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Ferrari mais "odiada" da história, Luce se torna o quinto carro mais caro do mundo

Ela foi arrematada por R$ 208,8 milhões; McLaren F1 de ex-baterista do Pink Floyd sai por R$ 180 milhões e é o 10º do ranking

18 ago 2026 - 17h12
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Ferrari mais rechaçada na história de quase 80 anos da marca italiana, a elétrica Luce se tornou o 5º carro mais caro do mundo após o primeiro exemplar produzido do modelo ser arrematado por US$ 40 milhões (R$ 208,8 milhões) no Monterey Auction, realizado pela RM Sotheby's no último sábado (15), na Califórnia (EUA).

Custando a partir de 550 mil euros (pouco mais de R$ 3,22 milhões na conversão direta), a Luce gerou muita controvérsia em seu lançamento. Apesar de entregar 1.050 cv de potência, muitos puristas criticaram seu design e a motorização elétrica.

Até o ex-presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, criticou duramente a Luce na época do lançamento, afirmando que o modelo não era digno de ostentar o emblema do cavalo rampante.

De acordo com a casa de leilões, toda renda do modelo será doada para a Ferrari Foundation.

McLaren F1 também bate recorde

Outro modelo que sai da Monterey Car Week com um recorde no currículo é o McLaren F1 GTR 1996 que por mais de 25 anos pertenceu ao ex-baterista do Pink Floyd e colecionador Nick Mason, arrematado por US$ 34,6 milhões (R$ 180,6 milhões) no mesmo leilão.

Até o Monterey Auction, a lista de carros mais caros do mundo era composta apenas por automóveis clássicos, sendo três Mercedes e sete Ferraris. A Luce se torna o primeiro modelo zero-quilômetro do ranking, e o McLaren F1 GTR, de 1996, o segundo exemplar mais novo da lista:

Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé 1955: US$ 142.000.000 (RM Sotheby's, Stuttgart, 2022)

Baseado no W 196 R, carro de corrida que conquistou dois campeonatos mundiais com Juan Manuel Fangio ao volante, esse 300 SLR era especial porque, além de existir apenas mais um igual a ele, fora o carro de uso pessoal de Rudolf Uhlenhaut, o engenheiro que criou o modelo e um dos principais nomes da Mercedes em seu retorno às competições.

Mercedes-Benz W 196 R Stromlinienwagen 1954: US$ 53.917.370 (RM Sotheby's, Stuttgart, 2025)

O segundo carro mais caro já leiloado vem da mesma família do primeiro, mas encaixado em uma carroceria Stromlinie, mais aerodinâmica. Que para compensar o peso extra foi construída em liga de magnésio Elektron, mais leve que alumínio, o que manteve a massa total em cerca de 40 kg.

De acordo com a RM Sotheby's, realizadora do leilão que arrematou o carro que a Mercedes doara ao Indianapolis Motor Speedway Museum em maio de 1965, dos 14 chassis construídos do W 196 R, quatro foram montados sob uma carroceria Stromlinie - e esse, número 00009/54, foi o exemplar da vitória de Juan Manuel Fangio no GP da Argentina de 1955; em setembro, no GP de Monza e com Stirling Moss ao volante, o bólido se despediu das pistas.

Ferrari 330 LM / 250 GTO by Scaglietti 1962: US$ 51.705.000 (RM Sotheby's, Nova York, 2023)

Descrito pela casa de leilões como "The One", o chassi número 3765 é o único da linhagem GTO que disputou corridas pela própria Scuderia Ferrari, que escalou Mike Parkes e Lorenzo Bandini para as 24 Horas de Le Mans de 1962; também conquistou a vitória em sua categoria e um segundo lugar nos 1.000 quilômetros de Nürburgring no mesmo ano.

Ferrari 250 GTO 1962 by Scaglietti: US$ 48.405.000 (RM Sotheby's, California, 2018)

Terceira 250 GTO produzida, soma 16 vitórias no currículo (incluindo duas edições da tradicional Targa Florio) e é considerada por especialistas da marca uma das mais autênticas e originais existentes.

Ferrari Luce "Tailor Made" 2026: US$ 40.000.000 (RM Sotheby's, California, 2026)

Identificada como "Chassis 0", a primeira Luce produzida passou pelo programa de customização Ferrari Tailor Made, que desenvolveu a pintura "Madreperla Semi-Gloss" especialmente para este exemplar.

A personalização externa inclui rodas brancas de cinco raios, pinças de freio brancas feitas sob medida e um logotipo exclusivo da Ferrari sobre fundo branco. O tema estende-se ao interior, com o uso de couro metálico na tonalidade "Perla Le Mans".

Ferrari 250 GTO 1962 "Bianco Speciale": US$ 38.500.000 (Mecum, Flórida, 2026)

Chassis número 3729 GT, a 250 GTO "Bianco Speciale" foi entregue em 28 de julho de 1962 a John Coombs, piloto e dono de equipe britânico. Pouco depois, foi emprestada ao departamento de competições da Jaguar para testes de aerodinâmica e performance.

Naquela corrida, outra 250 LM e uma 275 GTB fecharam o pódio dominado pela Ferrari, que só voltaria a vencer em Le Mans em 2023. Sexta e mais importante das 32 unidades construídas da 250 LM, a vencedora passou 54 anos preservada pelo Indianapolis Motor Speedway Museum.

Ferrari 335 Sport Scaglietti 1957: US$ 35.700.000 (Artcurial, Paris, 2016)

"Mantido pela McLaren desde novo, testado em preparação para as 24 Horas de Le Mans de 1996 e posteriormente convertido pela fábrica para uso em estradas, o chassi 10R foi adquirido diretamente da McLaren por Nick Mason em 1999. Mais do que um carro de competição, representa uma rara convergência entre o automobilismo britânico, a engenharia, o design, a música e a cultura popular", explica a RM Sotheby's. Outra exclusividade é a pintura vermelha com grafismos amarelos.

Estadão
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