Chineses estão indo aonde fabricantes japoneses são mais fortes
Mercado japonês de "kei cars" está vivenciando um pequeno evento; Segmento estratégico de microcarros urbanos vê a gigante chinesa BYD tentar quebrar o monopólio doméstico com o Racco, modelo 100% elétrico; Honda reage anunciando uma versão elétrica do seu famoso N-Box.
Uma pequena revolução na terra do sol nascente, ou melhor, uma revolução dupla! A primeira está na Honda, e a segunda na BYD. Pela primeira vez no mercado japonês, uma fabricante chinesa prepara-se para produzir e comercializar um "kei car", o segmento de minicarros ultra-padronizados que é o coração pulsante do mercado japonês.
A chegada anunciada do BYD Racco, um modelo 100% elétrico, provavelmente não quebrará um monopólio doméstico de décadas a curto prazo, mas despertará as gigantes japonesas, com a Honda à frente, para talvez reverem a sua estratégia de eletrificação dos kei cars. A Honda, inclusive, confirmou a chegada de um N-Box elétrico, mas apenas para 2027. Quatro anos depois do Nissan Sakura. Será que a BYD está despertando os japoneses?
Fim de um domínio japonês?
Até agora, os kei cars (ou keijidōsha) eram considerados uma fortaleza inexpugnável. Esses veículos, limitados por lei em tamanho e cilindrada (660 cc), se beneficiam de impostos reduzidos e vantagens de estacionamento, o que os torna os campeões de vendas no Japão. Mas enquanto as montadoras locais há tempos priorizam motores híbridos ou a combustão para esses modelos urbanos (antes do Nissan Sakura, há dois anos), a BYD está se aventurando com um modelo elétrico.
Num país que não é propriamente "pró-"China, especialmente tendo em conta o histórico entre os dois, e ainda mais onde o carro elétrico não chega sequer a 2% da quota de mercado, uma das mais baixas do mundo, surge o BYD Racco, um minicarro ...
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