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Cyberpunk RED: RPG de mesa que inspirou game chega ao Brasil

Versão mais recente do RPG do futuro sombrio ganha edição luxuosa em português

29 abr 2024 - 11h00
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Cyberpunk RED chega ao Brasil em edição luxuosa
Cyberpunk RED chega ao Brasil em edição luxuosa
Foto: Devir Brasil / Divulgação

A Devir Brasil lançou em meados de abril a edição brasileira de Cyberpunk RED, versão mais recente do tradicional RPG de mesa com temática cyberpunk, jogo que serve como prólogo para Cyberpunk 2077, game da polonesa CD Projekt disponível para PC e consoles.

Muita gente que jogou Cyberpunk 2077 nem imagina, mas o game estrelado por Keanu Reeves é baseado em uma longa série de RPGs de mesa, aqueles jogados por várias pessoas ao redor de uma mesa, com fichas de papel e dados de muitos lados. Criado pela R. Talsorian Games (de Castelo Falkenstein e The Witcher RPG), a primeira edição, Cyberpunk, foi um dos primeiros jogos do gênero a olhar além da fantasia medieval. Sua continuação, Cyberpunk 2020, foi publicada no Brasil pela Devir em 1996 - e é dela que vêm muitos flashbacks mostrados no game.

Cyberpunk RED é a quarta edição do jogo da R. Talsorian e lá fora, saiu em 2020, antes do lançamento do videogame, servindo como um prólogo para aquela versão atualizada de Night City, a megalópole que serve de cenário para o game (e também para o premiado anime Cyberpunk Mercenários).

Curiosamente, as aventuras do jogo de mesa se passam um bom tempo antes do videogame, em 2045. Assim, há espaço de sobra para os jogadores inventarem suas próprias histórias cheias de ação e tramóias em Night City, sem precisar se preocupar com o que foi estabelecido no videogame.

Chegou o Tempo do Vermelho

As ruas de Night City nunca foram tranquilas, mas no Tempo do Vermelho, era muito pior
As ruas de Night City nunca foram tranquilas, mas no Tempo do Vermelho, era muito pior
Foto: Cyberpunk RED / Divulgação

Em 2045, Night City é bem diferente da que os jogadores de Cyberpunk 2077 estão acostumados. Arrasada pela Quarta Guerra Corporatia, a cidade vive o que ficou conhecido como o "Tempo do Vermelho", uma época muito mais violenta, em que a cidade começa a se reconstruir após o conflito - que contou inclusive com a infame explosão nuclear na Torre da Arasaka, um evento central para o game.

Abandonados pelo governo dos Novos Estados Unidos, os habitantes de Night City lidam com gangues e corporações diariamente e não faltam oportunidades para mercenários dispostos a faturar alto - ou morrer tentando. O módulo básico de Cyberpunk RED traz quase 200 páginas dedicadas à história de Night City, desde os anos 1990 até 2045 e é uma leitura fantástica tanto para quem vai jogar quanto para os fãs de Cyberpunk 2077 que querem saber mais sobre o passado do cenário.

Como se joga

Os personagens se dividem em classes como Roqueiro, Tecnomédico, Solo e outras
Os personagens se dividem em classes como Roqueiro, Tecnomédico, Solo e outras
Foto: Devir Brasil / Divulgação

Cyberpunk RED usa um sistema próprio de regras, bem mais simples do que se pode esperar ao folhear o livro e ver tantas tabelas e fluxogramas. O jogo usa apenas dados de seis e dez lados (chamados de d6 e d10) que são combinados com os atributos e especializações dos personagens dos jogadores. O objetivo é conseguir um resultado maior na soma da rolagem do d10 com o valor da especialização e atributo do que o valor de dificuldade estabelecido.

Esse formato de teste é usado para tudo, desde passar uma lábia em alguém, arrombar uma fechadura ou atacar o adversário, mas é claro, há algumas exceções, sendo as ações dentro da NET, a 'realidade virtual' do jogo, o melhor exemplo. Ao fazer algo na NET, o jogador usa apenas o valor de inferface + 1d10, ou seja, é ainda mais simples.

Construir os personagens talvez seja a parte mais trabalhosa antes de começar a jogar, com várias características para determinar quem é e do que é capaz o seu cyberpunk. Há três métodos de criação de personagem e particularmente, por jogar RPG de mesa desde os primórdios, me sinto atraído pelo método mais complexo e detalhado, mas as outras opções certamente diminuem o intervalo entre abrir o livro, reunir os amigos e começar a jogar.

Também há um capítulo dedicado ao Mestre do Jogo, com todas as informações para quem nunca mestrou uma mesa de RPG poder se preparar. Para os veteranos, há um trecho muito legal nesse capítulo em que o criador de Cyberpunk, Mike Pondsmith, apresenta seu método de organizar as sessões e campanhas em 'batidas'. É uma leitura fascinante para quem curte game design e para quem busca uma forma diferente e mais rápida de preparar suas partidas.

Material para fãs

A obra também inclui contos que ajudam a ambientar o jogador (e vão abrir sorrisos no rosto de quem jogou Cyberpunk 2077) no tipo de aventura a que Cyberpunk RED se propõe, além de listas de equipamentos, detalhes sobre as gangues e corporações de 2045 e pontos de interesse em Night City - o bar de mercenários Afterlife já estava lá, por exemplo!

A versão brasileira tem um acabamento de alta qualidade, com papel especial, ilustrações coloridas (e sensacionais) e todas as informações necessárias para jogar o RPG por um bom tempo. Há alguns problemas de diagramação e até trechos em que o texto em inglês original acabou sobrando no final do parágrafo, mas nada que impossibilite a compreensão - mas é provável que receba uma nova tiragem em breve com esses probleminhas revisados.

De modo geral, o livro de regras tem a mesma qualidade vista nos suplementos de The Witcher RPG, também da Devir e é recomendado tanto para quem está em busca de um RPG de mesa de temática cyberpunk e de ficção científica, quanto para os fãs do game, como um belo material de apoio ou um convite para conhecer esse hobbie cada vez mais popular que é o RPG de mesa.

Em português, Cyberpunk RED está disponível nas principais lojas especializadas e livrarias online do Brasil.

*Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Devir Brasil.

Fonte: Game On
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