Banjo-Kazooie completa 28 anos: por que o clássico da Rare ainda faz tanta falta
O tempo passou, a indústria mudou, mas o legado de Banjo-Kazooie continua vivo na memória de quem cresceu explorando Spiral Mountain
Em uma época em que quase todos os grandes estúdios buscavam criar mascotes para disputar espaço com Mario e Sonic, a Rare conseguiu algo raro até para seus próprios padrões: criar uma dupla que conquistou os jogadores logo na primeira aventura. Lançado em 29 de junho de 1998 para o Nintendo 64, Banjo-Kazooie completa 28 anos como um dos maiores clássicos da história dos videogames e, ao mesmo tempo, como uma franquia que parece esquecida pela própria indústria.
É curioso perceber que tantos personagens daquele período desapareceram com o tempo, mas poucos são lembrados com tanto carinho quanto o urso Banjo e a irreverente ave Kazooie. Mesmo sem um novo jogo principal há mais de duas décadas, a série continua sendo citada sempre que se fala nos melhores plataformas 3D já produzidos. Não é apenas nostalgia. Existe algo no design de Banjo-Kazooie que continua funcionando até hoje.
Quando a Rare vivia sua era de ouro
No fim dos anos 1990, a Rare era um dos estúdios mais respeitados da indústria. Depois de emplacar sucessos como Donkey Kong Country, a desenvolvedora parecia incapaz de errar. O Nintendo 64 recebeu uma sequência impressionante de clássicos produzidos pelo estúdio, incluindo GoldenEye 007, Diddy Kong Racing, Perfect Dark, Jet Force Gemini, Conker's Bad Fur Day e, claro, Banjo-Kazooie.
Em vez de tentar copiar Super Mario 64, que havia revolucionado o gênero dois anos antes, a Rare decidiu seguir um caminho próprio. O foco deixou de ser apenas chegar ao final da fase. Cada mundo passou a ser um enorme playground, repleto de segredos, quebra-cabeças, personagens caricatos e colecionáveis espalhados por todos os cantos.
O resultado era uma aventura que incentivava a curiosidade. Explorar era tão divertido quanto completar os objetivos.
Por que esses jogos perderam a força?
Nas últimas duas décadas, o mercado de jogos mudou drasticamente. Os jogos de plataforma 3D de grande orçamento (AAA) praticamente desapareceram, com raras e honrosas exceções vindas da própria Nintendo, como Super Mario Odyssey.
O foco da indústria migrou para mundos abertos hiper-realistas, narrativas cinematográficas pesadas e jogos como serviço. O próprio destino de Banjo-Kazooie mudou após a compra da Rare pela Microsoft em 2002. Embora Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts (2008) seja um jogo tecnicamente incompreendido e focado em construção de veículos, ele não era o que os fãs tradicionais queriam.
As tentativas espirituais de reviver a era, como Yooka-Laylee (desenvolvido por ex-membros da própria Rare), mostraram que recriar aquela magia de 1998 não é uma tarefa simples. Falta o equilíbrio milimétrico de level design, a progressão orgânica e, claro, a trilha sonora icônica e adaptável de Grant Kirkhope, que mudava de instrumentação dependendo da área em que o jogador entrava.
As participações especiais da dupla em Super Smash Bros. Ultimate reacenderam a esperança de um retorno, mas, até hoje, ela não passou disso.
Um clássico que merece voltar
Passados quase 30 anos, Banjo-Kazooie continua sendo muito mais do que um símbolo da era de ouro do Nintendo 64. É um lembrete de que criatividade, personalidade e um bom design de fases continuam sendo ingredientes capazes de atravessar gerações.
Talvez seja justamente por isso que, a cada aniversário da franquia, os pedidos por um novo jogo reaparecem nas redes sociais. Não é apenas saudade. É o reconhecimento de que Banjo e Kazooie representam um estilo de plataforma que praticamente desapareceu dos grandes estúdios.
Enquanto esse retorno não acontece, resta revisitar Spiral Mountain, ouvir novamente as músicas de Grant Kirkhope e lembrar de uma época em que explorar cada canto de um mundo virtual era uma recompensa por si só. Alguns jogos envelhecem. Outros se tornam referência. Banjo-Kazooie pertence, sem dúvida, ao segundo grupo.
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