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Especialista cita benefícios dos tratamentos à base de cannabis medicinal para lutadores

Médica pós-graduada em medicina do exercício e do esporte e especialista em cannabis medicinal, Jessica Durand falou sobre o tema

18 abr 2022 18h32
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Cada vez menos um tabu no Brasil, mas ainda com uma longa estrada a ser percorrida, o canabidiol, mais conhecido como CBD, vem se tornando um dos principais tratamentos à base de cannabis para atletas de alto rendimento que buscam uma melhor recuperação física, entre outros benefícios.

Jessica Durand é médica especialista em cannabis medicinal (Foto: Arquivo pessoal)
Jessica Durand é médica especialista em cannabis medicinal (Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Lance!

No mundo das lutas, essa procura por parte dos atletas é ainda maior, em especial no Jiu-Jitsu e no MMA. Médica pós-graduada em medicina do exercício e do esporte e especialista em cannabis medicinal, Jessica Durand falou sobre essa relação, citando os motivos que levaram o CBD a ser indicado por autoridades do assunto como ela e, consequentemente, bastante utilizado por lutadores.

- O CBD tem diversos benefícios que podem melhorar a performance e qualidade de vida dos praticantes de exercício físico, atletas amadores e profissionais. Um rendimento esportivo satisfatório depende de fatores como qualidade do sono, nutrição, bem-estar mental e emocional, recuperação e regeneração. O CBD tem um potencial ergogênico melhorando a eficácia e a eficiência dos processos de recuperação durante o exercício e a fadiga relacionada ao esporte, contribuindo para a recuperação do exercício, através de suas ações anti-inflamatórias e analgésicas, e contribuindo para o bem-estar mental e emocional, agindo como ansiolítico. Além disso, exerce um papel significativo na melhora da qualidade do sono, que é um dos processos fisiológicos que mais impacta na melhora da resistência e restauração - disse Jessica, que continuou:

- Os praticantes de esportes de combate são expostos diariamente a uma rotina de treino e competições exaustiva - que contribui para queixas constantes de dores crônicas, lesões osteomusculares e estresse mental. Por muito tempo, diversos atletas recorreram ao uso da cannabis recreativa como tentativa de aliviar esses sintomas. Com a crescente liberação do uso medicinal ao redor do mundo, há uma maior procura da cannabis como tratamento dessas queixas. Além da melhora da ansiedade, das dores, da recuperação muscular e da qualidade do sono, a cannabis tem um potencial neurogênico e antioxidante poderoso, e diversos estudos têm mostrado seu papel na prevenção e combate da encefalopatia traumática crônica - mais conhecida como 'demência do pugilista', muito frequente em certas lutas.

Embora seja proveniente da cannabis sativa, vale lembrar que o CBD não possui tetrahidrocanabinol (THC), psicoativo da planta que gera a dependência e euforia. Tanto é que a substância foi retirada da lista de proibições da Agência Mundial Antidoping (WADA). Apesar disso, é necessário acompanhamento médico e prescrição, conforme explicou Jessica Durand, que além de especialista no assunto, é parceira da USA Hemp Brasil, empresa de cannabis medicinal e que vem investindo forte no esporte brasileiro.

- Em 2021, a USA Hemp Brasil patrocinou o 'BJJ Stars - The New Star', primeiro reality show de Jiu-Jitsu do mundo, onde eu estive presente e pude acompanhar 13 atletas que fizeram o uso de produtos à base de cannabis. Os resultados foram muito positivos, com uma melhora significativa das dores físicas, controle da ansiedade e do sono. É necessário, porém, sempre passar por um atendimento médico especializado para que o profissional possa entender melhor as queixas e determinar se o tratamento com produtos à base de cannabis é ideal ou não para você. Com a consulta, iremos entender o tipo de produto que é mais aplicado ao atleta e ao seu tipo de treinamento, dosagem, etc. O acompanhamento pós-consulta também é essencial, porque, apesar do CBD possuir uma baixa gama de efeitos colaterais, há alguns indivíduos que são mais sensíveis, então ter esse seguimento de perto e um controle rigoroso da titulação, ou seja, da subida de dose, é importante - falou.

Por fim, Jessica voltou a destacar as qualidades dos tratamentos à base de CBD, comparando, por exemplo, com os anti-inflamatórios não esteroidais: - Pelo seu papel anti-inflamatório, em que há uma modulação da resposta inflamatória adaptativa que ocorre após os exercícios físicos, sem fazer baixa no sistema imune, previne que lesões agudas cronifiquem e estimula a adaptação e regeneração muscular e tecidual, sem prejudicar a performance esportiva. Ao contrário dos anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco, que diminuem a resposta inflamatória artificialmente, atrasando a recuperação tecidual e muscular, e podem contribuir para a cronificação de lesões agudas em esportistas. Ainda, como atua promovendo relaxamento e melhorando a qualidade do sono, o CBD oferece também um reforço ao tempo de descanso adequado, podendo equilibrar a relação estresse e recuperação decorrente do treinamento esportivo - encerrou ela.

Lance!
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