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Barbie Trans e mais debates absurdos na Câmara dos Deputados

Comissão de Seguridade Social e Família aprovou requerimento para a audiência pública sobre boneca que homenageia Laverne Cox

3 jun 2022 14h22
| atualizado às 19h15
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O deputado bolsonarista Otoni de Paula (MDB-RJ) e o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) tiveram o requerimento para realização de uma audiência pública sobre a versão da boneca Barbie em homenagem à atriz trans Laverne Cox aprovado na última quarta-feira (1) sob a justificativa de discutir as "implicações psicossociais em crianças". Não é a primeira vez que deputados usam o espaço de criação de leis e políticas públicas para debater questões com o intuito de gerar polêmica às custas da comunidade LGBTQIA+.

No último dia 27 de junho, a mesma comissão foi chamada para debater o Projeto de Lei 4302/16, do deputado Vinicius Carvalho (PRB-SP), que pretende proibir o registro de união poliafetiva. "“Estão instituindo a poligamia na surdina neste País. [...] Reconhecer a poligamia no Brasil seria um atentado contra a família tradicional, em total contradição com a nossa cultura e valores sociais”, afirmou Vinicius Carvalho para a Agência Câmara de Notícias.

Em 2015, os então deputados Givaldo Carimbão (Pros-AL), Diego Garcia (PHS-PR), Flavinho (PSB-SP), Eros Biondini (PTB-MG) e Professor Victório Galli (PSC-MT) realizaram a audiência pública para debater a inclusão da "ideologia de gênero e orientação sexual" no Plano Nacional da Educação. Cabe lembrar que "ideologia de gênero" não existe.

No mesmo ano, o deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), então presidente da Comissão de Direitos Humanos, convocou uma audiência para "ouvir o depoimento de pessoas que deixaram de ser gays e discutir seu posicionamento e os problemas enfrentados na sociedade”. Na ocasião, o pastor e deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) defendeu a concessão de um benefício mensal às pessoas que “deixaram a homossexualidade”, chamado na época de "Bolsa ex-gay'.

Em 2012, outra audiência pública foi realizada para discutir o Projeto de Lei do então deputado João Campos (PSDB-GO), que buscava autorizar a chamada "cura gay" por profissionais de saúde mental. A prática de "reversão de homossexualidade" também não existe e é proibida por órgãos de saúde no Brasil e no mundo.

Então deputado, Jair Bolsonaro participou da sessão e xingou ativistas que acompanhavam o debate. Marisa Lobo, hoje suplente à Deputada Federal pelo Paraná, principal defensora da Lei, teve seu registro de psicóloga cassado pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) no ano seguinte. Apesar de recursos, o Superior Tribunal Federal (STF) definiu em 2016 que a cassação era válida.

Fonte: Redação Nós
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