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Eleições: pessoas negras são maioria nas pré-candidaturas LGBT+ em 2022

A pesquisa, realizada pela organização #VoteLGBT, identificou 210 pré-candidaturas LGBT+ em diferentes regiões do país; dados foram analisados com exclusividade pela organização Gênero e Número

1 jul 2022 - 15h42
(atualizado às 16h14)
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Imagem enquadra uma bandeira LGBT+ ao fundo e uma mão negra que coloca um bilhete em uma urna
Imagem enquadra uma bandeira LGBT+ ao fundo e uma mão negra que coloca um bilhete em uma urna
Foto: Reprodução / Alma Preta

As pessoas negras são maioria entre as atuais pré-candidaturas LGBT+ para as eleições de 2022. Ao todo, 61,9% são negras (pretos e pardos), enquanto 36,1% são brancas e apenas 1,9% são indígenas.

A pesquisa, realizada pela organização #VoteLGBT, mapeou 210 pré-candidaturas LGBT+ em todas as unidades federativas do país e os dados foram analisados com exclusividade pela Gênero e Número, organização de mídia orientada por dados focada em gênero e raça.

De acordo com dados do mapeamento, o Estado com maior número de pré-candidaturas LGBT+ é São Paulo, com um total de 39. Em seguida estão Minas Gerais (22), Santa Catarina (16) e Bahia (14).

Na Bahia, 13 das 14 pré-candidaturas LGBT+ são compostas por pessoas negras e apenas uma pessoa é autodeclarada branca.

Uma das pré-candidatas é a co-vereadora do Coletivo Pretas por Salvador, Laina Crisóstomo (PSOL-BA), que se lança ao pleito para concorrer a uma vaga como deputada federal. Mulher negra e lésbica, Laina aponta que o aumento da representatividade LGBT+ significa o enfrentamento às tentativas de apagamento das pautas da comunidade dentro da política.

"Acho que é um processo de renovação política, mas também da política se renovando a partir de um outro olhar, de pessoas que estão na política a muito tempo e não conseguiam ver essa nova forma de fazer política: falando sobre quem é [...] Cada passo que a gente dá é um monte de gente que a gente traz", diz Crisóstomo.

Em relação à identidade de gênero, as mulheres trans compõem 30% das pré-candidaturas LGBT+. Segundo o levantamento, elas são as que mais formaram equipes de campanha (78%) e as que mais negociaram recursos financeiros com partidos (72%).

No entanto, um dado da pesquisa mostra que os pré-candidatos do Nordeste estão em segundo lugar entre os que mais relatam dificuldades em conseguir recursos financeiros. Ao todo, 89% apontam dificuldades.

"A dificuldade por recursos, de priorizar candidaturas LGBTQIAP+, acaba sendo um entrave para as eleições das candidaturas, ainda mais nas próximas eleições, que são estaduais, para se eleger é preciso atingir o maior número de eleitores possível. Para isso, é preciso recurso financeiro, VISIBILIDADE, para que as candidaturas LGBTQIAP+ sejam conhecidas", pontua Nega Van, primeira travesti a presidir o PSOL, em Porto Seguro (BA), e pré-candidata à deputada estadual.

Perfil das pré-candidaturas

Dentre as 210 pré-candidaturas, a maioria é composta por mulheres cis (73) e homens cis (69). Mulheres trans e travestis somam 49 pré-candidatas.

Os dados sobre orientação afetiva/sexual apontam que gays estão em maior número de pré-candidaturas, totalizando 67; seguido por bissexuais e pansexuais (62) e lésbicas (42). Já as/os heterossexuais somam 37 do total das pré-candidaturas. Vale ressaltar que pessoas trans podem ser heterossexuais.

Já os principais cargos em que foram registradas pré-candidaturas LGBT+ são: deputado estadual (112), deputado federal (81) e deputado distrital (11). Os partidos com maiores registros de pessoas LGBT+ que vão se lançar à corrida eleitoral são de esquerda, com o PSOL ocupando o primeiro lugar (68) e o PT em segunda posição (54). O União Brasil é a única legenda que não tem nenhuma pré-candidatura LGBT+.

Dificuldades

Conforme o levantamento, pré-candidatas/os negras/os informaram que a falta de recursos financeiros e outros recursos estão entre as principais dificuldades encontradas, o que representa 85% e 70%, respectivamente. O número é proporcionalmente maior do que outros grupos raciais analisados (brancos e indígenas).

Em metade das pré-candidaturas, indígenas LGBT+ relataram que a violência política é uma das principais barreiras (50%). Já entre as pré-candidaturas negras e brancas, o percentual é de 32% e 26%, respectivamente.

Na comparação com a violência política dentro dos partidos, os pré-candidatos de esquerda relataram sofrer mais (33%) do que pré-candidatos de centro e de direita (14%). Pelo recorte de gênero, mulheres travestis (41%) e cis (32%) são as mais atingidas.

Para a pré-candidata Laina Crisóstomo, a articulação em rede é fundamental para ocupar esses espaços.

"Ocupar a política não é uma tarefa tranquila e calma. É exatamente um espaço em que eles dizem o tempo todo que não é para a gente estar ali, então a gente vai ficando adoecida nesse processo. Sem sombras de dúvida, esse acompanhamento e essa preparação é fundamental para entender que a nossa atuação precisa ser em rede, não pode ser sozinha, senão a gente adoece ainda mais e desiste de ocupar a política", ressalta Crisóstomo.

Como forma de enfrentamento à violência política, Nega Van diz que vai contar com apoio psicológico, oferecido pela Coalizão Negra Por Direitos. "É urgente a quebra de paradigmas destes espaços políticos, patriarcais, machistas, transfóbicos e racistas", informa a pré-candidata.

Para as eleições deste ano, Laina Crisóstomo aponta que é preciso a construção de pautas da população LGBTQIAP+ levem em consideração os diferentes lugares de fala da comunidade.

"Pensar as pautas LGBTs é pensar educação, saúde, direito à moradia, direito à cidade, direito à ocupação nas ruas, mas acima de tudo: direito de existir e viver. Isso é fundamental para nós e nessas eleições a gente precisa votar — não em qualquer mulher, em qualquer negro/a e qualquer LGBT — mas em quem está do lado das pautas que verdadeiramente luta por mais direitos", comenta.

Para ter acesso à pesquisa completa e conhecer as pré-candidaturas basta acessar o site do #Vote LGBT, onde também é possível fazer a busca de outras pesquisas e levantamentos.

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Alma Preta
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