Caminhões pesados rodam, em média, 106 mil km no primeiro ano de operação
Levantamento da CNT mostra ainda que ônibus circulam 75 mil quilômetros por ano
Um levantamento inédito da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que caminhões pesados no Brasil percorrem, em média, 106 mil quilômetros já no primeiro ano de uso. Os dados fazem parte do estudo "Transporte em Foco - Quanto rodam os veículos pesados no Brasil?", que analisou mais de 1,4 milhão de avaliações ambientais realizadas entre 2022 e 2025, com base em informações do Programa Despoluir, iniciativa ambiental do setor.
O mecânico de caminhões Diógenes José da Silva, da Mecânica Motor Brás, confirma que o número está de acordo com o que observa na profissão. "É uma realidade. Em média, são duas viagens por mês, às vezes para o Nordeste", diz ele, estimando uma média entre 10 mil e 12 mil km mensais. "No final do ano, dá cerca de 100 mil quilômetros, às vezes até mais. É uma base que os próprios fabricantes reconhecem."
No transporte de passageiros, os ônibus urbanos ultrapassam 75 mil km anuais nos primeiros anos. Os números reforçam o peso do modal rodoviário, responsável por cerca de 65% das cargas e 95% dos passageiros transportados no país.
Quilometragem diminui nos anos seguintes
Ao longo do tempo, a quilometragem tende a cair. No caso dos caminhões pesados, a média anual recua para cerca de 74 mil km no sexto ano de uso, com redução gradual nos anos seguintes. Ainda assim, veículos mais antigos continuam ativos, muitas vezes em rotas mais curtas ou operações de apoio.
O estudo também indica a longa vida útil da frota no Brasil. Um caminhão pesado pode acumular mais de 790 mil km em dez anos e ultrapassar 1,8 milhão de km ao longo de três décadas de operação.
Para a CNT, as informações podem ajudar transportadoras a planejar manutenção, reduzir custos e definir o momento ideal de renovação da frota. Na avaliação da diretora executiva da entidade, Fernanda Rezende, o uso de dados reais permite decisões mais eficientes, com impacto direto na segurança, nos custos e nas emissões do setor.