Faminto, Muricy nega mágoa são-paulina e diz: "minha vida é muito light"
Muricy Ramalho revisitou todos os momentos de sua extensa ligação com o São Paulo nesta terça-feira, data de apresentação como técnico do time, substituindo Paulo Autuori. Sobre o tempo de meia, na década de 70, à última passagem como treinador, entre 2006 e 2009, falou com carinho sobre o clube do Morumbi. Isso tudo para provar que não existe mágoa por sua demissão após a eliminação nas quartas de final da Copa Libertadores de 2009 ou pelo fato de ter sido preterido por outros candidatos nos últimos quatro anos, sempre que foi cotado para retornar. Mais do que isso, ele se diz faminto por conquistas – a primeira delas é salvar o time do rebaixamento à Série B.
“Não sou o tipo de pessoa que guarda mágoa das coisas, de nada. Às vezes me irrito com um o outro, mas não tem mágoa. Não é porque eu não fui escolhido que eu vou ficar dodói, triste e dizer: agora é minha vez de falar “não”. Isso não existe”, disse Muricy, na sua volta após quatro anos – entre os quais foi cotado para a Seleção Brasileira e comandou Palmeiras, Fluminense e Santos. Estava sem emprego desde 31 de maio, quando foi dispensado do clube da Vila Belmiro. Recentemente, disse em entrevista que assumiria o São Paulo até na Série B.
“Não dá para falar “não” a um clube que me abriu as portas, que me criou. Todo lugar que eu vou, a torcida do São Paulo tem um pedido só: “você tem que voltar”. É aquela loucura. O momento é difícil, mas a gente vai sair dessa”, afirmou o treinador, que ressaltou que as negociações com o presidente Juvenal Juvêncio durante a semana duraram cerca de 30 segundos. “É muito light, a minha vida. As pessoas acham que eu sou bravo, mas não é nada disso. Não tenho nenhum tipo de mágoa. Se tivesse, eu diria: não vou, cara”, continuou o treinador.
Muricy Ramalho reconheceu a dificuldade que será recuperar o São Paulo no Campeonato Brasileiro. A equipe, que foi comandada por Ney Franco e Paulo Autuori na temporada, tem apenas 18 pontos na competição, ocupando a 18ª. colocação. O técnico relembrou seu período de chegada ao Morumbi, em 2006, para mostrar qual será a linha de trabalho. No ano anterior, o time havia conquistado a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes da Fifa, os dois maiores títulos que poderia esperar.
“A verdade é que o time estava sem fome porque tinha ganhado tudo. E eu cheguei avisando: eu estou com fome, preciso ganhar também. É difícil convencer um grupo que é campeão de tudo. Mas com o tempo, fomos campeões de novo. Lá atrás, quando eles me contrataram depois do Mundial, foi fácil falar “sim”. Agora, é difícil você falar “não” em uma situação dessas”, completou Muricy Ramalho, que pode esperar manifestação total de apoio na quinta-feira, quando reestreia no cargo no confronto com a Ponte Preta, no Morumbi. "Eu ainda estou com fome", avisou.