Vencer Limites completa 14 anos
Ao completar 14 anos com mais de 2,3 mil conteúdos no Estadão, o blog Vencer Limites alerta que a exclusão da pessoa com deficiência no Brasil persiste. Apesar de leis de inclusão, ataques aos direitos e a precarização no mercado de trabalho continuam: dados recentes mostram alta na discriminação corporativa e 98% das vagas restritas a cargos operacionais de baixa remuneração. Diante do capacitismo, reforça-se a urgência de eleger líderes políticos comprometidos para superar essa desigualdade.
"Pessoa com deficiência, no Brasil, é um não cidadão" é o título da reportagem de estreia do blog, publicada às 11h de 11/9/2012. A frase é de Teresa Costa d'Amaral, que ocupava na época a superintendência do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD).
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O blog Vencer Limites (Estadão) completa 14 anos nesta sexta-feira, 11/9, com mais de 2,3 mil publicações, entre reportagens, artigos e os 238 episódios da coluna Vencer Limites na Rádio Eldorado (14/9/2021 a 12/5/2026).
"Pessoa com deficiência, no Brasil, é um não cidadão" é o título da reportagem de estreia, publicada às 11h de 11/9/2012, frase de Teresa Costa d'Amaral, na época, superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD).
O comentário completo - "A pessoa com deficiência, no Brasil, vive uma situação de não cidadão. A possibilidade de locomoção, de ir e vir, o acesso à escola e ao trabalho são alguns itens com os quais esses brasileiros não podem contar" - permanece atual e relevante, mesmo diante de avanços, como o vigor da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015).
Também permanecem os ataques aos direitos da população com deficiência - 14,4 milhões de habitantes, segundo o Censo 2022 -, especialmente à Lei de Cotas (n° 8.213/1991), que exige a contratação de trabalhadores com deficiência por emoresas com 100 ou mais funcionários registrados (CLT).
No que diz respeito ao mercado de trabalho para pessoas com deficiência, duas pesquisas recentes de consultorias especializadas em diversidade e inclusão mostram uma piora no cenário.
A Catho, na edição de 2026 da 'Pesquisa Nacional PcD', aponta crescimento de quase 16% na quantidade de profissionais que afirmam terem sofrido ou presenciado discriminação no ambiente de trabalho. E a Egalite, em levantamento na plataforma IncluiPcD, mosta que 98% das vagas de trabalho oferecidas a pessoas com deficiência são operacionais e com salário de R$ 2 mil.
Temos, então, cargos ruins, salários baixos e ambientes de trabalho tóxicos, preconceituosos, capacitistas.
Quais são os motivos? Falta fiscalização para cumprimento da Lei de Cotas? Empresas e empresários descobriram que é fácil fingir ser inclusivo? Contratar gente com deficiência deixou ser ser bonitinho? Quem entendia inclusão como investimento passou e encarar como gasto desnecessário? E, finalmente, qual é o papel dessas consultorias especializadas em diversidade e inclusão nesse universo? Quem contrata esses especialistas acredita nessa temática ou só usa essa imagem como estratégia institucional?
Em ano de eleições para assembleias e governos estaduais, Congresso Nacional e Presidência da República, eleger representantes do povo com deficiência e candidatos verdadeiramente comprometidos com essa temática é essencial para que a condição de "não cidadão" deixe de ser nossa realidade.
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