O que se sabe sobre caso de mulher esquartejada encontrada em mala no RS
Suspeito e vítima tinham relacionamento há seis meses, segundo a polícia
A polícia segue investigando a morte de Brasília Costa, de 65 anos, que foi morta e esquartejada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Partes do corpo foram encontradas em diferentes pontos da cidade. A motivação do crime teria sido financeira. O namorado da vítima está preso como principal suspeito.
A polícia segue investigando a morte de Brasília Costa, de 65 anos, que foi morta e esquartejada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Partes do corpo foram encontradas em diferentes pontos da cidade, inclusive dentro de uma mala deixada na rodoviária.
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O principal suspeito do crime, Ricardo Jardim, era namorado de Brasília, e foi preso. A polícia agora investiga a motivação do crime e tenta encontrar outras partes do corpo da vítima. A seguir, veja o que se sabe sobre o caso.
O que aconteceu?
Brasília Costa, de 65 anos, foi morta e esquartejada em Porto Alegre. Partes do corpo foram espalhadas por diferentes pontos da cidade. O tronco foi encontrado dentro de uma mala deixada na rodoviária da capital gaúcha no dia 13 de agosto. Dias depois, outras partes foram localizadas em uma sacola no bairro Santo Antônio. No dia 6 de setembro, uma perna foi encontrada na orla da praia de Ipanema, na zona sul de Porto Alegre.
A cabeça da vítima ainda não foi encontrada, e a Polícia Civil segue as buscas para concluir a identificação formal e determinar a causa da morte.
Quem era a vítima?
Brasília Costa, conhecida como Bia, nasceu em Arroio Grande, cresceu em Jaguarão e vivia em Porto Alegre. Era manicure, não tinha filhos e, segundo familiares e amigos, era reservada, mas querida e com espírito livre.
Quem é o suspeito?
O principal suspeito do crime é Ricardo Jardim, de 66 anos, publicitário e então namorado da vítima. Ele foi preso em 5 de setembro.
Ricardo é classificado pela Polícia Civil do RS como um homem de “perfil psicopata”. Os investigadores destacam que ele é educado, frio e altamente inteligente, além de apresentar notável habilidade com computadores. O delegado Mario Souza, diretor do Departamento de Homicídios, afirmou em entrevista coletiva que o suspeito também demonstrava domínio em técnicas de corte, devido à forma como a vítima foi esquartejada.
Este não é o primeiro crime violento atribuído a Ricardo. Em 2015, ele matou a própria mãe e ocultou o corpo em concreto. Condenado a 28 anos de prisão em 2018, cumpriu parte da pena em regime fechado, mas progrediu ao semiaberto em janeiro de 2024.
Por falta de tornozeleiras eletrônicas, foi transferido para a prisão domiciliar. Em abril do mesmo ano, deixou de se apresentar às autoridades e foi declarado foragido. O mandado de prisão que determinava seu retorno ao regime fechado só foi expedido em fevereiro de 2025.
Como eles se conheceram?
A polícia trabalha com algumas versões sobre como os dois se conheceram e começaram o relacionamento. Inicialmente, os dois teriam se conhecido em uma pousada. Também é investigado se os dois haviam se conhecido pela internet, e depois se conheceram pessoalmente.
Segundo a investigação, Ricardo utilizava perfis falsos em redes sociais, criados com o auxílio de inteligência artificial. A página apresentava imagens de um jovem na casa dos 20 anos, praticante de esportes radicais, e tinham como objetivo atrair mulheres. A polícia ainda apura se a vítima foi abordada por meio desses perfis ou se a aproximação ocorreu de outra forma.
Há ainda a hipótese de que Brasília e Ricardo teriam se conhecido em um abrigo durante a enchente de 2024 em Porto Alegre e, a partir dali, iniciaram uma relação.
Há quanto tempo estavam juntos?
O casal mantinha o relacionamento há cerca de seis meses, embora familiares relatem que houve uma separação em outubro de 2024, seguida de reconciliação meses depois. Pessoas próximas da vítima afirmaram às autoridades que Brasília evitava apresentar Ricardo para a família e amigos, e evitava falar sobre ele.
Quando aconteceu o crime?
A polícia acredita que o assassinato ocorreu no início de agosto, pouco antes do desaparecimento da vítima ser notado pela família.
Como ele acobertou a morte?
Segundo a investigação, Ricardo usou o celular da vítima para enviar mensagens à família, simulando que Brasília estava viva e viajando com ele.
Em uma das trocas de mensagens, ele chegou a enviar fotos que teriam sido tiradas em João Pessoa, na Paraíba, tentando sustentar a versão de que o casal estava no Nordeste. Ele também utilizou cartões bancários dela para saques.
Onde as partes do corpo foram encontradas?
O tronco foi abandonado em uma mala na rodoviária de Porto Alegre no dia 13 de agosto. Outras partes foram achadas em uma sacola no bairro Santo Antônio. A cabeça ainda não foi localizada.
Prisão
Ricardo Jardim foi preso pela Polícia Civil no dia 5 de setembro. Segundo os investigadores, ele é apontado como o autor do homicídio e já está no sistema prisional.
Motivação do crime
A principal linha de investigação é de que o crime teve motivação financeira. Ricardo teria se apropriado de cartões e dinheiro da vítima antes e depois do assassinato.
O que ainda falta ser esclarecido?
Apesar da prisão do suspeito, algumas questões seguem em aberto:
- A cabeça da vítima ainda não foi localizada, o que é fundamental para a conclusão do laudo de causa da morte e identificação da vítima.
- A dinâmica exata do crime ainda não foi confirmada. A polícia busca entender em que circunstâncias a vítima foi morta e como ocorreu o esquartejamento.
- As mensagens enviadas à família serão analisadas pela perícia, para confirmar se foram redigidas pelo suspeito.
- Movimentações financeiras e digitais também estão sob investigação, já que Ricardo teria usado cartões e o celular de Brasília após a morte.
A Polícia Civil continua a apuração para reunir provas que possam levar ao julgamento do caso.