Santos cede 20% de astro e lucra R$ 9 mi com pacote polêmico
A situação financeira que levou a diretoria que deixou o Santos no último mês a vender parte dos direitos econômicos de suas principais promessas a Doyen Sports, grupo de investimentos maltês que financiou as compras do meia Lucas Lima e do centroavante Leandro Damião, podem custar caro no futuro para o clube. O Terra apurou que a negociação fechada em 2,8 milhões de euros (cerca de R$ 9,1 milhões) envolveu a cessão de fatias consideráveis dos atacantes Gabriel Barbosa e Geuvânio, 20 e 35%, respectivamente, além de 25% do lateral direito Daniel Guedes.
O valor pode ser considerado baixo, já que Gabriel, por exemplo, tem multa rescisória de 50 milhões de euros (R$ 161,6 milhões). Ele foi o artilheiro santista na última temporada, com 21 gols, e desperta o interesse de clubes europeus desde antes de subir aos profissionais, com 17 anos. No fim do ano, o jovem foi acompanhado por olheiros do Wolfsburg, da Alemanha. Geuvânio, por sua vez, foi alvo do Napoli, da Itália.
Nos bastidores, membros da antiga diretoria se defendem dizendo jamais ter recebido uma proposta pelo trio, apesar de todo o assédio comentado.
Na nova divisão econômica, o Santos ficou com apenas 40% dos 60 que detinha sobre Gabigol, os 40% restantes pertencem a própria família do jogador. Com relação a Geuvânio, divide, agora, 35% com a Doyen sobre o atleta. Sobre Daniel Guedes, por sua vez, sobrou 25% dos 50 que tinha sobre o lateral.
A polêmica negociação só estourou quando o próprio fundo maltês, representado no País pelo empresário Renato Duprat, anunciou em seu site o investimento. A informação foi divulgada, primeiramente, pela ESPN Brasil.
Para negociar um jogador para outro clube, a diretoria precisaria da anuência do Conselho Deliberativo. Estatutariamente, nenhuma venda pode ser feita até três meses antes das eleições para presidente. A negociação de parte dos direitos econômicos, entretanto, não é especificada no estatuto.
A última reunião do Conselho Deliberativo do ano, que aprovou a previsão orçamentária proposta pela última gestão do clube para 2015, ficou marcada pelo recuo do item mais polêmico programado, que previa a votação para a venda de jogadores. A decisão foi tomada sem a presença da imprensa, ainda não liberada para acompanhar a reunião no momento.
O clube desejava o aval devido à séria dificudade financeira com os salários atrasados do elenco, mas a ideia foi abortada após o candidato da própria situação à presidência, Nabil Khaznadar, sugerir o cancelamento do item alegando não haver propostas em curso para os jogadores.
O novo presidente, Modesto Roma Júnior, disse publicamente que ainda se informará sobre o caso antes de se pronunciar e tomar medidas. O ex-vice-presidente do clube, Luiz Claudio de Aquino, já confirmou as transações, mas disse desconhecer os percentuais negociados.
Pressão por Damião
A decisão de venda foi motivada pela necessidade de pagar a quarta e última parcela da compra de Damião, no valor de 1 milhão de euros (R$ 3,2 milhões), a única que o Santos deveria arcar sem a Doyen do montante total de 13 milhões de euros de sua negociação. O fundo maltes financiou o restante.
Com uma série de atrasos salariais dos jogadores e funcionários e outras dívidas, os dirigentes se reuniram pessoalmente com o principal executivo da Doyen, o português Nelio Lucas, sob o temor de um acionamento do Internacional, que poderia requerer seu atleta judicialmente.
Nos encontros, foi sugerida a compra de parte dos direitos de Gabigol. Só posteriormente é que Geuvânio e Daniel Guedes entraram no acordo costurado. O valor já foi integralmente destinado a pagar ao Inter e amortizar parte das dívidas, duas delas com o próprio Doyen, a principal o não repasse da venda do meia Felipe Anderson a Lazio, em 2013.
Outra promessa já havia sido vendida
Também em novembro, o clube fechou a venda de 50% dos 70 dos direitos econômicos do volante Alison por 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 4,8 milhões) ao Banco BMG, sem o abatimento de uma dívida com o banco, sugerida inicialmente pelos investidores, noticiada pelo Terra.
O acordo foi selado diretamente entre as partes, sem a intervenção de seu agente, Giuliano Bertolucci, e ainda contou com a inclusão de preço para uma possível saída em janeiro.
Os percentuais foram corrigidos às 12h49 de 6/1/2015.
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