Lutador morto por AVC é enterrado; família cobra academia
A família do lutador de MMA, Leandro Caetano de Souza, de 26 anos e enterrado na manhã deste sábado no cemitério de Inhaúma (Zona Norte do Rio) quer explicações da Academia Nova União. Era lá onde o lutador treinava até morrer na noite da ultima quinta-feira vítima de AVC hemorrágico, segundo laudo do Instituto Medico Legal. A tia do lutador, Elma Caetano, que é enfermeira, quer explicações sobre o porquê a academia não ter nenhum tipo de acompanhamento médico para os atletas.
"Não queremos fazer nada contra ninguém, mas apenas evitar que isso possa acontecer com outros jovens", disse Elma, que também não concorda com o laudo do IML. "Para um AVC hemorrágico é preciso uma doença pré-existente e Leandro era perfeitamente saudável", questionou, lembrando que o sobrinho lutava há dez anos.
Elma contou que Leandro vinha fazendo uma dieta rigorosa por conta própria para poder chegar aos 53 kg - peso que a categoria exigia para a luta que seria realizada na sexta. "Lutar era a vida dele e olha só o que aconteceu", afirmou.
A enfermeira disse desconhecer que Leandro estivesse tomando algum medicamento. "A não ser que tenha tomado na academia sem que nós soubéssemos", salientou. Para exemplificar o esforço de Leandro pela perda de peso, Elma Caetano lembrou que ele vinha comendo pouco e fazendo muita sauna.
"Achamos na bolsa dele três maçãs que ele deveria ter comido e não comeu", afirmou. Para ela, a falta de alimentação, desidratação e falta de acompanhamento médico podem ter sido fatais para o desfecho trágico da história.
O Terra tentou entrar em contato com a academia, mas de acordo com a recepcionista que atendeu o telefone, os responsáveis só devem se pronunciar na segunda. Por enquanto, na página de web da academia, há apenas uma nota curta cancelando o evento que seria realizado na última sexta em luto pela morte de Leandro Feijão.
Amigo de Feijão, lutador alerta classe do MMA
Muitos amigos e familiares usavam uma camiseta branca com o nome de Leandro e a seguinte inscrição: "É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa e não desistir nunca". André Chatuba, lutador e amigo de Leandro, disse que membros da academia foram ao IML e conversaram com membros da família, mas confirmou que ninguém esteve no enterro.
André, que comanda uma academia na Vila Cruzeiro, onde Leandro morava, admitiu que a morte do amigo é um alerta para todos os lutadores. "Temos que ter acompanhamento médico, fazer revisões periódicas. Não podemos deixar isso acontecer de novo", disse.
A irmã de Leandro Feijão, Taíssa Caetano, chorando muito, contou que o sonho do irmão era comprar uma casa para a mãe. Depois de o caixão ser colocado em uma gaveta simples no cemitério de Inhaúma, a mãe, Selma, agradeceu as cerca de 150 pessoas que compareceram ao enterro do filho e que aplaudiram Leandro. "Ele merecia tudo isso porque era um guerreiro", disse.
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