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Modesto vence eleição polêmica e é novo presidente do Santos

13 dez 2014
21h33
atualizado em 16/12/2014 às 10h32
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Demorou mais do que o esperado e foi cercado por contornos polêmicos, mas o Santos, enfim, tem um novo presidente pelos próximos três anos. Modesto Roma Júnior, 62 anos, da chapa Santos Gigante, foi eleito neste sábado, com 1321 votos (25,7%). A decisão foi tomada após mais de 11 horas de pleito, iniciado às 10h (de Brasília) e encerrado somente às 21h30. Modesto derrotou outros quatro candidatos: Nabil Khaznadar (Avança, Santos), José Carlos Peres (Santos Vivo), Fernando Silva (Mar Branco) e Orlando Rollo (Pense Novo).

<p>Modesto Roma é o novo presidente do Santos</p>
Modesto Roma é o novo presidente do Santos
Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press

A longa demora para o conhecimento do novo mandatário ocorreu devido a nova confusão logo no começo. Mais uma vez, as urnas eletrônicas iniciaram os problemas devido a apresentação de uma falha técnica. O anúncio ocorreu após apenas 40 minutos de sessão.

O restante da eleição foi seguido pelos votos manuais, com cédulas de papel, mas ficou marcada pela tranquilidade. Com um público diminuto, comparado a grande presença no último dia 6, o único momento mais quente envolveu o ex-lateral esquerdo Léo, apoiador declarado de Roma.

O ídolo santista, que se aposentou em maio, quase foi impedido de votar devido a ausência de um de seus sobrenomes no registro do clube , levando uma das mesárias responsáveis a dizer que o atleta não tinha condições de participar do pleito. Após conseguir, Léo não poupou a truculência, diz que foi provocado pela responsável e chamou o processo de vergonhoso.

A contagem dos votos, iniciada pouco após às 18h (de Brasília), feita apenas com a presença dos mesários participantes, membros da assembleia eleitoral e muitos seguranças.

A apuração dos votos deixa clara a força de Modesto na cidade de Santos, já que as urnas de São Paulo apontaram um massacre ao novo presidente do clube alvinegro. Dos 1110 votos, sendo 29 em cédulas de papel, Modesto Roma teve apenas 35. José Carlos Peres liderou com 407, seguido de perto por Fernando Silva, com 338. Nabil Khaznadar somou 212, enquanto Orlando Rollo alcançou 118.

Em Santos, no entanto, o domínio foi completo: vitória nas dez urnas, após um embate direto com José Carlos Peres, com quem chegou a ficar empatado com o mesmo número de votos. A partir da urna seis a vitória foi solidificada.

Na formação do novo Conselho Deliberativo, estarão membros dos grupos de Peres e do candidato Fernando Silva. Orlando Rollo e Nabil Khaznadar sequer atingiram os 20% mínimos e não terão representantes. O segundo, membro da situação política do clube, apresentou o maior índice de rejeição, perdendo em quase todas as urnas em Santos.

Semana polêmica: da fraude à decisão
Adiada após o não funcionamento das urnas eletrônicas e, principalmente, depois de uma possível tentativa de fraude do mesário José Ananias da Silva, 73 anos, integrante da situação política do clube, acusado pelos presentes de depositar dois votos na urna 7, a reprogramação da eleição rendeu episódios durante a semana.

O primeiro deles uma prestação de explicações por parte do clube e da empresa contratada responsável pelas urnas eletrônicas. O Santos aproveitou informar que não abriria mão, mesmo após toda a confusão, do cumprimento do artigo 37 do estatuto social para a opção pelas urnas.

A decisão contrariou dois dos cinco candidatos, Modesto Roma e Orlando Rollo, que discordaram da utilização das mesmas. Rollo recorreu judicialmente, mas teve na quinta o seu pedido de recurso negado. No despacho, o juiz definiu que "não há fundamento para concessão de tutela antecipada" e afirmou que "o Conselho Deliberativo tem autonomia e soberania para conduzir o processo eleitoral" descrevendo que "a pretensão está embasada em suposições".

O clube ainda anunciou a punição preventiva de 30 dias de seu quadro associativo para Ananias. O mesmo foi afastado da eleição e ainda terá, posteriormente, a ação julgada pelo Conselho podendo, até mesmo, perder o título de associado. De acordo com o Santos, ele "terá direito a ampla defesa, mas precisará explicar diante de todos o seu ato".

Por fim, o clube tentou uma série de medidas para evitar trantornos, as principais delas a tranferência do pleito pela primeira vez: do Salão de Mármore para o ginásio de futsal.

Histórico: sócios fantasmas, debate, quase união e farpas
A eleição foi marcada, desde o início de seu processo eleitoral, por uma série de acusações, clima tenso e provocações iniciadas, principalmente, com a denúncia de uma possível fraude eleitoral. Oposicionistas da antiga diretoria expuseram a confecção de carteirinhas com nomes fantasmas e pitorescos como do ex-ditador Augusto Pinochet, de Alexandre Nardoni, acusado de matar a própria filha, e do mafioso Al Capone, além de personagens como Don Corleone, do filme O Poderoso Chefão.

O Santos confirmou as irregularidades em seu quadro associativo, mas garantiu que todos os nomes estavam bloqueados e prometeu sanar de vez o problema, que ainda ganhou desdobramentos.

Pouco após as denúncias de sócios fantasmas, a modificação no sistema de votação para as eleições presidenciais foi vetada no Conselho Deliberativo. A sessão discutia alteração da forma votação, feita de forma presencial, para à distância.

Em meio ao processo, ainda sem a definição das chapas, houve a informação da aliança entre Fernando Silva e Modesto Roma, no fim de outubro, que colocava, lado a lado, dois dos principais rivais nas urnas dos últimos tempos: os ex-presidentes Luis Álvaro Ribeiro e Marcelo Teixeira. O desentendimento para a distruibuição de cargos teria sido o principal dos motivos para a desistência das partes, mas nenhum deles externou. No debate da última terça, Fernando acusou Modesto de querer pagar R$ 100 mil mensais a quem indicará como futuro gerente de futebol, Dagoberto Fernandes dos Santos.

O inédito debate presidencial reuniu os cinco candidatos postulantes ao cargo. Entre os principais pontos, a série de provocações de Orlando Rollo a Modesto Roma. Rollo se referiu ao adversário como "afilhado" do presidente Marcelo Teixeira, seu principal apoiador na campanha, de quem disse, também, ser o "amo" de Roma.

Ainda desdenhou de uma gafe numérica do adversário para aproveitar e dizer que o mesmo ficou nos últimos anos "nadando na Flórida com golfinhos". O revide aconteceu com a sugestão de que Rollo e Fernando Silva estariam favorecendo um ao outro no encontro.

A situação política ainda tentou um último suspiro para permanecer. Na última semana, convocou uma entrevista antes da sucessão de diretoria para fazer um balanço dos cinco anos de gestão, enaltecendo as conquistas dos três primeiros anos, e amenizando o rombo financeiro, assegurando ser bem inferior aos quase R$ 400 milhões, constantemente citados por alguns dos postulantes ao cargo máximo.

K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME

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