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Teste: Nissan Kait Exclusive tem alma de Kicks Play, mas vale como novidade?

"Sucessor" do Kicks Play aposta na racionalidade e na segurança para conquistar consumidores

9 abr 2026 - 15h17
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Nissan Kait
Nissan Kait
Foto: Pedro Danthas/Divulgação / Estadão

Sabe aquela resolução de Ano Novo? A gente promete que vai mudar tudo, entrar na academia, trocar o guarda-roupa, mas a essência, e às vezes os velhos hábitos, continuam lá. O Nissan Kait chega ao mercado com essa energia. É o sucessor do Kicks Play — a antiga geração que se recusava a pedir aposentadoria — e eu passei uns dias com a versão topo de linha, a Exclusive, para entender se essa "repaginada" é o suficiente para encarar a concorrência atual.

O Kait quer ser visto como algo novo, e a dianteira faz um bom trabalho nisso. O capô está mais elevado, o que dá uma robustez visual honesta, e o conjunto óptico afilado com assinatura em LED traz a modernidade que faltava. Os DRLs nos extremos do para-choque dão uma sensação de largura interessante.

Mas, como diz o ditado, o diabo mora nos detalhes. Se você olhar de lado, as portas e a inclinação do vidro dianteiro e do vigia traseiro são rigorosamente as mesmas do antigo Kicks. Bem como a plataforma V, que continua ali, firme e forte. Na traseira, as lanternas em LED interligadas por uma barra dão um quê de atual, e a placa desceu para o para-choque.

Travou duas vezes durante o teste e, em certo momento, simplesmente ignorou os comandos do volante. A interface é datada e a resolução da câmera 360 graus deixa a desejar. Em um carro de R$ 150 mil, o consumidor espera (e merece) um sistema que não pareça um acessório instalado em loja de som de bairro.

Ao volante do Nissan Kait

Se você busca emoção, o Kait não é o seu carro. O conjunto mecânico é o velho conhecido 1.6 16V aspirado de até 113 cv de potência e 15,2 kgfm de torque acoplado ao câmbio CVT de seis marchas simuladas. É um casamento focado em durabilidade e baixo custo de manutenção, não em performance.

Na cidade, o SUV se vira bem. Na estrada, no entanto, falta fôlego. Retomadas são tímidas e o motor invade a cabine sem cerimônia quando você passa das 3.500 rotações. É um carro ruidoso sob carga. Em nosso ciclo misto com gasolina, o Kait marcou a média de 9 km/l, o que é aceitável.

Além disso, o pacote ADAS com controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e frenagem autônoma funciona de forma precisa, embora os sensores de estacionamento ainda sejam conservadores demais, apitando quando você ainda tem meio metro de sobra.

Veredito

O Nissan Kait é, em essência, um Kicks Play com uma roupa de grife e mais equipamentos de segurança. Ele tem vícios e virtudes conhecidos. Não é um carro que tira nota 10 em nada, mas é aquele aluno aplicado que tira 7 em todas as matérias.

Para quem busca um SUV com bom porte, porta-malas de família e mecânica "raiz", que não vai dar sustos na oficina, o modelo faz todo sentido. O Kait não lidera a revolução, mas é o produto racional que a Nissan precisa para continuar vendendo bem no Brasil.

Estadão
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