Trump nega ter conversado com Infantino sobre proposta da Fifa para venda de ações
Presidente americano negou ter discutido a proposta com o dirigente, que enfrenta resistência de confederações e integrantes da própria Fifa
Donald Trump foi questionado nesta sexta-feira, 31, sobre a proposta de Gianni Infantino de criar uma empresa para administrar as competições da Fifa e captar cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) com a comercialização de direitos comerciais. O presidente dos Estados Unidos negou, porém, que tenha conversado com o dirigente sobre a ideia.
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"Não, nunca falei com ele [sobre isso]", limitou-se a dizer Trump, durante uma coletiva de imprensa realizada em Camp David, retiro presidencial que acontece no Estado de Maryland.
A negativa ocorre em meio à associação do presidente americano com o projeto, que provocou uma reação de parte significativa do futebol mundial. O vínculo se deve, entre outros fatores, à estrutura planejada para a negociação dos direitos comerciais da Copa do Mundo. Segundo os planos apresentados por Infantino, a operação seria feita por meio do fundo de investimentos Thrive Eternal, comandado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump.
A iniciativa já provocou resistência entre confederações e federações. As 55 associações nacionais filiadas à Uefa decidiram, em uma reunião de emergência, se opor ao projeto e ameaçaram boicotar competições da Fifa, inclusive a Copa do Mundo, caso a proposta seja mantida. Na Concacaf, que reúne 35 federações da América do Norte e Central, os integrantes também se posicionaram contra a iniciativa.
Na Ásia, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) não submeteu a proposta a uma votação entre seus membros, mas divulgou um comunicado em apoio às posições adotadas pela Uefa e pela Concacaf. Caso 16 das 46 associações que integram a AFC se posicionem contrariamente ao projeto, a oposição a Infantino já alcançaria maioria entre as 211 federações filiadas à Fifa.
O movimento de resistência também chegou ao núcleo da própria entidade. Nesta sexta-feira, o indiano Carlos Cordeiro, um dos principais assessores de Infantino, deixou o cargo em protesto contra a ideia de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. Cordeiro integrava a estrutura da Fifa desde 2021.
Já a Conmebol ficou em cima do muro em relação ao projeto e, até o momento, não declarou apoio ou oposição à proposta. A entidade, da qual a Confederação Brasileira de Futebol faz parte, informou que iniciou consultas com suas Associações Membro, convocou uma reunião do Conselho para avaliar a iniciativa e solicitou informações adicionais à Fifa antes de definir seu posicionamento.

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