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Coletivo de rap LGBTQIA+, Quebrada Queer, lança 1º álbum: 'Um futuro que se projeta no presente'

'Usamos da rima como ferramenta de identidade', diz grupo sobre o disco 'Holoforte'

4 mai 2022 20h10
| atualizado em 18/5/2022 às 17h06
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Guigo, Tchelo, Boombeat, Murillo e Harlley integram o coletivo Quebrada Queer
Guigo, Tchelo, Boombeat, Murillo e Harlley integram o coletivo Quebrada Queer
Foto: Divulgação / Estadão

Com poucas, ou quase nenhuma, referência, Harlley, Murillo, Guigo, Luara Boombeat e Tchelo decidiram se unir em 2018 para criar o primeiro coletivo de rap LGBTQ+ do mundo: o Quebrada Queer. Quatro anos e mais de dois milhões de streams depois, o grupo lançou, no mês de abril, seu primeiro álbum.

Intitulado como Holoforte, o disco conta com 10 faixas autorais, com uma grande diversidade de ritmos como o funk carioca dos anos 2000, mas sem deixar de lado o trap.

"O Quebrada tem essa função de ser uma imagem do futuro que se projeta no presente, assim como o holograma. A ideia do nome desse álbum é a junção do holograma com a força que temos quando projetamos essa imagem", explicou Guigo.

Murillo acrescenta que essa projeção se manifesta através do futurismo na identidade visual. "Não é o futurismo robótico, né? É um futurismo de pautas reais, que consideramos urgentes. E as escolhas dos ritmos também vêm muito da nossa própria diversão", explicou Harley.

Para o grupo, essa diversão é um reflexo da celebração e coletividade e citam o pop como o som de referência que se faz presente no dia a dia de pessoas LGBTQ+. "Temos essa naturalidade para a música pop. Nem sempre temos forças o suficiente para cantar só as nossas dores, não é fácil reviver isso. Então quisemos trazer mais leveza e fluidez para dentro do álbum", reitera Murillo.

'Nicho do Nicho': Pop como mainstream para artistas LGBTQ+

Integrantes do Quebrada Queer comentam os desafios de ser LGBTQ+ no rap
Integrantes do Quebrada Queer comentam os desafios de ser LGBTQ+ no rap
Foto: Divulgação / Estadão

Apesar de servir como inspiração para celebração no disco, o coletivo comenta sobre as dificuldades de se inserir na cena do rap nacional, uma vez que, segundo eles, existe muito mais espaço para artistas LGBTQ+ no pop.

"Eu acho que o mercado para um artista pop LGBTQ+ já é muito mais formado, né? Já é muito mais trabalhado, porque isso já acontece há muito mais tempo. Somos um nicho dentro do nicho. Então, é começar do zero e movimentar uma indústria do zero", explica Murillo.

No entanto, Luara reitera a importância de enxergar esses artistas de uma forma mais fragmentada, "porque cada corpo vai ter uma dificuldade diferente dentro do cenário musical".

"Os artistas que bombaram no meio pop são muito mais os gays que trazem a feminilidade. Por isso, as drag queens bombaram nesse cenário, porque nós estávamos acostumados com a presença de mulheres no gênero e no rap tem essa carência. A feminilidade ainda é uma questão que fecha portas e, historicamente, o pop já abraçava a gente há mais tempo", explica.

'LGBT demais para a cena do rap e rap demais para festivais LGBT'

Ainda sobre os desafios no gênero musical, a artista reflete sobre os desafios de se inserirem em line-ups de festivais. "Na prática, é como se a gente fosse LGBTQ+ demais para estar nos lines de rap e rap demais para estar em festivais com temáticas LGBTQ+".

Por fim, Luara conclui: "A gente usa da rima como ferramenta de comunicação e identidade, mas o fato de sermos o primeiro coletivo LGBTQ+ de rap do mundo, em 2022, eu não vejo como prestígio. Acho que é motivo de reflexão dos tempos que ainda vivemos e de problemáticas que ainda devem ser resolvidas".

Estadão
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