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"Celebração e coroação": Valéria Barcellos reflete sobre participação em 'Equilibrium 2' de Anitta

Valéria buscou na própria vivência e nas suas raízes religiosas o fundamento necessário para construir uma performance carregada de respeito

29 jul 2026 - 10h58
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Recentemente, Valéria interpretou outra pombagira no teatro.
Recentemente, Valéria interpretou outra pombagira no teatro.
Foto: Reprodução Youtube

A atriz Valéria Barcellos viveu mais um momento simbólico de sua carreira ao fazer parte do projeto audiovisual Equilibrium 2, da Anitta, no qual interpretou uma Pombagira. O convite, que surgiu de forma repentina enquanto ela encenava o musical de Paulo Gustavo, marcou o encontro entre a fé, a arte e o impacto cultural de alcance global.

“O convite foi muito rápido, como todo esse projeto que foi gravado em uma semana e, na outra, já estreou. Eu estava fazendo o musical do Paulo Gustavo e, num sábado, esqueci meu celular em casa. Quando cheguei do teatro, já era 1h da manhã, vi a mensagem da minha agente avisando que tinha um convite para gravar o clipe da Anitta já na segunda-feira.”

Recentemente, Valéria interpretou outra Pombagira no teatro. “Acredito que a Anitta tenha me visto no musical (do Paulo Gustavo) ou que tenha visto um pouco do meu trabalho na ‘Ópera do Malandro’, onde também fiz uma Pombagira. Fiquei muito surpresa e assustada com a responsabilidade que eu teria com o papel”, contou.

Para dar vida à entidade na tela, Valéria buscou na própria vivência e nas suas raízes religiosas o fundamento necessário para construir uma performance carregada de respeito e força. “Eu acho que tive que buscar as minhas próprias inspirações. Eu sou de religião de matriz africana e tive que buscar a presença, a inspiração, a voz e o corpo nas minhas próprias ancestralidades”, revelou a atriz.

Valéria ainda reflete sobre a percepção de quando as coisas boas estão acontecendo. Ela fez uma análise do próprio trabalho e de como, às vezes, é difícil perceber os bons resultados. “A Anitta ajudou muito, ela me contou o motivo daquela cena e me fez entender tudo de uma outra maneira. Para mim, foi uma celebração e uma coroação das coisas que eu venho fazendo. Às vezes a gente vai só trabalhando e não percebe onde o nosso trabalho está chegando, que as pessoas estão te enxergando e te vendo”, disse Valéria.

Nos bastidores, o processo de criação envolveu uma intensa troca criativa entre a atriz e a cantora, que redefiniu a dinâmica da cena diretamente no set de gravação. Valéria revelou seu fascínio com o dinamismo e a generosidade da artista durante o processo.

“Eu sempre vou ficar muito impressionada com essa proximidade que a gente teve, com a capacidade que ela tem de se atentar a tudo o tempo inteiro. É como se ela tivesse 50 olhos, ela consegue se concentrar, falar o que não está gostando, observar ... É muito surreal. Se eu pudesse dizer um momento marcante, seria essa troca em que ela me explicou o que significava exatamente aquela cena, o que me ajudou muito na construção da personagem, no corpo e no gestual”, relembrou.

Quem assistiu ao clipe ficou impactado com a atuação das duas.
Quem assistiu ao clipe ficou impactado com a atuação das duas.
Foto: Reprodução YouTube Anitta

A atriz explicou como a visão da cantora direcionou a intensidade do momento. “Quando a gente ia começar a gravar, a primeira opção era fazer a Pombagira meio sentada, até que a Anitta chegou e disse: ‘Não, o que é isso, uma Pombagira sentada? Vamos fazer ela girar!’. Quando ela me deu a explicação de que o corpo dela é dança, é ritual, é cura, e que a Pombagira estava ali para dizer a ela para não renegar o que é dela, a minha própria interpretação mudou. Ficou tudo muito mais compreensível para mim.”

Além do alinhamento artístico, a postura ética da produção foi outro ponto marcante realçado por Valéria, que elogiou a sensibilidade e o compromisso prático com a inclusão.

“Ela foi muito gentil. Era muita coisa acontecendo, eram dois sets sendo gravados ao mesmo tempo e ela foi muito gentil, assim como a produção: atenta, delicada e com muita diversidade. Tinha pessoas trans, tinha muitos LGBTs, muita gente preocupada, atenta e respeitosa. Isso me chamou muito a atenção porque vai muito além do discurso, vai para a prática. Está ali empregando as pessoas para que elas ganhem dinheiro e conquistem autonomia. A autonomia de um LGBT passa por ter sua independência financeira para poder ocupar certos lugares”, destacou a atriz.

A repercussão do projeto continua gerando diálogos necessários sobre representatividade, intolerância religiosa e a busca por plenitude em tempos digitais: “Tenho achado muito bonito essa vontade que as pessoas estão tendo de conhecer um pouco mais sobre as religiões de matriz africana sem esse filtro de preconceito. É muito importante que artistas do tamanho da Anitta consigam propor e instaurar essa discussão tão pertinente.”

Por fim, a atriz reforçou a mensagem central que espera transmitir com o trabalho.

“E eu espero que as pessoas levem muito as palavras ditas pela Pombagira, principalmente aquela que diz para não se quebrar em pedaços para caber num mundo que nunca te quis por inteira. Eu acho que as pessoas estão se despedaçando para caber num Reels, num Story ou numa postagem. O ser humano precisa ser inteiro, pleno e com vontade. A gente não pode ser despedaçada, a gente tem que ser inteira”, refletiu Valéria.

Fonte: Portal Terra
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