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Picapes e SUVs grandes são os mais letais em acidentes, diz estudo

Estudo do IIHS revela que modelos grandes protegem seus motoristas, mas têm alta taxa de mortalidade em colisões com outros carros

31 ago 2026 - 20h29
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Resumo
Um estudo do IIHS revelou que picapes e SUVs de grande porte oferecem alta proteção aos seus ocupantes, mas são os mais letais para terceiros em colisões, com a picape Ram 3500 liderando a mortalidade de outros motoristas. Em contrapartida, carros compactos como Kia Rio e Nissan Versa registram os maiores índices de mortes de seus próprios condutores devido à desvantagem física contra veículos pesados. O relatório aponta ainda que a direção agressiva em modelos esportivos amplia o risco fatal.

O nível de segurança é um dos fatores mais importantes na hora de comprar um carro novo. Airbags, estrutura reforçada e sistemas semi-autônomos costumam pesar na decisão. No entanto, o maior perigo no trânsito pode não estar no seu próprio veículo, mas no de terceiros.

Um levantamento do Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária dos EUA (IIHS) revelou um dilema sério nos acidentes fatais. A ascensão de picapes e SUVs de grande porte criou uma bolha de proteção individual que eleva o risco para os outros motoristas.

A pesquisa analisou dados reais de colisões com modelos do ano-modelo 2023 e equivalentes anteriores. Para medir o impacto no trânsito, o IIHS dividiu o indicador em duas vertentes: o risco de morte para os ocupantes da cabine e a taxa de mortalidade causada a terceiros.

A relação entre tamanho e letalidade no trânsito

A principal revelação do relatório surge na métrica que mede os danos a terceiros. O modelo com a maior taxa de mortalidade cruzada nos EUA não é um esportivo, mas sim a picape Ram 3500 Crew Cab Long Bed 4WD. O utilitário registrou uma taxa de 204 mortes de outros motoristas por milhão de veículos registrados ao ano.

O predomínio de utilitários pesados no topo do ranking é absoluto. Modelos como a Chevrolet Silverado 3500 (126 mortes de terceiros/milhão) e variações da Ram 1500 e 2500 lideram a lista. No geral, a Stellantis — grupo responsável por Ram e Dodge — reúne sete dos dez veículos mais letais para terceiros no trânsito norte-americano.

O contraste com a proteção interna desses gigantes é grande. Enquanto uma picape pesada devasta veículos menores, seus próprios ocupantes desfrutam de um risco de morte drasticamente reduzido. SUVs e picapes grandes como Toyota Tundra, Chevrolet Tahoe, Audi Q7 e Mercedes-Benz GLE registraram zero morte de seus condutores no período analisado.

Os veículos mais vulneráveis em colisões

Na outra ponta da estatística, entre os carros com maior taxa de mortalidade para o próprio condutor, o estudo indica que o problema vai além da resistência estrutural.

Existem dois fatores principais que podem ser destacados:

  • Desvantagem física: os dois modelos que lideram o índice de mortalidade são o Kia Rio (170 mortes do condutor/milhão) e Nissan Versa (164 mortes/milhão). Embora tenham boas notas em testes de colisão de laboratório, a estrutura leve cede ao colidir contra a massa de SUVs e caminhonetes. Ou seja, veículos compactos estão mais suscetíveis a gerar danos aos seus ocupantes em acidentes contra carros maiores.
  • Comportamento ao volante: modelos como Dodge Challenger e Charger também figuram no topo das estatísticas. O Charger HEMI registra alta mortalidade tanto para seu condutor (127/milhão) quanto para ocupantes do outro veículo (161/milhão). Nesses casos, a forma mais agressiva de direção de seus condutores também faz diferença nos dados.

"Mesmo os carros pequenos mais seguros não se saem bem em colisões com picapes grandes e SUVs pesados. Motores potentes e estratégias de marketing que atraem motoristas agressivos são um problema nos esportivos. Eles são perigosos principalmente pela maneira como são dirigidos", afirma David Harkey, presidente do IIHS.

O estudo demonstra que a segurança veicular vai além de equipamentos de proteção e notas em crash tests. Em colisões entre veículos de porte e peso desproporcionais, a física acaba definindo o destino de quem está ao volante.

Estadão
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