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"Maior pós-Pelé", Neymar se despede com gols, polêmicas e títulos

25 mai 2013
22h13
atualizado às 22h13
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Após 228 jogos, com 138 gols marcados e seis títulos conquistados com a camisa alvinegra, o atacante Neymar anunciou sua transferência para o Barcelona e dá adeus à Vila Belmiro. Aquele que é considerado o principal jogador do clube alvinegro desde Pelé se despede do time que o revelou e encerra passagem vitoriosa marcada por gols, polêmicas e títulos.

Aos 21 anos de idade, o jogador se juntará ao esquadrão catalão formado pelos espanhóis Xavi e Iniesta e atuará ao lado do atacante argentino Lionel Messi, o melhor jogador do mundo na atualidade e algoz do Santos no Mundial de Clubes de 2011, quando aplicou 4 a 0 na decisão. Assim, Neymar se firma como o principal reforço do clube da Catalunha para a próxima temporada.

O Santos, por sua vez, fica órfão daquele que é considerado o maior nome no clube desde Pelé. Neymar se tornou o principal artilheiro do clube pós-Pelé, foi protagonista do único tri paulista e do tricampeonato da Libertadores, todos marcos únicos no time da Vila Belmiro desde a saída do ex-camisa 10. Assim, se encerra uma trajetória que, sem dúvidas, deixará saudades no torcedor alvinegro.

Estreia, gol e vice-campeonato paulista

Então com 17 anos, o ainda menino Neymar foi alçado ao time profissional do Santos no início de 2009. Estreou no dia 17 de março diante do Oeste, no Pacaembu. Tido como a maior promessa do clube desde Robinho, o futuro astro não decepcionou ao fazer seu primeiro gol uma semana depois, diante do Mogi Mirim, no mesmo estádio da capital paulista que seria palco de muitas glórias do atleta.

<p>Jogador estreou em 2009 contra Oeste</p>
Jogador estreou em 2009 contra Oeste
Foto: Lancepress!

Com atuações ainda tímidas, mas de qualidade, Neymar virou titular do Santos e levou a equipe às finais do Paulista, eliminando o Palmeiras - seu clube do coração na infância - com gol nas semifinais. Entretanto, parou na decisão diante do forte Corinthians, de Ronaldo, que venceu por 3 a 1 na Vila Belmiro, empatou por 1 a 1 no Pacaembu e foi campeão invicto. Mesmo assim, o jovem de 17 anos ainda estava começando a carreira.

Robinho, "Meninos da Vila" e títulos

A saída de Luxemburgo e chegadas do técnico Dorival Júnior e do atacante Robinho arrancaram de Neymar seu melhor futebol. Ao lado do ídolo, emprestado por seis meses, e também do amigo Paulo Henrique Ganso, o camisa 11 levou o Santos a praticar seu melhor futebol, que levou a geração a ser chamada de a nova safra dos "Meninos da Vila". Com um estilo de jogo ofensivo, o time alvinegro sobrou.

<p>Ao lado de Ganso, Neymar faturou títulos</p>
Ao lado de Ganso, Neymar faturou títulos
Foto: Reuters

O primeiro semestre de 2010 foi totalmente santista. O clube faturou com sobras o Campeonato Paulista, após vencer São Paulo e Santo André nas finais, com show de Neymar e Robinho, e também a Copa do Brasil. A dupla, alimentada por Ganso em sua melhor fase da carreira goleava os adversários sem parar, tanto no Estadual quanto no torneio nacional - os placares de 9 a 1 contra o Ituano e 10 a 0 contra a Naviraiense evidenciam o momento.

Copa, Seleção Brasileira e polêmicas

As apresentações fora de série de Neymar e Ganso protagonizaram pressão popular para convocação da dupla ao Mundial da África do Sul. Com o time montado e favorito ao titulo, o técnico Dunga ignorou os pedidos e deixou ambos de fora - viu a Seleção Brasileira sucumbir nas quartas de final, contra a Holanda. Dessa forma, Neymar ganhou sua primeira chance apenas em agosto, já com Mano Menezes no cargo.

<p>Neymar se envolveu em polêmicas em 2010</p>
Neymar se envolveu em polêmicas em 2010
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Com um gol na estreia na vitória por 2 a 0 contra os EUA, o camisa 11 estava cada vez melhor. Mas começou a sair dos eixos ao se envolver em seguidas polêmicas: fez chilique com o técnico Dorival Júnior após ser impedido de bater um pênalti, xingou árbitro no Twitter, arrumou confusão em campo contra o Ceará, foi acusado de deboche por rivais, entre outras coisas. A série de entreveros obrigou o Santos a colocar um profissional de "babá" na cola do craque, o que acabou funcionando.

Paulista, Libertadores e consagração

O ano de 2011 entrou e entrou para a história como o melhor do Santos desde a saída de Pelé. O clube voltou a se destacar no cenário internacional depois de 48 anos graças a atuações fenomenais de seu camisa 11, que virava cada vez mais ídolo. No Campeonato Paulista, por exemplo, Neymar se vingou do Corinthians ao marcar o gol do título do bi santista na Vila Belmiro, dando show nas finais.

<p>Camisa 11 brilhou na campanha da Libertadores</p>
Camisa 11 brilhou na campanha da Libertadores
Foto: Terra

Suas atuações brilhantes se repetiram ao longo de toda a campanha da Copa Libertadores, principalmente após a chegada do técnico Muricy Ramalho. O atacante, sem o lesionado meia Paulo Henrique Ganso ao seu lado, carregou o Santos praticamente sozinho rumo ao tricampeonato continental, marcando gol nos principais duelos decisivos do mata-mata, incluindo a decisão contra o Peñarol. Era a consagração total do maior ídolo pós-Pelé na Vila.

Vice no Mundial e prêmio da Fifa

Já uma estrela internacional, Neymar passou a ser também o principal nome na Seleção Brasileira. Não foi o bastante para evitar o vexame na Copa América, com queda nas quartas de final diante do Paraguai. Mas o atacante seguia como unanimidade na Vila Belmiro e maior esperança para a conquista do tri mundial em dezembro de 2011, no Japão. E, no país asiático, o jogador começou bem, ao brilhar na semifinal diante do Kashiwa.

<p>Atacante perdeu Mundial para o Barcelona</p>
Atacante perdeu Mundial para o Barcelona
Foto: Getty Images

A decisão, entretanto, não foi do jeito que o santista esperava. Considerado o time mais temido do mundo, o Barcelona de Messi humilhou o Santos de Neymar na decisão por 4 a 0, faturando o Mundial de Clubes e impedindo o terceiro título do clube praiano. O camisa 11, por sua vez, teve uma condecoração de consolação: faturou o prêmio Puskas de gol mais bonito do planeta em 2011 pela Fifa, por tento feito diante do Flamengo, pelo Brasileiro.

Tri, queda no centenário e último título

O revés para o Barcelona não abalou Neymar. O Santos montou um ambicioso projeto de marketing que, em 2011, ajudou a manter o atleta na Vila Belmiro, rejeitando proposta do Chelsea. Com vencimentos beirando os R$ 3 milhões mensais, o atleta assinou vínculo até junho de 2014 e entrou no ano do centenário santista como estrela. Em campo, também não decepcionou: levou o clube ao tricampeonato paulista.

<p>Neymar levou o Santos ao tri em 2012</p>
Neymar levou o Santos ao tri em 2012
Foto: Terra

Só que nem só de alegrias foi o ano do 100º aniversário santista. Neymar não foi capaz de levar o Santos ao tetra na Libertadores ao sofrer queda na semifinal diante, justamente, do arquirrival Corinthians, fato que, de certa forma, manchou o centenário alvinegro. No segundo semestre, o camisa 11 ainda arrebataria aquele que seria seu último troféu com a camisa santista: o da Recopa, ao vencer a Universidad de Chile.

Fim do sonho do tetra e adeus sem brilho

Nem o mais pessimista dos santistas imaginaria que 2013 seria o ano do adeus de Neymar. Com acordo até junho de 2014, o esperado era que o camisa 11 cumprisse o contrato, motivado por ganhar 100% de seu passe ao fim do vínculo. Deixando seu futuro nas mãos de seus representantes, o atacante continuou como estrela solitária do Santos e levou o clube, com um time inferior com relação aos demais anos, a nova decisão do Paulista.

No que foi o tira-teima diante do Corinthians, Neymar não conseguiu conquistar o inédito tetra estadual e sucumbiu após derrota no Pacaembu por 2 a 1 e empate por 1 a 1 na Vila Belmiro, naquele que foi por enquanto o penúltimo jogo do camisa 11 diante de sua torcida. Sem títulos, o jogador ainda deu adeus àquela que foi sua casa por anos em uma quarta-feira chuvosa, em empate sem gols - e sem brilho - contra o modesto Joinville, pela Copa do Brasil.

<p>Neymar se despediu sem sonho do tetra paulista</p>
Neymar se despediu sem sonho do tetra paulista
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Somente 4.758 pessoas assistiram ao adeus da Vila do maior ídolo do Santos desde a aposentadoria de Pelé maior jogador de todos os tempos. O camisa 11 ainda deve fazer uma última partida com a camisa alvinegra no domingo, contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Nacional de Brasília. Mas ficará a sensação de que faltou uma despedida à altura da grandeza do que foi Neymar para a história do Santos. Deixará saudades nos santistas.

Fonte: Terra
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