CFMOTO prepara motos abaixo de 450 cc, elétricas e quer vender 55 mil unidades por ano no Brasil
Em entrevista exclusiva ao Jornal do Carro, Head de Motocicletas da CFMoto, considerada a 'BYD das motos' revela novos lançamentos em testes no País, confirma chegada de motos elétricas e diz que marca pretende ampliar a rede de concessionárias de forma gradual.
A CFMOTO mal iniciou as vendas de motocicletas no Brasil e já prepara a próxima fase de sua expansão.
Em entrevista ao Jornal do Carro, o head de Motorcycle Business da marca, Urano Carvalho, confirmou que a fabricante já testa novos modelos no País, pretende ampliar seu portfólio para faixas abaixo de 450 cilindradas, avalia trazer motocicletas elétricas e trabalha com uma meta pessoal de atingir 55 mil unidades vendidas por ano até 2030.
As declarações foram feitas após a estreia comercial da fabricante chinesa no Brasil, que vendeu praticamente todo o primeiro lote de motocicletas em cerca de 40 minutos, o segundo e o terceiro lotes em cerca de cinco minutos e que já acumula uma lista de espera considerável. Segundo Carvalho, o desempenho superou as expectativas e confirmou que havia demanda reprimida por modelos de média cilindrada, sobretudo no segmento trail.
Contudo, não é apenas nas motos de trilha ou estradeiras que a CFMoto está colocando seus esforços. Hoje a CFMOTO comercializa no Brasil apenas motocicletas acima de 450 cilindradas. Porém, isso deve mudar.
Questionado pelo Jornal do Carro sobre uma possível entrada nos segmentos de 125 cm³ a 300 cm³, Urano confirmou que a empresa já trabalha com essa possibilidade.
Segundo ele, a fabricante possui um amplo portfólio global e diversos produtos já estão em fase de testes no Brasil. A estratégia, porém, será ampliar a linha de forma gradual.
Motos elétricas da Zeeho também estão em avaliação
Outro segmento confirmado nos planos da empresa é o de motocicletas elétricas. Segundo Carvalho, a CFMOTO já possui uma divisão dedicada a esse tipo de veículo na China e algumas unidades já estão sendo enviadas ao Brasil para testes e homologação.
A intenção é avaliar a legislação nacional e entender o potencial desse mercado antes de iniciar as vendas — veja mais no vídeo acima.
"Nós já temos motos sendo embarcadas para o Brasil para começar os testes. É uma possibilidade muito real para um futuro que esperamos ser breve", afirmou.
Na avaliação do executivo, a infraestrutura de recarga representa um desafio menor para motocicletas do que para automóveis elétricos, já que esse tipo de veículo costuma ser utilizado principalmente em deslocamentos urbanos e exige menos energia para recarga.
Meta é vender 55 mil motos por ano
Embora a empresa ainda não divulgue uma meta oficial de participação de mercado e nem como vai chegar nela, Carvalho revelou seu objetivo pessoal para os próximos anos.
Para 2027, a expectativa é produzir cerca de 12 mil motocicletas na fábrica de Manaus. Já em 2030, a meta é atingir 55 mil unidades comercializadas por ano. Para se ter noção, esse número representaria quase a mesma quantidade de vendas da Honda PCX 160, que comercializou 53.728 unidades no acumulado de janeiro a dezembro de 2025.
Segundo ele, a prioridade não será crescer rapidamente, mas consolidar uma estrutura capaz de atender os clientes em todas as etapas da jornada de compra, algo que foi dito diversas vezes durante a entrevista.
Ou seja, segundo Urano, a expansão será gradual. Hoje a CFMOTO possui oito concessionárias de motocicletas em operação no Brasil. A fabricante pretende ampliar essa rede, mas sem repetir estratégias de expansão acelerada adotadas por outras marcas e que buscam competir em um segmento de maior volume, como no segmento de baixa cilindrada.
De acordo com Urano, novas lojas só serão abertas quando a empresa tiver segurança de que conseguirá oferecer atendimento adequado, disponibilidade de peças e suporte técnico.
"Nós não vamos abrir 100 concessionárias imediatamente. Vamos crescer na medida em que conseguirmos manter o cliente bem atendido em todas as áreas", explicou.
Estoque de peças e preços fazem parte da estratégia
Outro ponto destacado pelo executivo foi o pós-venda. Segundo Carvalho, a fabricante iniciou as operações já com mais de 35 mil itens em estoque, enviados às concessionárias antes mesmo da chegada das motocicletas.
Hoje, segundo ele, o maior prazo para envio de uma peça do centro de distribuição às lojas é de dois dias. A política comercial implementada por ele e pelo time de executivos da CFMoto também busca evitar aumentos de preços logo após os lançamentos.
Carvalho afirmou que os valores divulgados não são promocionais e que a intenção é mantê-los enquanto as condições cambiais e econômicas permitirem. "O preço que lançamos é nossa política comercial, não uma campanha. Vamos manter esses valores pelo maior tempo possível", disse.
Ibex 450, trail de média cilindrada, lidera procura
O executivo confirmou ainda que a Ibex 450 é a motocicleta da CFMoto mais procurada da marca no Brasil. Segundo ele, além das cerca de 700 unidades comercializadas no primeiro lote, a fabricante já contabiliza aproximadamente 68 mil interessados cadastrados para receber avisos quando novas motos estiverem disponíveis.
Para Carvalho, o resultado demonstra que existe espaço para novas marcas no segmento de média cilindrada e reforça a estratégia da CFMOTO de ampliar sua presença no mercado brasileiro de forma gradual, acompanhando o crescimento da estrutura de atendimento e da rede de concessionárias.
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