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Paulo Paixão fala sobre trabalho extra de Marcos para manter peso

5 jan 2012 - 19h04
(atualizado em 5/1/2012 às 10h17)
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O ex-goleiro Marcos lutou durante sua carreira para conseguir manter o peso ideal. Preparador físico presente nas duas maiores conquistas da carreira do ex-jogador, Paulo Paixão relata agora o empenho do pentacampeão para lidar com um corpo propenso a engordar.

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"Por seu biótipo, ele sempre soube que tinha tendência para aumentar o percentual de gordura, mas cuidava bastante disso. Acho que isso mostra o profissionalismo dele, porque ele já tinha moral, mas só continuou brilhando porque realmente cuidava desta parte. Para a posição dele, um quilinho a mais já iria atrapalhar. E ele sabia disso", explica Paixão, sem dizer os números referentes ao peso do ex-atleta.

O profissional era o responsável pelo condicionamento físico do Palmeiras na Copa Libertadores da América de 1999, quando Marcos explodiu para o futebol e acabou eleito o melhor jogador da competição.

Para atingir seu auge, o ex-atleta realizava um trabalho extra na sala de musculação, que era supervisionado por Paixão. "Ele fazia complementos na esteira. Esta era uma briga que ele tinha, mas nunca deixou que interferisse em ser goleiro. Ele sabia da dificuldade e colaborava", completa preparador.

Paulo Paixão deixou o Palmeiras em 2000, mas reencontrou o ídolo em outro momento especial. Na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, o profissional também estava na comissão técnica de Luiz Felipe Scolari e viu que o ex-goleiro mantinha o esforço para apresentar sua melhor condição física.

"Nós temos de ressaltar este assunto, porque, na época, não havia motivo de divulgar que o atleta fazia complemento para manter o peso ideal. Mas, agora, é um detalhe que deve ser relatado, para o torcedor saber o porquê de o Marcos ter alcançado o que alcançou. Fui privilegiado por ter trabalhado com ele", acrescenta.

O preparador físico acredita que o ex-goleiro merece ser tratado como um exemplo para os jovens atletas. "Um garoto que tem qualidade para ser goleiro e entende que não precisa ter o peso ideal tem de pegar o que falei sobre o Marcos e pendurar em seu quarto. O Marcos só foi o Marcos porque sempre soube se cuidar", argumenta.

Além da parte dos treinamentos, Paulo Paixão também considera muito importante o estilo do ex-goleiro fora das quatro linhas, no relacionamento com os demais jogadores do elenco.

"Pela forma de ele ser, com aquele jeito bonachão, ele se impunha de forma natural. Ele não era rude, pois falava e os jogadores entendiam muito bem. A questão técnica e sua excelência permitiam que fizesse seus comentários", conclui.

Exemplo de amor à camisa no futebol moderno

A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.

Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.

Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.

Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.

As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.

Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.

FICHA TÉCNICA

Nome: Marcos Roberto Silveira Reis
Posição: Goleiro
Cidade de nascimento: Oriente (SP)
Nascimento: 4 de agosto de 1973
Altura: 1,93 m
Camisa preferida: 12
Jogos pelo Palmeiras: 530
Jogos pela Seleção Brasileira: 29
Clubes: Palmeiras
Títulos: Campeonato Brasileiro (1993 e 1994); Campeonato Paulista (1994, 1996 e 2008); Copa do Brasil (1998); Copa Mercosul (1998); Copa Libertadores (1999); Torneio Rio-São Paulo (2000); Copa dos Campeões (2000); Campeonato Brasileiro Série B (2003).

Pela Seleção: Copa América (1999); Copa do Mundo (2002) e Copa das Confederações (2005)

Paulo Paixão já conquistou dois títulos mundiais(94 e 2002) com a Seleção
Paulo Paixão já conquistou dois títulos mundiais(94 e 2002) com a Seleção
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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