Em Singapura, o luxo não é ter uma Ferrari ou uma Lamborghini, mas conseguir dirigir um carro
Ter qualquer veículo por lá já é um privilégio astronômico, pois o simples direito de dirigir custa uma verdadeira fortuna
Devido ao território limitado para seis milhões de habitantes, Singapura exige o Certificado de Titularidade (COE) para conter o colapso viário. Válida por dez anos e leiloada pelo governo, essa licença ultrapassa R$ 380 mil e, somada ao valor do veículo, faz até modelos populares superarem R$ 550 mil. A medida tornou o automóvel um raro símbolo de status, resultando em uma taxa de apenas 11 carros para cada 100 moradores, índice muito inferior ao visto nos Estados Unidos ou na Europa.
Em Singapura, ter um carro não é apenas uma questão de ir à concessionária e escolher um modelo: é preciso comprar uma licença governamental para ter o direito de dirigir, e essa autorização custa uma verdadeira fortuna.
O leilão das licenças e o custo astronômico
Para conter o excesso de veículos, a cidade-estado criou em 1990 o COE (Certificate of Entitlement), uma licença estatal obrigatória que vale por apenas 10 anos. O governo realiza leilões dessas autorizações duas vezes por mês. Como a disputa é extremamente acirrada, o valor de um COE ultrapassa facilmente os R$ 380 mil.
O detalhe é que o interessado precisa desembolsar esse valor milionário apenas pelo papel e, em seguida, pagar pelo veículo em si. Por conta dessa soma, um modelo compacto e popular ultrapassa a marca de R$ 550 mil. A medida transformou o automóvel em um símbolo extremo de status — muitos moradores chegam a se endividar em modelos simples só para passar uma imagem profissional de sucesso, tratando o carro quase como se fosse um relógio de luxo.
A necessidade territorial e o transporte público
A explicação para essa exigência está na geografia. Singapura é uma ilha menor em área do que a cidade de Nova York e precisa acomodar quase 6 milhões de moradores. Se a frota crescesse sem controle, a cidade entraria em colapso viário. A estratégia surtiu efeito: hoje existem apenas 11 carros para cada 100 habitantes por lá, número muito inferior ao registrado na União Europeia (cerca de 57) e nos Estados ...
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