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Testemunha diz que emissoras pagaram propina por transmissão

14 nov 2017
18h36
atualizado às 18h54
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Uma testemunha chamada por promotores dos Estados Unidos disse nesta terça-feira durante o julgamento de ex-dirigentes de futebol que emissoras como Globo, Fox Sports e o Grupo Televisa pagaram propinas para assegurar os direitos de transmissão de partidas.

Logo da Fifa na sede da entidade em Zurique
 26/9/2017   REUTERS/Arnd Wiegmann
Logo da Fifa na sede da entidade em Zurique 26/9/2017 REUTERS/Arnd Wiegmann
Foto: Reuters

Esse é o primeiro julgamento que é resultado da investigação feita pelos EUA da corrupção envolvendo a Fifa, entidade que comanda o futebol mundial.

Alejandro Burzaco, ex-chefe da empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias, citou as emissoras enquanto era interrogado por um promotor em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York. A Torneos y Competencias é dona junto com a Fox Sports, uma unidade da Twenty-First Century Fox, de uma companhia de marketing esportivo, a T&T Sports Marketing.

Globo, Fox e Televisa não foram indiciadas pelos promotores norte-americanos neste caso.

O porta-voz da Televisa Olmos Cruz Alejandro disse que a empresa não poderia comentar sem saber mais sobre o testemunho do julgamento. A porta-voz da Fox Sports Terri Hynes afirmou que a empresa não tinha comentários imediatos.

A Globo não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Burzaco disse no tribunal que a Fox foi informada sobre as propinas pagas para dirigentes pela T&T.

Os promotores mostraram aos jurados um contrato datado de 2008 entre a T&T e uma entidade sediada nas Ilhas Turcos e Caicos chamada Somerton Corp, dando um pagamento de 3,7 milhões de dólares à Somerton.

Burzaco disse que o contrato foi assinado por James Ganley, ex-diretor operacional da Fox Pan American Sports, uma unidade da Fox, e que o documento era uma farsa para encobrir o pagamento de propina.

Ganley responde a um processo civil de 2016 num tribunal federal, movido pela emissora especializada em futebol GolTV, sediada na Flórida, que alega que Ganley e outros executivos da Fox pagaram propinas em troca de direitos de transmissão.

Advogados que representam Ganley neste processo não foram encontrados para comentar.

O depoimento foi feito no segundo dia do julgamento de Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e da federação de futebol do Paraguai, de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana, e de José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Os promotores disseram que os três ex-dirigentes e outras autoridades do esporte receberam propinas de empresas de marketing esportivo em troca de lucrativos direitos de marketing e de transmissão de torneios de futebol. Quarenta e duas pessoas e entidades foram indiciadas neste caso, das quais 23 se declararam culpadas e duas já foram sentenciadas.

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