Avaliação: Chevrolet Montana chama Fiat Toro para a briga
Depois de rodar uma semana com a Nova Montana, tiramos a cisma sobre a suspensão traseira (mas a caçamba é só um luxo)
O Chevrolet Montana passou por nossa avaliação do dia a dia. Durante uma semana, rodamos com a Nova Montana em todas as situações possíveis, o que é diferente de rodar no percurso escolhido pelo fabricante e com tempo limitado. A notícia é boa: a picape tem, sim, condições de brigar com o Fiat Toro.
O posicionamento da Nova Montana deixou muitos consumidores na dúvida sobre qual era seu verdadeiro alvo no segmento de picapes: a Nova Strada ou a “velha” e consagrada Toro. É fato que o veículo da Chevrolet está no meio das duas picapes da Fiat, mas a Nova Montana chama a Toro para a briga nas versões automáticas.
A versão avaliada foi a Premier 1.2 turbo flex, topo de linha, que custa R$ 140.490. Para dar uma ideia, a Toro mais em conta é a Endurance, que sai por R$ 146.990. A diferença de preço é de R$ 6.500 a favor da Montana.
O que é novo – Tudo é novo. Trata-se da segunda geração do Chevrolet Montana. A primeira geração (baseada no Chevrolet Corsa) foi lançada em 2003 e teve um facelift em 2010 (baseado no Chevrolet Agile).
A Nova Montana usa a mesma plataforma dos modelos Onix, Onix Plus e Tracker. Não é exagero dizer que o Chevrolet Montana passou a ser quase um Tracker com caçamba, pois do início do carro até a coluna B (após a porta dianteira) é igual.
O que nós gostamos – O principal item sobre o qual tínhamos dúvida era a suspensão traseira por eixo de torção. No test drive do lançamento da Nova Montana a suspensão não absorveu as irregularidades do piso e a picape oscilou demais verticalmente. Agora, não. O comportamento dinâmico foi exemplar.
Com a suspensão bem ajustada e os pneus com a pressão correta, a Nova Montana teve um rodar macio e confortável. Não deu nenhum pulo como da outra vez e não registramos nenhuma batida seca. E olha que rodamos com a picape vazia e também carregada. Foi mesmo uma experiência bastante parecida com a de dirigir o SUV Tracker.
A multimídia facílima de conectar (com memória das conexões passadas), o espaço no banco traseiro, a capacidade do porta-malas, o design, a posição de dirigir elevada, a oferta de equipamentos de segurança (com 6 airbags) e a manobrabilidade da picape agradaram bastante.
Há vários outros aspectos positivos no Chevrolet Montana 2023, como já relatamos durante o lançamento da picape. O tamanho compacto da picape é um deles.
O que pode melhorar – O ajuste de altura e profundidade do volante poderia ser mais leve. É preciso fazer esforço na alavanca que destrava a coluna de direção e isso lembra alguns carros chineses, como o Haval H6, da GWM.
A caçamba Multi-Flex é uma ideia bacana, mas sua utilização não é nada prática. No dia a dia normal, seja carregando bagagens ou fazendo compras no supermercado, o sistema de compartimentos não serviu de nada. Foi mais prático deixar malas e sacolas de qualquer jeito na caçamba. Quanto às compras de supermercado, foi mais prático deixá-las no banco de trás.
O câmbio automático de 6 marchas poderia ter trocas de marcha manual no volante, tipo borboleta, para situações específicas que podem surgir na estrada, especialmente em rodovias de pista simples.
Potência e KML – O motor 1.2 turbo da GM tem praticamente a mesma potência com gasolina ou com etanol: 132 e 133 cv (ambos a 5.500 rpm). Já no torque há uma boa diferença: 190 Nm com gasolina e 210 Nm com etanol (ambos de 2.000 a 4.500 rpm). O câmbio automático de 6 marchas permite ir de 0 a 100 km/h na casa dos 10 segundos.
O consumo com etanol não chega a empolgar (a Montana faz 7,7 km/l na cidade e 9,3 na estrada), mas com gasolina é muito bom. Segundo o Inmetro, a Nova Montana faz 11,1 km/l na cidade e 13,3 na estrada.
Notas (pela categoria)
Desempenho - 7 (muito bom)
Consumo - 8 (muito bom)
Dirigibilidade - 9 (muito boa)
Conforto - 9 (ótimo)
Usabilidade - 10 (ótima)
Conectividade - 10 (ótima)
MÉDIA - 8,8 (MUITO BOM)
Veredicto – Vale a pena comprar o Chevrolet Montana Premier. A picape da GM tem preço mais acessível do que o Fiat Toro e tem algumas vantagens: é mais fácil de estacionar, o motor 1.2 de 133 cv não é superdimensionado como o 1.3 de 185 cv da Stellantis, ela é mais alta do que a Oroch, da Renault, e tem o interior tão confortável quanto o da líder da categoria (Toro), embora seja menor. Também leva vantagem no consumo.
Dimensões e capacidades
Comprimento: 4,717 m
Largura: 1,798 m
Altura: 1,659 m
Entre-eixos: 2,800 m
Caçamba: 874 litros
Tanque: n/d
Preços
Chevrolet Montana Premier - R$ 140.490
Chevrolet Montana LTZ - R$ 134.490