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A "caneta da vez" deve ser a consciência

É fundamental reforçar: todo procedimento ou medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum garante a manutenção do peso a longo prazo

25 mar 2026 - 18h12
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A passagem do Dia Mundial da Obesidade, traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de 50% apresentam excesso de peso. Não se trata de uma questão estética, mas de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

Usar canetas emagrecedoras apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro
Usar canetas emagrecedoras apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro
Foto: Unsplash / Perfil Brasil

Nesse cenário, a chamada "caneta emagrecedora" ganhou destaque. Medicamentos como os análogos de GLP-1 e a tirzepatida atuam no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a resposta metabólica à glicose. São ferramentas modernas e eficazes, mas não são mágicas e nem indicadas para todos.

Essas medicações têm critérios claros de indicação: geralmente para pessoas com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² associadas a comorbidades, sempre com avaliação médica. Usar a caneta emagrecedora apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro. Náuseas, vômitos, desidratação e alterações metabólicas são efeitos possíveis. Mais grave ainda é o risco de medicamentos falsificados. Produtos sem controle de qualidade podem conter doses incorretas, contaminantes ou substâncias desconhecidas, levando a reações alérgicas severas, infecções, hipoglicemia, coma e até risco de morte.

É fundamental reforçar: todo procedimento ou medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum garante a manutenção do peso a longo prazo. Nem mesmo a cirurgia bariátrica impede o reganho se não houver mudança consistente no estilo de vida. O tratamento da obesidade se sustenta em um tripé: atividade física regular (mínimo de 150 minutos por semana), acompanhamento nutricional individualizado e seguimento médico contínuo, com ou sem medicamentos ou cirurgia.

Há ainda um pilar muitas vezes negligenciado: a saúde mental. Comer envolve emoções, rotina, estresse e relações. Sem cuidar da mente, qualquer intervenção tende a ser temporária.

No meu livro Mente e Movimento, abordo justamente essa conexão entre corpo, exaustão emocional e escolhas diárias. A obesidade não é falta de força de vontade; é um reflexo de múltiplos fatores biológicos, sociais e psicológicos. Informação de qualidade, acompanhamento responsável e mudança de mentalidade são caminhos mais seguros do que soluções rápidas.

*Por Marcelo Rocha Nasser Hissa - médico endocrinologista, mestre e doutor em Cirurgia e autor do livro "Mente e Movimento"

Perfil Brasil
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