"Proibir crianças e adolescentes na Parada LGBT é negar nossas famílias"
Em entrevista exclusiva ao blog Vencer Limites (Estadão), Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, fala sobre o prejuízo que retrocessos geram na economia, a criminalização e a punição à homofobia, além das previsões para as eleições deste ano e uma possível ampliação de bancadas conservadoras no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais. A expectativa oficial de público para a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo neste domingo, 7/6, é de 2 milhõ
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"Nossas famílias, incluindo nossas crianças e adolescentes, fazem parte da Parada desde o primeiro momento. Proibir a presença delas é uma forma de negar nossas famílias, que alguns dizem defender acima de tudo", afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.
A Câmara de São Paulo aprovou no último dia 20 de maio o Projeto de Lei n° 65/2026, do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos e particulares. O prefeito Ricardo Nunes ainda não decidiu pela sanção ou veto ao PL, mas se entrar em vigor, essa nova lei municipal já pode atingir diretamente a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, neste domingo, 7/6, com público previsto de 2 milhões de pessoas.
"Há quem acredite que dinheiro não tem ideologia. Esse tipo de proposição mostra que as ideologias falam mais alto, até mesmo que o respeito à dignidade das pessoas. Promover direitos de pessoas LGBTI+, por meio da Parada, significou a inserção de mais de R$ 500 milhões na cidade de São Paulo. Veja que o respeito a todas as pessoas ou o desenvolvimento econômico, social, cultura e político da cidade não têm valor quando vemos esse tipo de proposição", diz Bulgarelli.
Ele destaca a pesquisa lançada pelo Banco Mundial no mês passado, que estima perdas de R$ 94,4 bilhões por ano com a exclusão de pessoas LGBTI+ do mercado de trabalho brasileiro, o equivalente a 0,8% do PIB nacional. "Ainda temos um prejuízo de R$ 14 bilhões em arrecadação pelo Estado, segundo o mesmo estudo", comenta.
Para Reinaldo Bulgarelli, os direitos humanos são indivisíveis e quando se ataca um direito, ele é negado em diferentes dimensões da vida das pessoas, da família ao emprego, da escola à convivência comunitária. "Por isso, o meio empresarial, prejudicado pela discriminação de qualquer segmento da população, deveria ser mais atuante na promoção dos direitos humanos".
'Bê-a-bá' da inclusão - Embora temáticas da diversidade façam parte do dia a dia das corporações há bastante tempo e iniciativas como o próprio Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e a REIS (Rede Empresarial de Inclusão Social) reúnam dezenas de companhias comprometidas com práticas inclusivas, ainda é necessário ensinar temas básicos da diversidade, por exemplo, os benefícios para o negócio, reforçando a percepção de que sequer conseguimos superar o 'bê-a-bá' da inclusão.
Reinaldo Bulgarelli entende que o investimento nesse 'bê-a-bá' é uma reação à presença de mais reacionários no poder. "Nunca colocamos o argumento do ganho financeiro na frente. Ele é óbvio e demonstrado de muitas maneiras, em muitos estudos, há um bom tempo. A LGBTI+fobia fala mais alto e precisa ser enfrentada, como estamos fazendo no País, criminalizando, punindo e, em paralelo, educando permanentemente para o valor da diversidade sexual e de gênero. A educação e a comunicação contribuem para gerar sentido e significado à ideia de que 'todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos', como está na Declaração Universal dos Direitos Humanos".
Documento
Manifesto - Empresas em Defesade da Diversidade e da Inclusão - Fórum LGBTI+Documento
Parada SP 2026 divulga tema oficial e manifesto pelos 30 anos de mobilizaçãoAs pautas progressistas estão ameaçadas? - Estamos há quatro meses do primeiro turno das eleições deste ano e há previsões de fortalecimento das bancadas conservadoras no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais, o que deve gerar mais ataques a temas progressistas, especialmente do universo LGBTQIAPN+. "Seja de direita ou esquerda, defendemos que o respeito a todas as pessoas é algo básico, estruturante da sociedade. O contrário disso é barbárie. Ser progressista, neste caso, é garantir o respeito a todas as pessoas, incluindo as pessoas LGBTI+, nossas famílias e nossos filhos", defende Bulgarelli.
"A mobilização política de pessoas LGBTI+ e aliadas é o tema da Parada deste ano (A rua convoca, a urna confirma). É uma frente de resistência a este movimento reacionário que nega direitos e promove violências de todo tipo. Essa discussão sobre promoção dos direitos LGBTI+, como fazemos no meio empresarial, por meio do Fórum, também precisa se expressar nas urnas, com cidadãos e cidadãs que escolhem em qual país querem viver", conclui o secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.
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