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É proibido driblar no futebol atual?

22 mar 2009 - 11h34
(atualizado às 15h17)
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O lance aconteceu no final da partida contra o Rio Branco, do Acre, na última quarta-feira. Com 4 a 0 no placar, aos 44min do segundo tempo, a jovem promessa santista Neymar pega a bola na ponta esquerda e improvisa um drible com uma espécie de uma dança para segurar a bola. O jogador do modesto time acreano Milton Melgar não perdoa. Põe a bola para fora e parte para cima do atacante de 17 anos, intimidando e gritando na orelha dele.

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Isto foi só o ápice do que Neymar já havia sofrido ao longo do jogo graças aos seus dribles desconcertantes. Em 90 minutos, ele levou duas cotoveladas e uma entrada por trás. O mesmo já havia acontecido no jogo do Mogi Mirim, no domingo anterior. As entradas que leva em campo fizeram Neymar até passar a usar um protetor bucal para não sofrer com as cotoveladas dos adversários.

A atitude hostil dos adversários abre questionamentos: não há mais espaço para os dribles no futebol? Jogadores como Neymar tendem a desaparecer ao longo dos anos?

De acordo com o Flávio de Campos, professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo e que pesquisa sobre o futebol desde a Idade Média, o drible não irá sumir, mas o jogador precisa ser mais do que apenas um driblador.

"O jogador de hoje em dia tem que ser versátil. No futebol moderno não adianta apenas driblar, você tem que saber marcar, chutar ao gol, armar as jogadas. O Neymar é muito habilidoso, mas ainda não é um jogador versátil. Atualmente, ele não é um jogador do tipo do que vai me encantar. Ele vai brincar, finalizar bem às vezes, mas precisa ter a leitura do jogo".

Para Campos, o drible sempre teve um aspecto de humilhação. A diferença é que os atletas antigos sabiam como dar o troco nos dribladores, ao invés de partirem para a violência.

"O drible sempre foi uma ofensa. Era uma zombaria também o que Garrincha fazia. A diferença daqueles dias para hoje é como você reage ao drible. Você tem três opções: ou acerta uma bordoada no atacante, ou você tenta antecipar o drible ou, na jogada seguinte, o marcador dá o troco e aplica um drible em quem o driblou. Hoje em dia, é mais difícil você ter um jogador de contenção que tenha habilidade para aplicar um drible no atacante. Os jogadores de contenção hoje são 'brucutus'. Por isso, eles utilizam o recurso de parar na violência".

O técnico do Santos, Vagner Mancini, concorda com a opinião do historiador, mas nega que Neymar tenha usado o artifício para humilhar o adversário. "Ninguém aceita que faça firulas. Ninguém gosta de menosprezar. Não foi o caso. Eu estava perto e vi (o lance do Neymar). Ao mesmo tempo em que pedimos um futebol cheio de plástica, quando alguém tenta fazer um lance diferente ouvimos um monte de coisa".

"O torcedor é engraçado. Ele gosta de ver o espetáculo, mas quando acontece lances como aquele (entrada dura em Neymar) ele defende o cara do time dele. Se for um palmeirense, ele vai achar que está certo o palmeirense. Se for o são-paulino, a mesma coisa. Sempre que algum atleta faz alguma coisa em prol de seu objetivo, que é o gol, é ótimo", completou o treinador.

Apesar de o futebol de hoje em dia ser mais preocupado com o vigor físico, o ex-jogador do São Paulo Zé Sérgio, conhecido por sua grande habilidade, acredita que se daria melhor jogando hoje em dia do que nos anos 80.

"Eu acho que hoje seria muito mais fácil. Os jogadores de antigamente eram melhores marcadores. Os de hoje em dia não sabem nem bater. Eles dão pontapé sem saber. As pancadas de antigamente, quando pegavam, machucavam mesmo".

Por esse motivo, Zé Sérgio acredita que jogadores como Neymar não deixarão de existir e que o jovem santista não ligará para as atitudes dos defensores. "Eu acho que o Neymar não vai ser intimidado por isso. Até pelo seguinte motivo: se ele faz hoje e amanhã pára de fazer, vai fugir das características dele. Ele tem mesmo que driblar e partir para cima dos adversários".

Autor de dribles desconcertantes, Neymar irrita rivais em seu início como profissional
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Foto: Gazeta Press
Fonte: Terra
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