Jogamos: Code Vein II traz aventura ambiciosa e evolução em relação ao antecessor
O Terra Game On participou do evento de Code Vein II da Bandai Namco em Los Angeles, onde tivemos a oportunidade de testar o jogo
O Terra Game On teve a oportunidade de participar do evento de Code Vein II, ocorrido em 10 de dezembro de 2025, em Los Angeles, onde testamos a versão do jogo para PlayStation 5. Além disso, conversamos com Keita Iizuka e Hiroshi Yoshimura, respectivamente produtor e diretor de Code Vein II.
Lançado em 2019, Code Vein foi mais um jogo de ação e RPG que teve seus sistemas de jogos inspirados por Dark Souls, mas ao contrário de vários outros "soulslike", se destacou por possuir vários méritos e chamarizes próprios, como um ótimo sistema de luta com parceiro, sua estética anime com elementos pós-apocalípticos, e diálogos e cenas carregados de dramaticidade. Sucesso de vendas (o game teria vendido entre 2 a 4 milhões de cópias físicas e digitais), a Bandai Namco agora em 2026 traz uma sequência ambiciosa, que evoluiu muito sobre a base do antecessor.
Uma viagem no tempo
Ao contrário do que o título dá a entender, ainda que Code Vein II compartilhe o mesmo universo e tenha um estilo visual semelhante, não é uma sequência direta de Code Vein. O jogador é apresentado a personagens e trama originais, e aqui também fica clara a linha que a equipe de desenvolvimento seguiu: fazer de Code Vein II uma grande evolução em relação ao seu antecessor. Code Vein 2 logo coloca a disposição um editor para criar seu avatar ainda mais cheio de opções de customização que o do primeiro jogo, cheio de minúcias e ajustes diversos para cabelo, olhos, expressões faciais, vestuário, acessórios e o que mais o jogador estiver afim de customizar para seu avatar.
A maior novidade da campanha de jogo é um recurso ausente do game de 2019: a possibilidade de viajar no tempo e interferir nos acontecimentos e nos destinos dos personagens presentes na trama. Para isso, o jogador contará com a ajuda de Lou, uma "Aparição" capaz de abrir portais para atravessar o tempo, e que acompanhará o jogador por toda a campanha. Lou também auxilia o jogador através das "Confluences", uma nova cena especial que é habilitada quando o jogador ativa os checkpoints do jogo. Nela, Lou explica detalhes da história e dos demais personagens ao jogador.
As viagens no tempo, além de alterar o curso da história, também permitem ao jogador explorar versões passadas dos mundos de jogo, além de conhecer o passado e os motivos das atitudes e ações que os personagens tomam no game, fazendo com que as batalhas do jogador tenham um peso dramático bem mais acentuado que o do Code Vein original.
Código refinado
Uma das limitações do game original era que os mapas entre os calabouços por vezes se mostravam um tanto estreitos, impedindo o jogador de explorar a fundo o apocalipse e a destruição que podiam ser vistos nos cenários. Code Vein II corrige isso incluindo vários cenários como grandes campos e montanhas, catedrais destruídas e cidades em ruínas, todos com bom nível de detalhes e belos efeitos de luz. Assim como Metroid Prime 4, Code Vein II também incluiu uma moto para acelerar a exploração dos mapas entre calabouços.
Outro ponto de aperfeiçoamento foram os combates. O sistema de lutas com parceiro do game anterior permanece, porém foi expandido e ganhou dois mudanças: o modo convocar (summon), que permite chamar o parceiro para lutar fisicamente ao lado do jogador; e o modo incorporar (assimilate), em que o jogador absorve o parceiro, ganhando aumento de força e habilidades extras para usar nas batalhas. Como já mencionado, por se tratar de um "soulslike", os inimigos de Code Vein II podem causar bastante dano e surpreender os jogadores que estiverem desatentos.
Como se espera desse tipo de jogo, as lutas contra os chefes são bastante difíceis e exigentes em termos de domínio de defesa e esquiva. Alguns podem incluir mais de uma forma, ficando ainda mais agressivos. Para balancear isso, Code Vein II aumentou a quantidade de recursos que o jogador pode equipar em seu avatar, isso incluindo mais tipos de armas. O jogador pode optar por "builds" focadas em curta ou longa distância, e assim ajustar habilidades e pontos de habilidades em conformidade com seu estilo de jogo.
Ainda assim, a versão que tivemos acesso apresentou alguns pequenos problemas. Apesar de Code Vein II apresentar opção para Modo Performance, o jogo no geral pareceu ter uma taxa de quadros instável, e algumas cenas em especial deram a impressão de serem um pouco mais irregulares que outras. Também pude constatar vários casos de pop-in de texturas e alguns pequenos glitches gráficos (o clipping era bastante presente em alguns modelos de avatares), mais visíveis em cenas de diálogos. Por falar nisso, algumas cenas também apresentaram uma trilha de fundo com volume mais alto que as falas dos personagens. Os mesmo problemas apareceram no Modo Qualidade.
O que esperar do jogo quando for lançado
A equipe responsável por Code Vein II se atentou bastante ao feedback dos jogadores, e agora 7 anos depois, prometem entregar uma aventura bastante ambiciosa e que corrige várias limitações do game anterior. Code Vein II demonstrou bastante potencial para se destacar dentro do subgênero "souls like", com belos gráficos, um estilo pós-apocalíptico com mais nuance e drama que o game anterior, e sistema de jogo bastante melhorado.
Produtor e diretor de Code Vein II falam mais sobre o jogo
Além de testar Code Vein II, o Terra Game On também descobriu mais detalhes sobre decisões e escolhas de game design que influenciaram o jogo, em uma sessão de perguntas direcionadas ao produtor Keita Iizuka e ao diretor Hiroshi Yoshimura.
Terra Game On: Quais soluções de gameplay vocês implementaram em Code Vein II que foram impossíveis de colocar no primeiro game? Nesse sentido, que lições que vocês tiraram do desenvolvimento de Code Vein que vocês aplicaram no balanceamento de Code Vein II?
Keita Iizuka e Hiroshi Yoshimura: De Code Vein para Code Vein II, os grandes desafios foram dois pontos. O primeiro foi implementar o sistema de viagem no tempo, que permite aos jogadores voltar no tempo e interferir em alguns eventos, modificar o ambiente, a forma como alguns encontros acontecem no presente. O segundo ponto é o campo de jogo, o mapa que conecta os diferentes calabouços, que permite mais exploração e mais descobertas do mundo. Foi um desafio expandir essa parte do processo de construção do mundo, mas era uma coisa que queríamos fazer para Code Vein II.
Por outro lado, sobre as coisas que queríamos preservar de Code Vein e aperfeiçoar para Code Vein II está o "character drama" (esse foi um ponto que recebemos muitos retornos positivos dos jogadores), e também o sistema de parceiro. Claro, muitas dessas expansões e melhorias foram sendo possíveis graças ao desenvolvimento de novas tecnologias e do lançamento de novas plataformas de jogos, e nós achamos que estava na hora certa de implementá-las na experiência de jogo de Code Vein II.
Terra Game On: O primeiro Code Vein deu aos jogadores a opção de criar avatares em vez de oferecer personagens prontos. O que os motivou a manter essa opção em Code Vein II?
Keita Iizuka e Hiroshi Yoshimura: Em Code Vein, achamos que grande parte da experiência da história é desenvolvida sob a forma como o jogador vê o mundo, e é por isso que é importante desenvolver os relacionamentos entre esses personagens e ver o mundo através dos avatares seja a melhor maneira de manter um nível de imersão. Temos certeza que alguns jogadores desejam se projetar nesse mundo através de alguns dos avatares, ou sob a forma de um tipo certo de personagem que eles imaginam. E pensamos que permitir ao jogador desenvolver esses avatares e ter um nível de liberdade são importantes para que eles mergulhem no mundo de Code Vein II.
Code Vein II chega em 30 de janeiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.