Gestão Júlio Casares no São Paulo se encerra com 3 títulos e denúncias ainda sob investigação
Presidente do clube paulista finalizou sua passagem ao renunciar ao cargo
A gestão de Júlio Casares na presidência do São Paulo acabou nesta quarta-feira, 21, depois da sua renúncia ao cargo que ocupava desde 2021. Com três títulos conquistados, o mandatário se retira da função em meio a investigações da Polícia Civil de saques subtraídos das contas do clube. Casares nega as irregularidades.
Júlio assumiu como presidente da equipe paulista em 1º de janeiro de 2021, ao superar Roberto Natel por 155 votos a favor contra 78. Ele sucedeu à gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que durou de 2015 a 2020.
Pouco tempo depois, Casares conquistou seu primeiro troféu à frente do São Paulo: o Campeonato Paulista de 2021, título que não era vencido pelo time desde 2005.
A segunda conquista da gestão de Júlio Casares aconteceu dois anos mais tarde, em 2023, com o título da Copa do Brasil. O clube tricolor superou o Flamengo na decisão e se sagrou campeão do torneio pela primeira vez na história.
No final daquele ano, ele foi reeleito para a presidência do São Paulo por mais um triênio. Júlio era o candidato único, já que a oposição não lançou nenhum concorrente na ocasião.
Por fim, em 2024, o São Paulo venceu o Palmeiras na final da Supercopa do Brasil e chegou a três títulos na era Casares.
O segundo mandato de Júlio Casares iria até o final de 2026. Com a renúncia, Harry Massis Jr, vice do mandatário, assume o cargo de presidente de forma definitiva durante o período restante.
Denúncias que abalaram a gestão
A Polícia Civil iniciou uma investigação sobre os 35 saques que saíram das contas do clube, ação que totaliza o valor de R$ 11 milhões, entre janeiro de 2021 e novembro do ano passado.
Entre as 35 operações apontadas como atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cinco não foram feitas por uma empresa terceirizada ou funcionário são-paulino, mas apenas "pela agremiação São Paulo".
Segundo a equipe, o ocorrido se trata de erros do banco responsável e afirma que irá preparar um laudo técnico para provar a regularidade das operações. O prazo estipulado pela polícia vai até o dia 26 de janeiro.
Os dois bancos nos quais as contas estão vinculadas apontaram as movimentações como "atípicas e incompatíveis com a prática de mercado para uma entidade deste porte, ressaltando a incapacidade de assegurar a real destinação dos valores."
Paralelo a isso, a Polícia Civil também realizou, nesta quarta, uma operação de busca e apreensão contra Douglas Schwartzmann e Mara Casares, aliados de Casares que se encontram licenciados.
Eles são suspeitos de um esquema de uso irregular de camarotes no MorumBis. Ao todo, foram apreendidos R$ 28 mil, um CPU e uma vasta documentação.
Em dezembro do ano passado, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi acionado para investigar a venda ilegal de ingressos em um camarote do estádio para um show da Shakira, em fevereiro de 2025.
O espaço no MorumBis não era comercializado oficialmente, mas teve o uso cedido a uma intermediária, que cobrou judicialmente por valores não repassados por terceiros.
Um áudio divulgado pelo GE mostra Mara e Douglas, então diretores do São Paulo, pressionando Rita de Cassia Adriana Prado, que vendia os ingressos do espaço, para que ela encerre a cobrança judicial a uma terceira pessoa, que também atuou na venda de entradas.