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Seis em cada dez adolescentes brasileiros não praticam atividade física suficiente, aponta IBGE

Dados reforçam discussão sobre acesso ao esporte.

17 out 2026 - 07h34
(atualizado às 07h34)
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Resumo
Segundo a PeNSE 2024 do IBGE, 58,4% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos não praticam atividade física suficiente, cenário agravado pela desigualdade na infraestrutura esportiva entre escolas públicas e privadas. Para combater esse déficit e garantir o direito ao lazer, iniciativas sociais como a De Peito Aberto oferecem aulas e materiais gratuitos em comunidades vulneráveis, atendendo milhares de jovens e buscando captar R$ 17,6 milhões via leis de incentivo para expandir seus projetos.
Projeto social
Projeto social
Foto: Divulgação / Esporte News Mundo

Mais da metade dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos não pratica atividade física em quantidade suficiente. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 58,4% dos adolescentes dessa faixa etária eram insuficientemente ativos fisicamente, enquanto apenas 30,6% atingiam os níveis adequados de atividade.

No mês em que o Brasil celebra o Dia das Crianças, em 12 de outubro, os números ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas por famílias que não dispõem de espaços, equipamentos ou recursos para inserir os filhos em atividades esportivas e de lazer.

A desigualdade também aparece na infraestrutura das escolas. De acordo com a mesma pesquisa, 75,7% dos estudantes da rede pública frequentavam instituições com quadras esportivas em condições de uso, percentual que chegava a 92,3% entre os alunos da rede privada. A diferença era ainda maior na disponibilidade de materiais suficientes para as aulas de educação física: 62,7% na rede pública, diante de 96,8% na rede privada.

Fora do ambiente escolar, iniciativas gratuitas procuram ampliar o acesso às modalidades esportivas. Uma delas é a De Peito Aberto (DPA), organização social que realizou 17 projetos e 440 eventos em 2025, atendendo cerca de 7 mil crianças e adolescentes. As atividades incluem futebol, futsal, vôlei, basquete, handebol, skate, judô, karatê, capoeira e atletismo.

Ao longo de duas décadas, a entidade informa ter beneficiado mais de 70 mil pessoas por meio de 80 projetos desenvolvidos em 66 municípios brasileiros. O trabalho envolve a implantação de núcleos esportivos em diferentes regiões, incluindo bairros e comunidades com opções limitadas de atividades gratuitas.

Projetos chegam a comunidades do Pará, Minas Gerais e Bahia

Em Terra Santa (PA), aproximadamente 100 crianças e adolescentes participam atualmente do projeto Esporte na Cidade, com aulas de futsal, handebol, basquete e vôlei. A iniciativa também está presente em Faro e Oriximiná, incluindo comunidades quilombolas tradicionais.

Em Governador Valadares (MG), o skate é uma das modalidades utilizadas para ampliar as alternativas de esporte e convivência entre crianças e adolescentes. Já na Bahia, o projeto Oportunidade Através do Esporte chegou à nona temporada com atividades em Camaçari, Feira de Santana e Lauro de Freitas, reunindo modalidades como futebol, futsal, boxe e judô.

Além das aulas gratuitas, os participantes recebem materiais para a prática esportiva, de acordo com a modalidade, como uniformes, calçados, caneleiras e quimonos. A distribuição busca reduzir os custos que poderiam impedir a participação de crianças e adolescentes.

"Cada criança merece a oportunidade de brincar, aprender, se desenvolver e sonhar. O esporte e o lazer são ferramentas capazes de transformar realidades, fortalecer vínculos e abrir caminhos para o futuro. Os resultados que alcançamos ao longo dos anos mostram que, quando ampliamos o acesso a essas oportunidades, contribuímos para que crianças e adolescentes desenvolvam seu potencial e construam projetos de vida com mais perspectivas. Esse é o compromisso que move a De Peito Aberto a mais de 20 anos", comenta Fábio Araújo, diretor-presidente da DPA.

O acesso ao esporte e ao lazer integra os direitos assegurados às crianças e aos adolescentes pela Constituição Federal de 1988. A legislação estabelece que família, sociedade e poder público compartilham a responsabilidade de garantir condições de desenvolvimento, incluindo educação, cultura e convivência comunitária.

Para expandir seus projetos, a De Peito Aberto estabeleceu uma meta de captação de R$ 17,6 milhões em 2026 por meio de leis de incentivo. Os recursos são destinados à continuidade e à ampliação de iniciativas gratuitas em diferentes regiões.

A organização também informou ter gerado 127 empregos em 2025, durante a execução de suas atividades.

Esporte News Mundo
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