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Futebol

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Boicote da Uefa à Copa pode provocar efeito dominó no futebol e impactar calendário de clubes; entenda

Possível rompimento entre Uefa e Fifa vai além das seleções e ameaça competições, datas internacionais e torneios de clubes

30 jul 2026 - 16h03
(atualizado às 16h25)
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Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante a final da Copa do Mundo de 2026, no MetLife Stadium.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante a final da Copa do Mundo de 2026, no MetLife Stadium.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

A decisão das 55 federações filiadas à Uefa de boicotar a Copa do Mundo e todas as competições organizadas pela Fifa, caso a entidade mantenha o plano de criar uma nova empresa comercial para administrar suas competições e vender ações para investidores privados, abriu uma grande crise política no futebol entre as principais entidades do futebol mundial. Embora o impasse tenha como foco inicial as seleções nacionais, seus efeitos podem atingir diretamente o calendário internacional e as principais competições de clubes.

O principal impacto seria esportivo. Sem as seleções europeias, a Copa do Mundo perderia boa parte de seu peso técnico e comercial. Na edição de 2026, por exemplo, 16 das 48 vagas foram de seleções da Europa, continente que reúne algumas das maiores potências do futebol mundial, como Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Itália e Holanda. Além disso, das últimas seis edições do Mundial, cinco tiveram campeões europeus.

A crise, porém, não se restringe às seleções. Caso o rompimento entre Uefa e Fifa se concretize, o calendário internacional poderá passar por uma reestruturação sem precedentes. A tendência seria de um aumento das datas reservadas para competições organizadas exclusivamente pela Uefa, enquanto torneios da Fifa poderiam perder espaço ou até deixar de contar com clubes e atletas vinculados às federações europeias.

Entre os eventos potencialmente afetados está a Copa do Mundo de Clubes. O torneio reúne equipes classificadas por suas competições continentais e depende diretamente da participação dos principais clubes da Europa para manter seu apelo esportivo e comercial. Um boicote das associações europeias poderia inviabilizar a presença de gigantes como Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Liverpool, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Inter de Milão, reduzindo significativamente o valor da competição.

A repercussão também pode alcançar os clubes de maneira indireta. Embora as equipes não sejam filiadas à Fifa, elas liberam jogadores para as seleções durante as Datas Fifa. Em um cenário de conflito institucional prolongado, novas disputas sobre a liberação de atletas, a definição do calendário internacional e a distribuição de receitas podem surgir entre Fifa, Uefa, ligas nacionais e clubes.

A preocupação com o excesso de partidas não é nova. Nos últimos anos, ligas europeias, clubes e sindicatos de jogadores já manifestaram críticas ao crescimento do calendário internacional, especialmente após a criação da Copa do Mundo de Clubes e a ampliação da Copa do Mundo de Seleções para 48 equipes. A Uefa também já havia alertado, em discussões anteriores, sobre mudanças no calendário, para os riscos de sobrecarga física dos atletas, conflitos com campeonatos nacionais e desvalorização de competições tradicionais.

Em 2021, durante debate sobre a mudança da Copa do Mundo para a cada dois anos, a Uefa foi categoricamente contra, mensurando o impacto “na saúde física e mental dos jogadores”, “nas competições existentes de clubes e seleções nacionais” e na “diluição do valor do maior evento de futebol do mundo”. A entidade europeia ainda destaca “o risco para a sustentabilidade dos jogadores, forçados a participar de competições de alta intensidade no verão todos os anos, em vez de pausas de recuperação mais longas em anos alternados”.

Outro ponto sensível é o impacto financeiro. A ausência das seleções europeias reduziria a atratividade da Copa para patrocinadores, emissoras e detentores de direitos de transmissão, afetando receitas da Fifa e de parceiros comerciais. Ao mesmo tempo, uma eventual reorganização do calendário poderia fortalecer torneios continentais da Uefa e ampliar a disputa política e econômica entre as duas entidades.

A crise teve início após a Fifa apresentar um projeto para criar uma subsidiária responsável pela exploração comercial de suas competições, a Fifa Forward Enterprise (FFE), e abrir até 20% dessa empresa para investidores privados. A Uefa afirma que a proposta foi conduzida sem consulta às confederações e considera que transformar os direitos comerciais da Copa do Mundo em um ativo para investimento privado representa um risco para a governança do futebol. A entidade é categórica afirmando que “a Copa do Mundo não está à venda”.

Fonte: Portal Terra
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