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Com argentino de alma brasileira no octógono, UFC estreia em Buenos Aires

Santiago Ponzinibbio faz a luta principal da noite com Neil Magny

17 nov 2018 05h14
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Pela primeira vez o UFC vai desembarcar na Argentina e Santiago Ponzinibbio não vê a hora de entrar no octógono neste sábado em Buenos Aires. Ele vai encarar Neil Magny na luta principal da noite, que terá ainda mais outros 11 combates, incluindo o duelo entre o brasileiro Cezar Mutante e Ian Heinisch. O evento será realizado no Parque Roca, uma arena com capacidade para mais de 15 mil torcedores, no Parque Olímpico da Juventude.

"Estou super feliz, realmente tem acontecido coisas muito bonitas na minha carreira. É impressionante como o MMA tem crescido aqui. Vejo o reconhecimento das pessoas e acho que será uma noite que vai ficar para história. A Argentina tem uma cultura de boxe e esportes de contato e os fãs estão adorando o MMA, tendo um reconhecimento grande pelo esporte. Senti isso nessa semana, teve promoção no jogo Boca x River, e está me lembrando muito a chegada do UFC em 2011 no Rio", contou Santiago.

Ele tem uma forte relação com o Brasil. Natural de La Plata, ele praticava artes marciais mistas, mas em sua cidade a modalidade ainda não era muito difundida. Então um amigo o convidou para ir ao Brasil e foram juntos de ônibus, com o colega pagando sua passagem. Depois, Santiago decidiu ficar em Florianópolis e não retornou para a Argentina.

"Cheguei no Brasil e montei uma barraca na praia para fazer massagem. Morei cinco meses em um camping e, para me sustentar, vendia cerveja no carnaval, comprava artesanato no centro e revendia na praia, fiz várias coisas. Minha família é de classe média. Não são pobres, mas não tinha dinheiro sobrando. Foi minha decisão tentar essa vida e nunca pedi nada para eles. Naquela época era difícil, mas sou um cara bastante independente e decidi me virar como podia", revelou.

Convivendo com outra cultura, sem dinheiro e sem qualquer contato com o mundo das lutas, Santiago foi aos poucos se aproximando de pessoas que imaginava serem lutadores. Perguntava onde treinavam, se podia ir junto, até que deu certo. Passou a treinar e logo despontou no Team Tavares, quando conseguiu uma das 28 vagas no The Ultimate Fighter Brasil 2, um reality show para revelar talentos. Foi bem no programa, mas quebrou o punho e não pôde disputar a final. Mesmo assim conseguiu contrato com o UFC.

"Realmente tive de batalhar muito. Comecei na Argentina, mas na minha cidade não tinha nada. O nível era baixo, então decidi me meter nisso aqui, mas de coração, sem contrato, sem grana. Um amigo pagou passagem de ônibus e fui para a praia. Tive de superar muita barreira, não tinha contato de ninguém, era outra cultura, mas fui superando todas as adversidades", relembrou.

Atualmente, ele vive em Miami e treina no American Top Team, uma das equipes mais famosas de MMA do mundo. "Estou contente lá e conseguindo evoluir", disse. Ele vem de seis vitórias consecutivas, tem um cartel de oito vitórias e duas derrotas no UFC (no MMA são 26 vitórias e três derrotas), mas não luta desde dezembro do ano passado. "São 11 meses, mas treinei muito na academia, fiz muito sparring e estou bem preparado. Esse período sem lutas foi bom para meu corpo descansar", explicou.

Além de buscar a vitória neste sábado, Santiago mira o cinturão dos meio-médios do UFC e sabe que um resultado positivo contra um rival mais bem ranqueado como Magny pode ajudar nessa empreitada. "Meu maior objetivo é o título mundial. Quero ajudar no crescimento do esporte que tanto amo na América Latina e espero lutar pelo cinturão em 2019", comentou, citando sua paixão por dois países. "Eu represento a Argentina e também o Brasil. Amo o País e foi aí que me transformei no atleta que sou hoje em dia."

O lutador sabe que quando estiver dando seus passos no meio do público, antes de subir no octógono, um filme passará em sua cabeça. E ele espera que tenha final feliz. "Em alguns momentos as coisas não saíam bem, eram muitas dificuldades, mas não desisti. Hoje, olho para trás e vejo que tudo valeu a pena, todo esforço que tive. Essa busca constante, sem me incomodar, acho que faz a diferença. Estou muito feliz com o respeito que consegui e estou motivado para continuar", avisou.

"É algo muito louco. O bom de sonhar é que com trabalho a gente consegue realizar os desejos. Quando comecei, o esporte ainda era pequeno no meu país, vim de uma cidade que não tinha nada, mas tracei meu caminho, trabalhei muito, batalhei e agora com a chegada do UFC na Argentina é outro sonho que se torna realidade. Realmente depois disso aqui só preciso focar em buscar o título."

Estadão
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