Royce Gracie elogia preparação de americanos e defende UFC
Uma das maiores lendas da história do MMA esteve em Curitiba nesta semana. Na última terça-feira, Royce Gracie ministrou um seminário e relembrou o início do UFC – evento em que ele foi o primeiro campeão – e analisou o momento das artes marciais no mundo e, especialmente, no Brasil. Para o ex-lutador, o que mais se tem por aqui são talentos.
Questionado sobre as lembranças que possui das primeiras edições do UFC, que tinham um formato de GP (o que quer dizer que o atleta para ser campeão tinha que fazer de três a quatro lutas em uma noite), Royce Gracie destacou a evolução do esporte. "No início era estilo contra estilo. Coloca um especialista do jiu-Jitsu contra alguém do wrestling, alguém do muay-thai contra um oriundo do boxe. Hoje em dia é atleta contra atleta, com todos aprendendo a mesma coisa", declarou.
Devido ao bom desempenho nas primeiras edições do UFC, por ser especializado em jiu-jitsu, os americanos passaram a se aprofundar na área e melhoraram muito no quesito. Como, no momento, os atletas dos Estados Unidos possuem a maioria dos cinturões nos principais eventos do mundo, Royce Gracie foi interpelado se é o momento do Brasil fazer o mesmo trabalho desenvolvido pelos norte-americanos a respeito do wrestilng, principal arte deles. "Nós provamos lá atrás que apenas isso (wrestling) não resolve. Esse domínio que eles vêm possuindo é por preparação, não por causa de uma arte especificamente", opinou.
Para Gracie, o crescimento do esporte no Brasil, que nos últimos anos passou a ter transmissão na televisão aberta, é uma vitória de uma luta de longa data. "É uma questão de educação. Antes diziam que éramos violentos e arrogantes, agora estão entendendo a essência da arte marcial e do jiu-jitsu. Nosso trabalho sempre foi mostrar que a nossa arte é superior às demais. Por isso que o UFC foi criado com o intuito de colocar uma modalidade contra outra", afirmou.
Sobre as próximas gerações, Gracie tem certeza que vão surgir nomes capazes de manter o esporte nessa boa fase. "O que mais se tem são talentos, os famosos cascas grossas. Isso tanto no Brasil quanto no mundo. O que precisam se conscientizar é a disciplina, isso é imprescindível para um atleta ter sucesso", apontou.
Polêmica entre Wanderlei Silva e o UFC
Já sobre o assunto que mais toma conta rodas de discussões do MMA nos últimos dias, a briga envolvendo o UFC e o, agora, ex-lutador Wanderlei Silva, a posição adotada por Royce Gracie chama a atenção. "As condições dos atletas sempre precisam melhorar. Nunca podemos achar que é o ideal. Agora, não podemos negar que o UFC emprega muita gente. Todo lutador quer entrar no UFC. E isso não é um monopólio, eles não impedem ninguém de fazer um evento, um show. Acontece que hoje eles são os melhores. Se são contra, basta fazer um melhor do que eles", concluiu.