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Apple Car Play e Android Auto podem acabar?

Os principais sistemas de espelhamento de smartphones das centrais multimídia podem estar com os dias contatos

21 jan 2026 - 16h08
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No fim do ano passado a General Motors anunciou o abandono de sistemas de espelhamento de smartphone, os conhecidos Apple Car Play e Android Auto. Por serem tecnologias populares a decisão foi recebida com desconfiança pelo mercado e pelos consumidores.

É notável que durante quase uma década, o espelhamento de smartphone foi o item "obrigatório" para qualquer comprador de carro. No entanto, o cenário mudou drasticamente. O que começou como uma experiência de conveniência tornou-se o centro de uma disputa bilionária por dados, controle e receita recorrente.

Para entendermos melhor essa disputa entrevistamos o CEO da LogiGo, Antônio Azevedo, trata-se de uma empresa de tecnologia brasileira especializada em veículos conectados. Para o executivo esses sistemas de espelhamento são simplificados e a tendência de curto a médio prazo é que o setor automotivo evolua para conexões mais robustas que permitam uma independência dos smartphones.

"Esses espelhamentos são claramente limitados pois dependem do pacote de dados e da bateria dos celulares para funcionarem e é nítido que sistemas nativos como o Google Built-in (baseado no Android Automotive OS) são mais estáveis e também com uma operação fácil e intuitiva", diz Azevedo.

O especialista explica que a antena dos carros permite uma conexão com a internet muito mais estável que a antena embutida dos celulares e o chip embarcado na central multimídia permite pagar um pacote de dados próprio garantindo a velocidade da conexão.

A GM justifica a mudança alegando uma "integração profunda". Ao utilizar o sistema Google Built-in, o carro consegue cruzar dados de navegação com sistemas de assistência ao motorista de forma que um celular espelhado não conseguiria fazer.

O mesmo sistema é utilizado pela Volvo desde a linha 2023 de modelos como XC40 Recharge, C40,S60, S90 e a nova linha EX30 e EX90. Há integração com o Android Auto, mas a multimídia funciona de forma mais amigável ao ser utilizada por meio de aplicativos nativos como Google Maps.

Outras marcas já trilham esse caminho da independência do espelhamento há mais tempo:

  • Tesla: A pioneira. Elon Musk sempre se recusou a entregar o painel para Apple ou Google, focando em um ecossistema próprio que controla desde o entretenimento até o carregamento.
  • Rivian e Lucid: Seguindo o modelo da Tesla, as startups de luxo focam em software proprietário para garantir que a experiência do usuário seja única e controlada pela marca.
  • Ferrari e Aston Martin: Embora algumas marcas de superluxo ainda ofereçam o espelhamento, elas têm resistido à nova geração do "CarPlay Ultra", que assume todas as telas do painel (incluindo o velocímetro), temendo a perda da identidade visual da marca.

Estima-se que as montadoras quebrem a barreira dos US$ 20 bilhões em receita de software até 2030. Ao remover o espelhamento gratuito, elas podem cobrar assinaturas por mapas premium, Wi-Fi nativo e aplicativos de música. Além disso, as marcas voltam a ter controle do comportamento do consumidor e esses dados são extremamente valiosos.

Com a chegada de IAs como o Gemini (Google) e assistentes da Apple, as marcas querem que o "cérebro" do carro seja uma extensão da própria montadora, e não um acessório do celular.

Na contramão da GM, gigantes como Ford, Toyota e Volkswagen transformaram a manutenção do CarPlay em uma ferramenta de marketing.

No final de dezembro de 2025, a CFO da Ford, Sherry House, reafirmou que a empresa continuará oferecendo o espelhamento: "Nossos clientes amam o CarPlay e queremos dar a eles essa escolha".

Pesquisas recentes da J.D. Power mostram que a falta desses sistemas ainda é um "fator de desistência" para cerca de 35% dos compradores, o que torna a estratégia da GM um movimento de alto risco.

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Foto: Volkswagen/Divulgação / Estadão

Na opinião do CEO da LogiGo a Volkswagen está em um 'meio-termo' pois desenvolveu a VW Play que permite a instalação de aplicativos nativos populares como Waze e Spotify e traz um chip próprio (resolvendo a questão da estabilidade de sinal), mas ainda garante uma boa integração com o Apple Car Play e Android Auto.

Há benefícios para a migração para sistemas próprios das marcas e é evidente que o espelhamento traz funções limitadas, porém se o consumidor tiver que pagar para poder se guiar pelo mapa ou ouvir uma música na central a mudança não será bem aceita.

Estadão
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