relação dele com o Grupo Master não era uma relação só técnica e jurídica, era uma relação promíscua, era uma relação de quadrilheiros”.

Dias também citou as relações atribuídas a Daniel Vorcaro com outros nomes da política e afirmou que o caso envolve integrantes dos três Poderes. “Está envolvido o Executivo, quase todos os partidos, o Legislativo e o Judiciário”.

Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente e candidato à reeleição adotou uma posição diferente dos candidatos que defendem diretamente o afastamento de Moraes. Em publicação nas redes sociais, classificou o escândalo envolvendo o Banco Master como “o maior roubo da história do Brasil” e defendeu que as suspeitas sejam investigadas.

Lula também afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado por ele como líder do esquema, mantinha relações com pessoas poderosas e destacou que foi durante seu governo que ele foi preso e o banco fechado.

Lula defendeu que o presidente do STF e a Procuradoria-Geral da República conduzam um processo capaz de preservar a confiança nas investigações. “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.

Renan Santos

Renan direcionou críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, ao comentar o caso do STF. Em vídeo, afirmou que os três candidatos teriam algum tipo de relação com o episódio, embora em diferentes circunstâncias.

Ao falar sobre Lula, disse que o presidente estaria “envolvido até o pescoço” e o acusou de defender Moraes e de atuar no Senado em favor do ministro. Sobre Flávio Bolsonaro, Renan citou notícias sobre pagamentos feitos por Daniel Vorcaro e voltou a mencionar valores relacionados à produção do filme Mequetrefe. Já em relação a Augusto Cury, questionou sua relação com empresas e instituições financeiras mencionadas no contexto do caso.

Renan também se apresentou como candidato sem ligação com o escândalo e afirmou que seu grupo havia organizado manifestações contra os envolvidos.

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado também utilizou o episódio para criticar integrantes dos três Poderes. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que uma “banda podre” estaria corroendo o país e disse que as denúncias envolvendo o Supremo se somam a problemas no Executivo e no Congresso.

“A banda podre que comanda o país há 20 anos está corroendo o Brasil por dentro. E agora essa denúncia gravíssima está restritora na Suprema Corte”, disse. Caiado questionou os contratos e as relações que vieram a público e cobrou explicações de diferentes autoridades.

“Nós temos direito a explicações. Lula e Flávio não vão dar essas respostas. Eles também têm que se explicar”. O candidato encerrou a manifestação afirmando que o eleitor deve conhecer sua trajetória e decidir nas urnas.

Rui Costa Pimenta

Rui Costa Pimenta fez uma série de publicações nas redes sociais criticando Alexandre de Moraes e o STF. Em uma delas, questionou o impacto que as denúncias poderiam ter sobre a permanência do ministro na Corte: “Neste momento, a grande questão é: o estrago será maior com Moraes saindo do STF ou ficando?”.

Em outra publicação, o candidato afirmou que as denúncias teriam provocado uma crise política no Supremo e atacou a relação atribuída entre integrantes da Corte e Daniel Vorcaro. Pimenta também afirmou que, na avaliação dele, o problema ultrapassa a esfera jurídica e se tornou essencialmente político.

“O problema é integralmente político. A autoridade de Alexandre de Morais, do STF, do ministério público entrou em colapso irremediável”, criticou, além de defender o impeachment de Moraes.

Romeu Zema

Romeu Zema também fez críticas duras ao STF e defendeu o afastamento e a punição de autoridades caso sejam comprovadas irregularidades. Ao comentar o caso, o governador afirmou que ministros da Suprema Corte e outras autoridades estariam envolvidos com Daniel Vorcaro e questionou a ausência de consequências.

“Em qualquer país que tem um mínimo de seriedade, no mínimo teriam sido afastados. Deveriam ir para a cadeia, porque tiveram ganhos financeiros expressivos”, falou em vídeo. Zema também criticou o procurador-geral da República e afirmou que haveria conflito de interesses na condução das investigações.

O candidato defendeu uma investigação ampla do caso, cobrando um posicionamento do presidente Lula, que é seu adversário na disputa eleitoral.

Candidatos que não se manifestaram

Até o momento do levantamento, Edmilson Costa, Pablo Marçal, Samara Martins e Veterinário Wilson Grassi não haviam se manifestado publicamente sobre a crise no STF e as denúncias relacionadas ao Banco Master.

Fonte: Portal Terra
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