SUV do Onix: vale esperar o lançamento do Chevrolet Sonic ou melhor ir de Nivus ou Fastback?
Modelo chega em maio e quer entrar na briga com Fiat Fastback e Volkswagen Nivus, mas estreia cercado de incertezas e com preço que pode ficar na faixa de R$ 150 mil
A General Motors divulgou nesta terça-feira, 7, novos detalhes do Chevrolet Sonic. As informações, claro, vieram com o habitual verniz de release. Não à toa, a empresa salienta que o desenvolvimento do modelo "foi conduzido com as mais avançadas ferramentas de engenharia, em um processo de concepção totalmente virtual, apoiado por recursos de inteligência artificial e machine learning".
Beleza. Legal. Mas o que realmente importa são os números e como estes dados se comparam em relação aos rivais. Justamente por isso, Jornal do Carro decidiu pegar carona nos últimos pormenores revelados pela GM e comparar o modelo com Volkswagen Nivus e Fiat Fastback.
Na comparação direta, ele ficou 7 cm mais comprido, 7 cm mais largo e 6 cm mais alto que o hatch. Pode parecer pouco no papel, mas, nesse segmento, essas variações mudam completamente a percepção de porte.
Quando colocado lado a lado com os rivais é que a rocha quebra legal. O Volkswagen Nivus tem 4,27 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,50 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. O porta-malas tem capacidade para 415 litros.
O Fiat Fastback, por sua vez, mede 4,43 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,55 m de altura e 2,53 m de entre-eixos. Seu bagageiro tem capacidade para 516 litros.
Na prática, o Chevrolet Sonic joga o jogo do equilíbrio. No entanto, diante de Volkswagen Nivus e Fiat Fastback, o entre-eixos até se sustenta na média, mas o comprimento menor denuncia que não há milagre em embalagem. O SUV da GM não vai entregar o mesmo respiro de cabine nem a mesma capacidade de porta-malas que os prováveis rivais.
O Sonic até cumpre bem o papel se o compararmos com Tera e Pulse, mas quando o sarrafo sobe fica claro que Nivus e, principalmente, Fastback têm futebol com mais classe. Aqui, o Chevrolet não perderia por erro de projeto, mas por erro de estratégia.
Design e motorização
Tivemos também algumas pitadas de design reveladas pela GM. O modelo tem uma tímida pegada cupê e adota a linguagem recente da marca, com dianteira mais horizontalizada e, principalmente, o conjunto de iluminação dividido — solução que já aparecia nas nossas projeções. Os faróis em dois níveis ajudam a ampliar visualmente a dianteira e dão ao carro um aspecto mais moderno e alinhado ao que se vê em modelos globais da Chevrolet.
Se por fora a GM mostrou mais, ainda que com o veículo camuflado, por dentro preferiu o silêncio. A montadora optou por segurar a onda e não comentou acerca do interior e, principalmente, da mecânica.
Mesmo assim, o cenário é conhecido. A aposta mais provável é o motor 1.0 turbo flex de três cilindros já utilizado na linha, com até 115 cv de potência. A dúvida está no sistema de injeção: a marca pode optar pela configuração multiponto do Onix, mais simples e consolidada, ou pela direta do Tracker, que entrega ganhos em eficiência e desempenho, mas demanda rigor em manutenção e qualidade de combustível.
Independentemente da escolha, o conjunto deve trabalhar com câmbio manual ou automático, sempre de seis marchas, repetindo receita básica da Chevrolet no Brasil.
Outro ponto que merece atenção é a manutenção da correia dentada banhada a óleo, solução adotada no motor 1.0 turbo flex. Sob o ponto de vista técnico, reduz atrito e melhora a eficiência do conjunto, mas exige cuidados extremos com lubrificação e intervalos de manutenção. Pode se tornar uma baita de uma bomba.
O Fiat Fastback tem opções distintas de motorização. Versões de entrada dispõem do 1.0 turbo flex de 130 cv e 20,4 kgfm aliado ao câmbio CVT. As versões Audace e Impetus têm ainda o sistema híbrido leve da Stellantis de 12V a fim de mitigar emissões.
Para completar, há ainda o motor 1.3 turbo 270. Na opção Limited Edition, rende 176 cv e 27,5 kgfm. Já o Fastback Abarth tem o mesmo propulsor, mas com calibração que garante até 185 cv. O câmbio é automático de seis marchas.
Por fim, o Volkswagen Nivus oferece opções com motor 1.0 TSI de 128 cv e 20,4 kgfm e com o 1.4 TSI de 140 cv e 25,5 kgfm — também com pegada mais esportiva. O câmbio é o automático de seis marchas.
Dito tudo isso, a escolha da GM vai dizer muito mais sobre o caráter do Sonic do que o desenho da carroceria. Se vier com a injeção multiponto, o SUV tende a repetir o Onix, com entrega honesta, funcionamento previsível e custo sob controle. Com a direta, como no Tracker, ganha fôlego e eficiência, mas também entra no território da maior exigência. Em qualquer cenário, é um conjunto mais pragmático do que apaixonante.
O ponto sensível mora mesmo na correia dentada banhada a óleo. Esse tipo de solução simplesmente não tolera descuido. Óleo fora da especificação, troca atrasada ou manutenção "criativa" podem acelerar desgaste e contaminar o sistema. No pior dos cenários, o motor pode "pedir para sair".
No contexto brasileiro, onde manutenção muitas vezes vira exercício de economia, é o tipo de componente que pode transformar um conjunto aparentemente simples em dor de cabeça cara.
Posicionamento
A Chevrolet revelou que o Sonic ficará posicionado entre o pseudoaventureiro Onix Activ e o Tracker. No entanto, a marca ainda não divulgou os preços do SUV.
Portanto, aqui, faremos um exercício de futurologia e também, claro, de análise de mercado. Tomemos como base, num primeiro momento, os preços de Volkswagen Tera e Fiat Pulse.
O modelo da montadora alemã parte de R$ 107.190 e chega aos R$ 146.190. Já o Pulse tem preço sugerido que começa em R$ 103.990 e vai aos R$ 162.490 na opção de topo.
Desse modo, os preços do Sonic poderiam ficar entre R$ 110 mil e R$ 150 mil. Caso a GM fique "ouriçada" e decida lançar uma versão com pegada esportiva do seu novo modelo, o teto poderia passar a R$ 160 mil.
Só que temos um porém: a GM pretende usar o Sonic contra Nivus e Fastback. O primeiro tem preços entre R$ 119.990 e R$ 189.690, enquanto o segundo é comercializado a partir dos mesmos R$ 119.990 e vai até R$ 183.990.
Neste caso, embora o Sonic até possa ser a opção mais acessível, provavelmente comercializado na faixa dos R$ 150 mil, perde feio tanto em termos de porte quanto de dinâmica. Disputar espaço com Nivus e Fastback não é a melhor escolha.
Vale a pena esperar pelo Chevrolet Sonic?
Agora, a resposta de milhões. Será que vale a pena esperar pelo Chevrolet Sonic? O modelo deve ser lançado em maio e chegar às lojas, mais tardar, em junho.
Bom. Vamos lá. O Fiat Fastback é mais versátil e tem opções para todos os gostos. O Nivus é mais conservador, com mecânica conhecida, boa dinâmica e sem sustos.
O Sonic, por sua vez, promete um pacote equilibrado, com espaço interno adequado, conjunto já testado e posicionamento racional. O problema é que não traz, pelo menos até aqui, nenhum diferencial claro que o coloque à frente dos rivais.
A GM até fala em "faróis full LED com projetor, desenvolvido para reduzir pela metade a massa das peças". Também promete conjunto de assistentes à condução (ADAS) que monitora permanentemente o cenário à frente para auxiliar o motorista em situações de risco. Só que a empresa fez vista grossa no release para a presença de piloto automático adaptativo.
Esperar pelo modelo, então, vai depender mais do seu perfil do que de qualquer outra coisa. O Sonic tem tudo para ser um carro bem acertado no dia a dia e com predicados interessantes para o segmento.
Por outro lado, carrega incertezas relevantes. A manutenção da correia banhada a óleo, que exige disciplina quase religiosa, é a principal delas.
Se a GM acertar o preço e não "inventar moda" no pacote, o Sonic até pode virar uma das opções mais equilibradas da categoria. Mas hoje, com Fiat Pulse e Volkswagen Tera já consolidados, o modelo ainda é mais promessa do que realidade.
Este redator, por exemplo, não esperaria por um SUV subcompacto que pode render muitas dores de cabeça por conta da manutenção. Caso estivesse procurando por carro do segmento, certamente optaria por Tera ou Pulse e não esperaria pelo Sonic. Deixaria o Chevrolet se provar no mercado por, pelo menos, dois anos para considerar sua compra ante aos rivais.