Script = https://s1.trrsf.com/update-1785273314/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Uefa vota por boicotar Copa do Mundo devido a planos da Fifa de vender participação acionária

Federação protesta contra o plano da entidade que rege o futebol mundial de vender uma participação a investidores externos

30 jul 2026 - 14h37
(atualizado às 14h46)
Compartilhar
Exibir comentários
Objetivos de Infantino na Fifa foram condenados pela Uefa.
Objetivos de Infantino na Fifa foram condenados pela Uefa.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

A Uefa e suas 55 federações nacionais europeias votaram por unanimidade ‌nesta quinta-feira, 30, pelo boicote à Copa do Mundo e a todos os torneios da Fifa, em protesto contra o plano da entidade que rege o futebol mundial de vender uma participação a investidores externos.

A medida drástica ocorreu depois que a Confederação Asiática de Futebol (AFC) enviou uma carta contundente às 47 federações nacionais do continente e alertou que a proposta nunca teria sucesso sem o apoio de todos os blocos regionais do futebol.

"A Uefa e suas 55 federações-membro estão unidas. ⁠Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em ‌outras competições da Fifa para investidores privados", afirmou a Uefa em comunicado.

"Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta ‌seja totalmente abandonada e sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa ‌nunca mais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada."

O órgão regulador do futebol europeu afirmou que ⁠a Copa do Mundo não está à venda e não pode ser tratada como um produto de investimento nem cedida a investidores privados.

"Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da Fifa como guardiã do futebol mundial", afirmou a entidade sobre a proposta.

"No momento em que investidores externos adquirirem participações nas competições da Fifa, o futebol mudará para sempre. O retorno comercial se tornará uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores se tornarão uma ‌pressão diária."

CONFEDERAÇÃO ASIÁTICA MANIFESTA PROFUNDA PREOCUPAÇÃO

O presidente da AFC, xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, disse que sua entidade não foi consultada ‌pela Fifa em nenhum nível antes do ⁠anúncio público e declarou que ⁠isso, somado à ausência de qualquer análise detalhada de governança, financeira ou jurídica da proposta, era "totalmente inaceitável".

"As ações unilaterais da Fifa parecem ⁠minar os próprios alicerces do futebol continental, que se baseiam na ‌solidariedade, na cooperação e na transparência", acrescentou ‌o presidente da AFC.

A crítica direta da AFC aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que liderou o polêmico plano de criar uma subsidiária de US$20 bilhões para administrar a Copa do Mundo e seus outros eventos, ao mesmo tempo em que oferece participações minoritárias a investidores privados.

A Concacaf, o ⁠bloco regional da América do Norte, América Central e Caribe, também criticou a Fifa pela falta de consulta.

Infantino ofereceu às 211 associações-membro da Fifa US$40 milhões cada, caso concordem com a proposta até 19 de setembro, como parte de um pacote de US$10 bilhões que estará disponível a partir de 1º de janeiro de 2027.

Caso seja rejeitado, o pacote voltaria ao valor de US$2,7 bilhões oferecido anteriormente, cerca de US$10 ‌milhões por associação-membro.

Infantino afirmou que a Fifa submeterá a proposta à votação de suas associações-membro e, em seguida, ao seu Conselho Executivo.

No entanto, o xeique Salman afirmou que seria necessário o apoio de todos os seis blocos regionais.

"Tal iniciativa ⁠não terá sucesso sem o apoio de todas as confederações, o que não é o caso atualmente", escreveu ele.

O comitê executivo da confederação africana se reunirá na próxima semana para avaliar a proposta, enquanto a confederação da Oceania, o menor bloco regional com 11 países-membros plenos, afirmou que discutirá a proposta em uma reunião no próximo mês.

A Conmebol, órgão regulador da América do Sul, ainda não se pronunciou publicamente.

Entidades que representam os jogadores também manifestaram oposição ao plano da Fifa, com a Fifpro, o sindicato global dos jogadores, alertando que a proposta reformularia irreversivelmente os incentivos que sustentam as competições nas quais os jogadores atuam e constroem suas carreiras.

O ex-diretor executivo da Liberty Media Greg Maffei, consultor comercial da Fifa no projeto, afirmou que não se trata de "vender a Copa do Mundo" e que a entidade reguladora sempre manterá o controle majoritário.

"Há uma tendência desse tipo ocorrendo em todos os esportes", disse o norte-americano, que supervisionou a aquisição dos direitos comerciais da Fórmula 1 pela Liberty Media em 2017, ao Financial Times. "É algo que todo tipo de gente já fez."

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra