O ódio resiste até a última fibra, mas a representatividade avança e ganha força
Nas discussões sobre preconceito e discriminação, é fundamental a presença cada vez maior de gente que vivencia todo dia misoginia, capacitismo, racismo, homofobia e transfobia. Temos hoje, felizmente, mulheres, pessoas com deficiência, gente negra e lideranças LGBT ocupando espaços essenciais, com propriedade intelectual, formação profunda e abrangente, como vozes principais, referências para quebrar narrativas falsificadas e abrir novas frentes de informação e conhecimento. Não é surpresa a re
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Os ataques ao Projeto de Lei n° 896/2023, que inclui a misoginia entre os crimes previstos na Lei do Racismo (n° 7.716/1989), aprovado pelo Senado na segunda-feira, 24, não surpreendem. Sempre houve reação violenta de quem é beneficiado pela opressão, o ódio resiste até a última fibra, mas temos hoje uma ampla representatividade, que se fortalece e avança com a presença de gente que vivencia todos os dias agressões misóginas, capacitistas, racistas, homofóbicas e transfóbicas, seja por motivos ideológicos, religiosos ou financeiros.
As discussões sobre preconceito, discriminação, violência de gênero e feminicídio têm alavancado nomes de mulheres, pessoas com deficiência, gente negra e lideranças LGBT - com suas transversalidades - que conhecem em profundidade e abrangência, os propósitos e os resultados da exclusão coordenada, construída para impedir a participação de grupos tratados como menores, não humanos, mantidos na invisibilidade para não atrapalhar os privilegiados.
Essa estrutura segregacionista tem sido constantemente abalada por quem está posicionado e tem ferramentas políticas, midiáticas, jurídicas e intelectuais para reagir e quebrar o círculo vicioso. A representatividade e o lugar de fala, historicamente coibidos, ganham força e mostram que existem para enfrentar castas estabelecidades há séculos.
Vivenciamos neste momento a derrubada do monopólio da informação, qualquer um pode se tornar um disseminador do pensamento crítico e reunir simpatizantes, angariar séquitos e explodir obstáculos para novas percepções.
Programas de rádio e TV, podcasts, blogs jornalísticos, canais do YouTube, grandes perfis em redes sociais, jornais, revistas, portais de notícias, eventos, seminários, fóruns, encontros corporativos e outros tantos acontecimentos estão repletos de debates sérios e aprofundados sobre a necessidade urgente da sociedade admitir suas falhas e reparar injustiças ainda presentes.
Os holofotes agora também miram gente que sabe muito bem, na pele, o que é ser deixado no limbo, com luzes bloqueadas e vozes silenciadas, pensadores que entregam ao público - inclusive aqueles que não consegue alcançar sozinho o saber - esclarecimentos a respeito dos malefícios impostos por práticas misóginas, capacitistas, racistas, homofóbicas e transfóbicas.
Evidentemente, há um sistema opressivo em funcionamento e que refuta essa visibilidade, aplica todas as estratégias mais sujas para destruir a credibilidade de quem está em evidência e exerce a função que escolheu para abrir novos caminhos, apesar dos esforços contrários.
A máxima 'nada sobre nós sem nós', criada para defender a participação das pessoas com deficiência nas acões e decisões sobre suas vidas, se torna lema universal.
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