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O Afropunk Brasil traz em seu line-up ainda mais cultura negra brasileira

O evento foi alvo de críticas de alguns desavisados que só conseguem pensar em cultura negra estadunidense

31 mai 2024 - 15h39
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Resumo
O festival Afropunk, que celebra 20 anos de história, ocorrerá na cidade de Salvador no mês de novembro. O evento foi alvo de várias críticas, pois a grade de programação exclui artistas estrangeiros e valoriza a cultura negra brasileira.
Silvanno Salles é uma das atraçoes confirmadas no Afropunk
Silvanno Salles é uma das atraçoes confirmadas no Afropunk
Foto: Reprodução/Instagram/silvannosalles

Pelo quarto ano consecutivo, o festival Afropunk, que comemora 20 anos de história, será na cidade de Salvador. O evento liberou a grade de programação do festival, com previsão para acontecer no mês de novembro. Muitos estranharam a falta de cantores estrangeiros, algo comum em anos anteriores, além de várias críticas veladas a outros cantores que fogem desse ideal americanizado de cultura negra.

Todo ocidente é constantemente bombardeado por cultura estadunidense, seja na política, cinema, costumes, e na música não é nada diferente. É corriqueiro vermos em determinados nichos uma grande quantidade de pessoas falando sobre o funk estadunidense com orgulho da cultura negra, enquanto menospreza o funk carioca. Vemos também pessoas que entendem a importância da música gospel negra dos EUA, enquanto ignora personalidades negras brasileiras com destaque similar. Esse tipo de conduta é recorrente e acontece muito mais do que a maioria de nós imagina.

Eu amo MPB, tá? Sou fã de nomes como Gil, Djavan, Emílio Santiago, Caetano e Chico. Contudo, acredito muito que a música popular brasileira é o samba, e acredito também que quando pensar de maneira mais regionalizada, a música popular brasileira pode ser o arrocha, pode ser o piseiro, o tecnobrega e qualquer tipo de produção cultural expressa pelo povo dessa nação.

A gente vê cultura no que é exportado, por ter sido bombardeado pelo ideal de "bom" do que é de fora, enquanto mitigamos o que é produzido no nosso país. Gostando ou não é a produção do povo brasileiro.

Uma das coisas que me fez escrever sobre isso foi ver como essa galera que idolatra a cultura negra americana fez pouco caso da lenda do arrocha Silvanno Salles, anunciado no line-up do Afropunk. 

Esse nome, junto com a falta de gringo, foi o que mais cutucou uma galera, sobretudo quem desconhece sobre cultura negra brasileira. Eu poderia até falar que ele é um cara negro e PcD, no corre há anos, mas nem vou chegar aí. Até porque a colaboração de Silvanno, outros nomes como Nara Costa, Novo Ton, entre outras bandas antigas de arrocha, pavimentaram o caminho para que hoje houvesse Pablo e aqueles sertanejos misturados com arrocha. Isso é uma coisa que ninguém fala e pouco se dissemina sobre.

O que estou querendo dizer é: tudo bem quem ache que o Afropunk deveria trazer artista estadunidense, porque é um festival que nasceu lá, etc. Mas, também não podemos esquecer que a regionalidade também faz parte da construção de qualquer evento. E o que o Brasil mais tem é cultura negra, com zero necessidade de importar qualquer coisa.

Samba é negro, axé é negro, pagode é negro, partido alto é negro e vários outros estilos de música são originados em cultura negra.

E nem vou falar em retorno financeiro do evento ou da importância de termos um festival que contempla nossa raça. Meu foco aqui é meio que decolonial. Podemos, sim, olhar, consumir e admirar o que rola lá fora, mas sem menosprezar e mitigar a cultura negra brasileira.

Não tenham dúvida, se caso toda essa produção cultural negra brasileira fosse produzida em uma país como o Estados Unidos, hoje teríamos metade o line-up do Afropunk tocando no mundo todo e em grande escala.

Os sertanejos negros que foram apagados pela história Os sertanejos negros que foram apagados pela história

Fonte: Luã Andrade Luã Andrade é criador de conteúdo digital na página do Instagram @escurecendofatos. Formado em comunicação social e membro da APNB. Luã discute questões étnico raciais há dez anos e acredita que o racismo deva ser debatido em todas as esferas da sociedade.
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