Santos cita abuso em pedida de Cícero e cutuca Bom Senso
O presidente do Santos, Odílio Rodrigues, explicou nesta quinta-feira os motivos para a liberação do meia Cícero para o Fluminense. O mandatário convocou uma entrevista coletiva, na Vila Belmiro, alegando que o pedido de novo aumento salário do jogador era "abusivo" e cutucando a não aparição do Bom Senso FC, movimento criado em 2013, encabeçado por jogadores de grandes clubes do País que cobram melhorias no futebol brasileiro.
"No caso do Cícero, tínhamos contrato de empréstimo pagando para ele (Eduardo Uram, agente), pois o atleta pertence a Tombense-MG. Ano passado, recebemos uma visita do Uram dizendo que o Internacional tinha interesse no jogador, mas recusamos, pois vivia uma fase muito boa. O Uram, então, nos disse que eles tinham oferecido um salário maior e demos um aumento, mesmo entendendo que o jogador tinha um contrato a cumprir. Passado um tempo, o Uram falou em outro aumento salarial, achamos abusivo e não concordamos. Nessa negociação, o empresário além de pleitear o aumento ainda queria que o Santos comprasse um percentual. A partir daí as partes não se sentiram atendidas no que desejavam", explicou.
"De lição não ficam mágoas e marcas, pois esse é o mundo do futebol, mas é importante para mostrar que deve se respeitar contratos, que o jogador quando faz contrato precisa cumprir. Esse é o aprendizado que o futebol brasileiro precisa fazer. Acho bonita a postura do Bom Senso, mas já que é para todos acertarem as suas partes deveria ter no Bom Senso a condição do jogador cumprir o seu contrato, também", completou.
Cícero se recusou a realizar a sétima partida na competição, o que o impossibilitaria de atuar por outro clube brasileiro ainda neste ano. A decisão foi tomada pouco antes da partida de domingo, em reunião com a cúpula santista. Após o confronto, Oswaldo de Oliveira disse que ainda esperava contar com o jogador.
O Santos recebeu na quarta-feira durante a tarde a proposta. Os valores não foram revelados. Com a aceitação, o jogador sequer viajou com a equipe para Feira de Santana.
"Conversei com o Cícero no domingo, no hotel, e ele tem uma teve: quando está bem quer se valorizar e pede mais. E ele fala isso com uma naturalidade grande. Não tem como a gente querer que outro entenda da mesma maneira. Na cabeça dele, estava bem, fazendo gols, era craque e precisava ser valorizado", argumentou.
Emprestado ao clube pelo Tombense (MG), o meia tinha contrato até o final do ano, mas não conseguiu acertar valor de salário e tempo de contrato com o Comitê Gestor do Santos. O atleta, que ganhava R$ 350 mil mensais, mas pediu por R$ 500 mil de reajuste, e isso fez com que as negociações travassem. Para não perder o jogador "de graça", o clube o repassou antes da Copa do Mundo.