MP investiga homenagem a jogadores do Vasco-AC presos por suspeita de estupro coletivo
Atletas homenagearam três dos quatro jogadores suspeitos de estuprar duas mulheres dentro dentro do alojamento do clube
O Ministério Público do Acre abriu uma investigação para apurar a homenagem feita pelo time do Vasco-AC a atletas do clube presos por suspeita de estupro coletivo em Rio Branco (AC). Na última quinta-feira, 19, a equipe exibiu em campo camisetas com o nome de três dos quatro atletas, na partida contra o Velo Clube-SP, pela Copa do Brasil.
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O caso ocorre em meio às prisões de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior (Lekinho), ocorridas na última semana, por suspeita de estuprar duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada do último dia 13. Segundo o Estadão, eles negam o crime.
Após a notícia se espalhar, na última segunda-feira, 13, a Associação Desportiva Vasco da Gama (AC) confirmou que já havia tomado ciência das investigações por parte da Polícia Civil e instaurou medidas administrativas internas na instituição para apurar os fatos.
“A Associação esclarece que não compactua com qualquer forma de violência e adotará as medidas cabíveis, no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Por respeito às pessoas envolvidas e ao curso das apurações, a Associação não fará comentários adicionais neste momento”, afirmou na ocasião.
Com as prisões, a polêmica envolvendo o clube poderia ter parado por aí, mas os jogadores decidiram entrar em campo, na quinta, exibindo as camisetas de Lekinho, Brian e Serpa. No mesmo dia, o goleiro Bruno, condenado, em 2013, por homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal de Eliza Samudio, também fazia sua estreia no clube.
A cena da homenagem aos investigados chamou a atenção nas redes sociais e até mesmo das autoridades. Por isso, a Promotoria de Justiça Especializada de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania instautou uma investigação para apurar não só o estupro coletivo contra as duas mulheres, mas também as manifestações feitas pelo time após o caso.
Segundo o MP, também serão investigadas declarações atribuídas ao treinador da equipe e outras manifestações feitas após o caso, como o ato de apoio aos suspeito, que podem indicar incentivo à discriminação ou à violência contra mulheres, além de possível apologia a crime.
“A apuração tem como objetivo esclarecer os fatos, apurar possíveis responsabilidades e verificar se houve omissão ou falha de órgãos da justiça desportiva na adoção de providências”, declarou o órgão.
O Terra não conseguiu contato com o Vasco-SC e o Tribunal de Justiça Desportiva do Acre (TJD-AC) até o momento. A reportagem também pediu mais detalhes sobre a prisão dos suspeitos à Polícia Civil, mas não teve retorno.