Preço de usados estaciona em julho; elétricos acumulam 46% de desvalorização
Índice do banco BV aponta aumento de apenas 0,07% e, para os especialistas, isso indica uma acomodação dos preços após longo período de altas
Apesar de os preços continuarem subindo, o mercado de carros usados apresentou a menor alta mensal desde março de 2025, de acordo com o índice IBV Auto, do banco BV. Em julho, o aumento foi de apenas 0,07%, bem abaixo dos 0,57% registrados em junho de 2026.
No acumulado de 2026, o IBV calcula uma alta de 3,56% no preço médio dos veículos usados. Porém, nos últimos 12 meses, o aumento desacelerou de 6,87% para 6,10%.
Apesar de o cenário de alta se manter, a desaceleração indica um movimento de acomodação.
"O movimento reflete um ambiente mais desafiador, marcado pela maior concorrência das montadoras chinesas, queda dos preços dos veículos novos, crédito ainda restritivo, desaceleração do mercado de trabalho, aumento da inadimplência e elevado comprometimento da renda das famílias", explica Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.
Gol, Palio e Kicks registram as maiores altas
Os modelos "populares" registraram as altas mais expressivas em julho. O Chevrolet Celta teve o maior aumento do mês, de 2,62%. Atrás dele vieram o Fiat Palio (+2,20%) e o Nissan Kicks (+1,92%).
Por outro lado, o VW Fox registrou a maior retração no mês de julho, com seu preço caindo 2,01%. A segunda maior queda foi a do Jeep Compass, cujo preço médio recuou 1,74%, seguido pelo Chevrolet Onix, com redução de 1,11%.
Piauí tem maior redução no preço do carro usado
Entre os estados, o Piauí registrou a maior queda no preço médio dos carros usados em julho, de 1,08%. Na outra ponta, o Amapá foi onde os valores mais subiram, com alta de 0,71%.
Nos últimos 12 meses, nenhum estado brasileiro apresentou retração nos preços. São Paulo (+4,46%), Mato Grosso (+4,37%) e Pará (+4,14%) foram os estados com menores aumentos. Já Rio Grande do Sul (+6,51%), Rio de Janeiro (+7,65%) e Minas Gerais (+7,66%) acumulam as maiores altas.
Para os especialistas do banco BV, o mercado de usados está entrando em uma fase de ajustes.
"Em julho, 16 estados registraram queda nos preços dos automóveis usados, diferentemente de junho, quando houve alta em todo o país. Modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da valorização, mas veículos de maior volume de negociação, como Onix, Gol, Uno e Kwid, já mostram perda de fôlego", explica o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan.
Carros elétricos acumulam maior desvalorização
Entre os veículos eletrificados, o cenário de desvalorização se mantém. Nos modelos 2023, os elétricos já acumulam 46,15% de desvalorização.
É um cenário bem diferente ao dos híbridos, que acumulam 26,85% de depreciação, percentual mais próximo do registrado pelos modelos a combustão, que acumulam 21,40%.
No caso dos elétricos, o que mais afeta a precificação dos usados é o mercado de veículos novos. A alta concorrência das montadoras chinesas, a redução dos preços dos modelos novos e a rápida evolução tecnológica pressionam cada vez mais os valores dos usados.
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