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Vale a pena? Kia Niro é um híbrido melhor do que o Toyota Corolla Cross

Após dez dias usando o Kia Niro HEV no dia a dia, respondo à pergunta: na faixa de R$ 200 mil, eu o compraria, em vez do Corolla Cross?

21 fev 2025 - 15h04
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Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Há dois anos no mercado, o Kia Niro ainda chama muita atenção nas ruas – em parte pelo design ousado, principalmente nesta versão bicolor que testei durante dez dias, em parte porque é raro vê-lo nas ruas, porque vende pouco mesmo.

É um injustiçado no mercado, considerando o seu custo-benefício. Melhor que o Toyota Corolla Cross – um sucesso por causa da marca, entre outros fatores – o modelo coreano é, ainda, o HEV mais econômico do país.

Na faixa de R$ 200 mil, na verdade agora tem como maiores obstáculos, além do japonês, os SUVs chineses GWM Haval H6 HEV2 e BYD Song Pro. Este último, na verdade, é um PHEV – pode ser carregado na tomada e rodar cerca de 70 km no modo 100% elétrico.

Os SUVs chineses são maiores e mais potentes, é verdade. Mas quem disse que essas são prioridades? Ou que necessariamente tornam o carro melhor ou mais prazeroso de guiar?

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Nem sempre o mais vendido, o maior ou o mais potente são as melhores opções (em vários casos, não mesmo…). O que define se um carro é bom ou não para você inclui vários fatores, sejam premissas básicas como valor que está disposto a pagar e o uso que fará dele, sejam detalhes e gostos pessoais, como design externo ou a presença de equipamentos específicos.

Para mim, homem casado de 47 anos, filha de 8 e filho de 13 anos, morador de São Paulo, por exemplo, os dois chineses citados acima já estão descartados como opções de compra de imediato. Por quê?

Primeiro, porque são demasiadamente largos e longos, e minha esposa odeia carros grandes no uso diário/urbano. Concordo. São piores de estacionar e circular pelas nossas ruas apertadas e cheias de obstáculos: faixas estreitas, motoqueiros mal educados…

Segundo, porque eu, particularmente, tenho enorme antipatia pelo “minimalismo” que dominou o mercado, com cabines de muitas telas e poucos botões, que tornam complicado tarefas simples como selecionar modo de condução, regular ar-condicionado e até ajustar o volume.

O terceiro fator eliminaria da lista de candidatos à minha garagem o BYD: não consigo ter carregador em casa, o que tira 90% da vantagem do híbrido plug-in. Nestes casos, melhor o híbrido convencional.

ESPAÇO DE SOBRA

O Kia Niro não tem nenhum dos “problemas” acima. Com design que vai contra o padrão dos SUVs – ele é um crossover  –, tem medidas mais adequadas ao uso urbano, com 4,41 metros de comprimento, mas com entre-eixos de 2,71 m, quase idêntico ao dos chineses (o Corolla Cross tem 2,64).

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Essa maior racionalidade das formas se reflete no excelente espaço interno: nas idas e vindas da escola, com mochilas e tralhas, Mathias e Stella elogiaram o espaço no banco traseiro. E acomodamos uma carona entre os dois sem reclamações (todos também elogiaram o prático porta-celular e a tomada USB na parte traseira dos bancos dianteiros).

SEM COMPLICAÇÕES

Em relação às interfaces e usabilidade, são um dos maiores trunfos do Kia. É tudo fácil e intuitivo, com botões físicos para as funções mais usadas, sempre disponíveis sem gerar distrações.

A interface multimídia da tela central do Kia Niro é tão boa que preferi usá-la em vez do Android Auto (sem fio), e também gostei do quadro de instrumentos, que, sem inventar demais, é claro e informativo. Mantém a lógica do analógico com a forma e a versatilidade do digital

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Até a alavanca de câmbio giratória, que costumo odiar por causar confusões (pesquisas mostram que causam mais acidentes), tem um sistema “anti erros”. Outra boa sacada é a possibilidade de carregar a bateria comum 12V usando o sistema híbrido, o que evita contratempos.

Minha esposa elogiou, além do espaço também amplo na dianteira, graças ao desenho inteligente do painel no “estilo EV”, a presença de ajuste elétrico para seu banco – muitas vezes ele só está disponível para o motorista.

MUITO ECONÔMICO…

Tenho um Honda Civic e confesso que, ao entrar no Kia Niro, tive sentimentos mistos – o painel de fato é extremamente bonito, mas a qualidade dos materiais é irregular e a posição de guiar, um pouco mais alta do que eu gosto.

Ao volante, porém, o Kia Niro me agradou bastante, comprovando a eficácia do seu sistema híbrido completo e sua superioridade em relação ao Corolla Cross: com sistema similar ao do Toyota, ele é o HEV mais econômico do Brasil (são 110 MJ/km, contra 131 do japonês).

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Nos testes do PBEV-Inmetro, o Kia Niro fez 19, 8 km/l na cidade e 17,7 na estrada, contra 17,8 e 14,7 do Corolla Cross – e os chineses passam longe disso (no caso do BYD, que é plug-in, somente recargas frequentes o fazem superar esses números).

Na prática, o Kia Niro fez médias de consumo ainda melhores – e muito – no meu cotidiano em São Paulo. Nas idas à zona sul, por avenidas mais planas, o consumo ficou na faixa de 25 a 27 km/l. E, mesmo em circuitos curtos urbanos, com mais anda e para e trânsito, ele ainda fez 23 a 24 km/l.

O consumo do Kia Niro é bom assim porque ele consegue funcionar mais no modo elétrico que o Corolla Cross – é bem frequente conseguir ir de 0-50 km/h, ou até de 0-70 km/h, sem que o motor 1.6 a gasolina seja sequer ligado, enquanto no Toyota isso é mais raro.

…E MUITO INTELIGENTE

Nestes dez dias de Kia Niro, uma das coisas que mais gostei foi a seleção de níveis de  recuperação de energia de frenagem. São três níveis selecionáveis facilmente pelas aletas no volante (e não por um sub-sub-menu na tela touch), sendo que o mais forte quase permite guiar usando só o pedal do acelerador.

Mas o melhor deles, e o mais inteligente, é o automático: usando sensores, o Kia Niro “enxerga” o carro à frente e reduz suavemente a velocidade enquanto, em vez de gastar freios (outro poluente), gera energia para a bateria (maior que do Toyota).

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

Então, em meio ao trânsito, basicamente me preocupava em acelerar – ao ver obstáculos adiante, bastava aliviar o pé direito e deixar o carro seguir (e reduzir) por conta própria, melhorando ainda mais minhas médias de consumo.

Os responsáveis por esse mimo são os mesmos sensores dos ADAS (que o Corolla Cross também tem, mas não com esse recurso). E, falando em ADAS, não é algo que influencia minha decisão de compra diretamente, mas ao menos a frenagem autônoma é muito bem-vinda.

Já os sistemas de condução autônoma uso em raras situações, mas sempre testo, é claro. E o do Kia Niro surpreende pela enorme competência: dirige sozinho como os das melhores marcas de luxo, tanto na cidade, com carros adiante, quanto na estrada vazia, lendo as faixas com muita competência.

NA ESTRADA

Falando em estrada, a potência combinada é de 141 cv (contra 122 cv do Corolla Cross), e o torque combinado é de 265 Nm. Não faz do carro um esportivo, nem é essa a proposta, mas garante 0-100 em ainda bons 10,4 segundos (11,8 no Corolla Cross.

A boa mecânica do Kia, com câmbio de seis marchas e dupla embreagem, permite circular a 120 km/h a 2.300 rpm com baixíssimo ruído e médias na faixa de 20 km/l (e o tanque tem 42 litros, contra 36 no Toyota, garantindo autonomia bem maior).

Em ultrapassagens, o Niro também não decepcionou, como acelerações 120-150 km/h muito satisfatórias e sem ruído excessivo. Um modo esporte dá uma animadinha no desempenho, mas não é essa a proposta do crossover.

Kia Niro HEV
Kia Niro HEV
Foto: Kia / Guia do Carro

O Kia Niro é um carro familiar como o Corolla Cross, e tem suspensões que, apesar da vantagem no conforto ao rodar por serem do tipo multi-link na traseira (eixo de torção no japonês) não são ideais para excessos em curvas.

Também recomenda mais prudência o sistema de freios, ponto baixo do modelo, pois a passagem da frenagem “regenerativa” para a tradicional às vezes não é sutil nem imediata, causando desconforto ou susto.

CONCLUSÃO

Depois desses dias ao volante, a conclusão é que, na faixa de R$ 200 mil, eu compraria, sim, o Kia Niro. A relação custo benefício é uma das melhores do mercado: é um carro cheio de estilo, bastante espaçoso e extremamente econômico.

Trata-se de um crossover-SUV que atende perfeitamente a uma família como a minha, que mescla uso em trânsito urbano com viagens longas, sem depender de recargas, e procura um carro racional, de marca tradicional e confiável, com uma cabine muito moderna visualmente, porém fácil de usar e de entender.

Só não recomendo para quem está longe da rede de concessionárias da marca, para os motoristas que gostam de uma tocada mais esportiva (melhor procurar um sedã), encara muitas estradas ruins (o Corolla Cross é mais robusto) ou faz questão de rodar com etanol.

  • R$ 214.990 (HEV EX)
  • R$ 239.990 (HEV SX Prestige)

Kia Niro HEV SX Prestige

Motor: quatro cilindros em linha 1.6, 16V, injeção direta, duplo comando de válvulas com variação na admissão e no escape, motor elétrico síncrono 

Cilindrada: 1580 cm³

Combustível: gasolina + eletricidade 

Potência: 105 cv a 5.700 rpm + 44 cv = 141 cv a 5.700 rpm

Torque:  144 Nm a 4.000 rpm + 170 Nm = 265 Nm a 4.000 rpm

Câmbio: automatizada de dupla embreagem, seis marchas

Direção: elétrica

Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)

Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)

Tração: dianteira

Dimensões: 4,420 m (c), 1,825 m (l), 1,545 m (a)

Entre-eixos: 2,720 m

Pneus: 225/45 R18

Porta-malas: 425 litros

Tanque: 42 litros

Peso: 1.394 kg

0-100 km/h: 10s4

Vel. máxima: 165 km/h 

Consumo cidade: 19,8 km/l

Consumo estrada: 17,7 km/l

Emissão de CO2: 68 g/km

Nota do Inmetro: A

Classificação na categoria: A (Grande)

Guia do Carro
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