‘Presidente falou que é vítima de perseguição’: veja como foi a reunião antes de votação de impeachment no São Paulo
Marco Aurélio Cunha falou sobre a reunião do Conselho
A reunião que antecedeu a votação de impeachment de Julio Casares na presidência do São Paulo foi marcada por discursos da oposição, acusações sobre sua gestão e defesa do presidente, que alegou ser vítima de perseguição e prometeu provar sua inocência.
Uma reunião de pouco mais de uma hora marcou o início da noite da votação do impeachment de Julio Casares da presidência do São Paulo nesta sexta-feira, 16. Entre participantes que estiveram online e presencialmente no Salão Nobre do Morumbi, 223 conselheiros participaram do encontro.
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Ao término da reunião e com a votação liberada, Marco Aurélio Cunha, que faz parte da oposição, detalhou o que viu no salão. De acordo com o conselheiro e ex-dirigente, Flávio Marques começou apontando os problemas da gestão do atual presidente.
“Foi um discurso muito forte contra a gestão, do Flávio Marques [conselheiro], da questão da moralidade, da perda do capital político que o São Paulo tem com a figura do presidente, com fatos, com acusações, enfim, com o dano financeiro da instituição nesses anos”, disse o ex-dirigente.
O encontro foi seguido por um discurso da defesa de Casares. Seus advogados apontaram ausência de provas completas para a realização do impeachment e pediram o adiamento do processo.
A oposição também foi representada pelos conselheiros Marcelinho Portugal Gouvêa e Caio Forjaz: “[Foram] muito duros, apresentando a crise clara de São Paulo, a incoerência, a mudança de comportamento. Enfim, uma defesa veemente pró-impeachment”.
Por fim, Casares falou por pouco mais de 20 minutos. O presidente disse ser vítima de perseguição e reforçou que vai provar sua inocência.
“O presidente fez a sua defesa falando que é vítima de perseguição, que os fatos não estão concluídos e irá à justiça buscar cada um e cada coisa que falaram contra ele. E que ele vai provar que é inocente. Foi esse o resumo do período que nós ficamos lá dentro”, completou Marco Aurélio Cunha.
Para o impeachment passar pelo Conselho, são necessários 171 votos dos 223 conselheiros presentes na reunião. Se isso acontecer, uma assembleia dos sócios deverá ser convocada para retificar a destituição. Até lá, Harry Massis Junior ocupa a presidência.
Os bastidores conturbados no Morumbis
Desde o fim de 2025, a gestão liderada por Júlio Casares começou a estampar as capas policiais. A principal acusação que envolve o nome do presidente aponta depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial”.
A Polícia Civil também identificou "manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores" em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil.
Sem ter o nome de Casares citado no caso, as autoridades analisam 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.
O primeiro caso a vir à tona envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente são-paulino. Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram o dirigente Douglas Schwartzmann dizendo que Mara recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou os ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2024. O ato é considerado ilegal.
Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, “traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção” e “em nenhum momento houve benefício pessoal”. Ela se afastou da diretoria feminina, cultural e de eventos do clube.
Também em dezembro, o UOL revelou que o médico Eduardo Rauen indicou um fornecedor irregular do medicamento Mounjaro a jogadores do São Paulo. As canetas emagrecedoras também eram comercializadas por R$ 5.599,00, valor acima do de mercado, que varia de R$ 1.523,06 a R$ 4.067,81.
Na época, o clube disse que “foram realizados tratamentos médicos individualizados, indicados de forma pontual após avaliações clínicas criteriosas em apenas dois atletas do time profissional, e não de maneira generalizada, contínua e indiscriminada”.